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quinta-feira, 22 de maio de 2014

A Necessidade da Ética no Cotidiano e na Mídia




Mídia e Ética: uma reflexão do cotidiano


Eu acredito que magia é arte, e que a arte, quer seja música, escrita, escultura ou qualquer outra forma, é literalmente magia. A arte é, como a magia, a ciência de manipular símbolos, palavras ou imagens, para obter mudanças na percepção... de fato, lançar um feitiço é simplesmente proferir, manipular palavras, mudar a percepção das pessoas, e é por isso que eu acredito que um artista ou escritor é a coisa mais próxima no mundo contemporâneo a um xamã (ALAN MOORE apud MILLIDGE , 2012, p. 08).

Alan Moore é um escritor britânico de histórias em quadrinhos. O seu trabalho é cultuado por muitos como um dos poucos que conseguiram elevar as suas HQ’s ao status quo de literatura. Mas, o que a magia e a arte, segundo a comparação de Moore, podem nos ajudar quando o assunto é ética? Ao comparar arte com magia Moore entende o artista como uma espécie de xamã ou mago contemporâneo, ou seja, uma pessoa que manipula símbolos a fim de mudar a percepção dos outros sobre algo ou alguém. Se empregarmos este conceito no campo da Comunicação não chegaremos a conclusão de que é exatamente isto que os publicitários fazem? É claro que sim. Manipular símbolos é o que fazemos. Talvez, não em um sentido de magia, como entende Moore, e sim mais próximo de um artífice dos desejos. Manipular símbolos, signos e imagens para criar e tornar desejos em necessidades. O casal desejo e necessidade, dois lados opostos de uma mesma moeda, parecem ser de tal natureza que se confundem facilmente um com o outro. Aprender a manter separado este casal, não é isso que em nossa cultura chamamos de “ética”?
Mudar a percepção de alguém sobre alguma coisa não significa necessariamente mudar a coisa em si e sim mudar a forma como a pessoa entende esta coisa. Os processos de (re)significação são constantes na história da humanidade mudando não somente no tempo, mas também no espaço. Mas, como poderíamos falar de ética em comunicação ou mais especificamente em publicidade? É mais fácil dizer o que não é ético na comunicação publicitária. Sabemos que a história da ética é a “nossa própria história”; enfim somos a consequência de um extenso processo de constituição de verdades. Sabemos também que qualquer reflexão sobre os problemas éticos mais imprescindíveis e atuais da nossa sociedade continuará sempre fraca se não levar em conta suas origens.
O fato é que a maior parte das pessoas entende, sem particularizar situações, que a falta de ética é aquilo que não é bom, verdadeiro e justo. Portanto, ética é aquilo que é bom. Com certeza esta afirmação pode ser entendida como correta, porém o problema encontra-se em definir o que é bom e para quem é bom. Segundo Vázquez (2008, p.18)
Muitas teorias éticas organizaram-se em torno da definição do bom, na suposição de que, se soubermos determinar o que é, poderemos saber o que devemos fazer ou não fazer. As respostas sobre o que é bom variam, evidentemente, de uma teoria para outra: para uns, o bom é a felicidade ou o prazer; para outros, o útil, o poder, a autocriação do ser humano, etc.

O que vemos aqui é que os problemas éticos se caracterizam pela sua generalidade. E para podermos falar dos problemas éticos em nosso cotidiano necessitamos refletir sobre os nossos problemas morais, que são esses que se apresentam de forma concreta. Entretanto, não podemos confundir a ética e a moral. Vázquez (2008, p. 22) nos diz que “A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Ou seja, é ciência de uma forma específica de comportamento humano.” Podemos entender que, a grosso modo, a ética é “normativa” indiretamente em uma dimensão universal e por outro lado a moral oferece orientação nos dizendo em determinadas situações o que é certo, errado, o que pode e o que não pode. É importante salientar que a ética nunca é neutra, mas não se identifica a nenhum código. A ética é crítica. Enquanto a moral pergunta o que devemos fazer? A ética reflete por que devemos fazer?
O problema exposto no início deste texto sobre o fazer publicitário, de uma forma genérica e sem entrar em suas especificidades, no ato de manipular símbolos na intenção de alterar a percepção de um determinado grupo de pessoas sobre algo ou alguém abre um importante campo para o debate sobre ética na comunicação. Porém, falar de ética em nosso cotidiano, trabalho e especialmente na comunicação é sempre um desafio, cheio de riscos e dificuldades. Manipular símbolos para modificar a percepção de um determinado grupo de pessoas sobre um produto ou serviço não se caracteriza necessariamente como algo falso, desonesto, ruim ou, em suma, antiético. Pesar as possíveis consequências, para além do resultado econômico funcional, identificando o impacto social de tais ações é o que importa na aplicação ética na comunicação.
Os processos de subjetivação do sujeito se dão em todos os espaços da sociedade e a mídia é apenas um deles. Estes espaços[1], de subjetivação do sujeito, são responsáveis pelo processo de significação de valores.
No que diz respeito à publicidade, pode-se dizer que há muito tempo o mercado publicitário aprendeu que a qualidade não é necessariamente o fator determinante na compra ou aquisição de um produto ou serviço e sim, aliado a isto ou não, o seu valor estético e simbólico. Este “hemisfério” de valor, que está no campo da subjetividade, é responsável por uma ideia de significação do indivíduo na sociedade. Que o indivíduo seja significante, isso ele próprio nos ensina com sua mera presença. Desde sua vizinhança e em sua singularidade, ele significa a sua relação com o mundo e com tudo o que se pode oferecer como não sendo ele: as coisas e os outros. E é esta relação que importa observar.
Enfim, o que podemos apreender em linhas gerais de todas as teorias éticas apresentadas por Vázquez (2008) é que o indivíduo como tal só existe em sociedade, ou seja, na sua relação com os outros e as coisas. Sendo assim, todos os nossos atos refletem com maior ou menor grau na sociedade e nos outros. O nosso agir moral visa alcançar resultados e por mais dignos que sejam tais resultados devemos lembrar que nem sempre os fins justificam os meios. Pois toda ação implica em desdobramentos e consequências no indivíduo e na sociedade. O ato moral pressupõe uma constituição de juízo de valor que deve ser atribuído a ação. Esta quando executada por sujeitos de forma livre, consciente e voluntária pode ser avaliada pela responsabilidade moral. Porém, qualquer elemento que faça com que o ato não seja livre e voluntário como por coação do indivíduo ou o simples fato da ignorância deste permitem eximir o sujeito da responsabilidade moral.
O aspecto de valor no ato moral pressupõe sempre um entendimento de “bom” e “ruim”. E ao definir o “bom” encontramos algumas diferenças nas teorias éticas. Apesar de estas teorias terem em comum a busca pela felicidade como fim desejado os meios para alcançá-la diferem entre si: no Hedonismo o bom ou a felicidade é encontrado através do prazer duradouro; já no Formalismo kantiano, Kant entende que não existe bem e nem mau e sim o dever e a felicidade está no valor do dever cumprido; e no Utilitarismo encontramos uma desvalorização do indivíduo, pois o valor está na utilidade do sujeito para a sociedade.
Uma conduta ética é o que se espera de toda e qualquer sociedade justa e promissora. Essa mesma postura ética é o que esperamos encontrar nos espaços profissionais e sociais que frequentamos. Talvez isso não passe de um simples ideal utópico. Uma sociedade no plano das ideias. Mas, a verdade é quanto mais olhamos para a conduta humana através do indivíduo vivendo em sociedade identificamos uma necessidade cada vez mais latente de se falar em ética.
Vivemos em um momento peculiar na história da humanidade onde a comunicação tem uma centralidade em uma sociedade que podemos chamar de global mesmo com todas as suas variações culturais. E hoje, particularmente no Brasil, para falar de ética devemos começar pela falta de ética. Pois, vivemos em um país onde a impunidade, a corrupção, a burocracia que é vivenciada e noticiada todos os dias acabam vandalizando o espírito da sociedade e dos indivíduos. É por isso que podemos e devemos falar de ética e moral, neste instante e neste local precisos. 




Referências Bibliográficas

MILLIDGE, Gary Spencer. Alan Moore: o mago das histórias. São Paulo: Mythos Editora, 2012.
VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.



[1] Não tenho como intenção discorrer sobre estes espaços no presente trabalho. Porém, penso ser importante citá-los uma vez que contribuem com a constituição dos sujeitos, suas escolhas, formas de vida. Constituímo-nos enquanto sujeitos a partir de questões sociais, econômicas, políticas, relações de classe, raça, etnia, gênero, constituições familiares, dentre outras.

Annie Leibovitz: A Vida Através das Lentes



O que é uma resenha? Esta não é uma boa pergunta. Afinal de contas todos nós sabemos o que é uma resenha. Sim e não. Uma resenha é a abordagem que o redator faz sobre um determinado objeto analisado por ele, onde são descritos e enumerados aspectos considerados relevantes na intenção de apresentar este objeto para outros que possivelmente não o conheçam. Mas, o que tudo isto tem haver com o documentário Annie Leibovitz: a vida através das lentes? Na verdade é isto que pretendo explicar.



Ao assistir este documentário, em sala de aula, muitas perguntas se desenharam mentalmente ao longo da exibição. Para descrever algo a outros é necessário ter visto este algo. Porém, ver não pressupõe ter algo a dizer. Pois, percepção requer envolvimento. Mas, por hora deixarei para abordar este aspecto mais adiante no texto.
O documentário trata da vida e obra de Annie Leibovitz, uma das mais famosas fotógrafas de nosso tempo, responsável pelas inimagináveis capas da revista Rolling Stone. Uma celebridade das celebridades. Leibovitz é conhecida por retratar grandes artistas e celebridades de uma forma peculiar e única. Porém, este documentário extrapola as discussões sobre o glamour e a riqueza do mundo das estrelas e da moda. A vida através das lentes de Annie Leibovitz aborda a história de uma artista que se confunde com a sua própria arte, a arte de fotografar. Neste filme nós temos uma incontestável aula de fotografia que nos possibilita uma reflexão sobre o fazer fotográfico.
Ao longo do documentário começamos a conhecer o trabalho de uma então jovem fotógrafa e junto com ela vamos conhecendo a história de uma das maiores revistas de música e cultura popular de todos os tempos a Rolling Stone. É praticamente impossível falar de uma sem mencionar a outra. A Rolling Stone e o trabalho de Leibovitz nascem em um contexto único vivido nos anos 60 nos Estados Unidos e na Europa.
Algum desavisado pode torcer levemente o nariz e entender que o trabalho de Leibovitz é fútil e completamente comercial. Afinal, ela fez sua fama fotografando pessoas famosas. Neste momento temos que parar e perceber um importante fato daquele momento histórico que foi chamado de Contracultura. Todo o trabalho, tanto da revista Rolling Stone como o de Leibovitz, era vinculado a este movimento ideológico da contracultura. Esta cultura underground tinha um estilo de mobilização e contestação social voltando-se mais para o anti-social das famílias mais conservadoras e do modo tradicional e discriminatório da cultura ocidental. Tudo em nome de um espírito mais libertário. Deste modo, o que eles abordavam foi na contramão do que era produzido comercialmente na época. E esta proposta de transformação da consciência através da mudança de atitude com novos valores de comportamento é visível e, digo mais, inconfundível nas primeiras fotografias de Leibovitz.
Outro ponto que chama muito a atenção é a diversidade do trabalho da fotógrafa. A maioria dos artistas, após encontrar o seu estilo próprio, acaba por permanecer neste estilo único até o final de suas carreiras. Pois, a sua arte é a sua assinatura e jamais poderá ser diferente. É um pensamento digno, mas pouco ousado. Contudo, Leibovitz nos oferece uma vasta diversidade de material começando pelos bastidores de grandes ícones da música passando posteriormente pelo glamour e intimidade das grandes estrelas de Hollywood, peças publicitárias, o vasto e sempre em transformação mundo da moda até os horrores da guerra em Sarajevo.
O documentário mostra a pessoa por trás das lentes em momentos de grande emoção da artista ao relembrar acontecimentos marcantes de sua vida. Os depoimentos de grandes personalidades que foram “capturadas” pelas lentes de Leibovitz oferecem outro olhar sobre a fotógrafa e sua obra.
Do ideológico ao comercial e da ficção a realidade sempre encontramos uma forma diferente de interagir frente ao trabalho de Leibovitz. Como uma “cronista” das imagens ela nos conta histórias e estórias através de suas fotografias. Mesmo quando preocupada com a função social da sua fotografia, na guerra de Sarajevo, ela consegue mostrar poesia no trágico e como diria Eco nos dá uma bela reprodução do feio.
Acima de tudo, o olhar do fotógrafo é sempre um olhar endereçado. Toda a representação por mais elaborada e sofisticada que seja só terá sentido a partir do olhar do outro. Mais importante do que o artista quis dizer com a obra é o que eu posso dizer sobre aquela obra, pois só desta forma haverá a interação. As experiências de vida e o contexto social e cultural de cada indivíduo determinarão o diálogo possível entre aquilo que ele viu e aquilo que ele é capaz de dizer sobre o que foi visto.
Falar sobre fotografia é sempre um desafio principalmente quando entramos na subjetividade do fazer fotografia. Mais do que uma representação técnica que poderíamos esperar de um documentário sobre fotografia temos aqui uma síntese de uma artista e sua arte. A partir dos caminhos apontados e escolhidos por Leibovitz podemos fazer múltiplos questionamentos sobre as funções da fotografia e da profissão do fotógrafo. Estas questões fazem deste documentário algo que merece ser assistido.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Alta Acqua Libreria


Sem sombra de dúvidas Veneza é parada obrigatória para todos que desejam uma experiência única de aromas, sabores e sensações que só a Itália sabe nos oferecer. E para os amantes de livros (e livrarias) a cidade reserva um lugar único que nos inspira uma nova experiência. Livros e água são duas coisas que não combinam, mas em Veneza tudo pode acontecer. Na Livraria Acqua Alta nós encontramos livros e água (muita água) combinados em uma harmonia que se confunde com o charme da cidade.


 








quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Livros versus E-books

Muito bom este vídeo da Editora Intrínseca sobre as vantagens e desvantagens de livros versus e-books. No final o importante é o prazer da leitura...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Lápiz Japonés




Um material interessante que circulou nos anos 90 foi a Revista Argentina “Lápiz Japonés (1993)” que agora, em 2013, completou vinte anos de sua primeira publicação. Os quatro e únicos volumes editados fizeram história na capital argentina como uma importante referência nos quadrinhos de humor. Estas revistas hoje são verdadeiras raridades, mas ainda é possível encontrar algumas destas edições para venda na internet em sites de livre comércio. O material se caracterizava como uma publicação anual e inteiramente independente para leitores, cujo tema era o humor corrosivo e experimental, alternando com arte gráfica, quadrinhos convencionais e artigos polêmicos.


A revista foi fortemente influenciada, dentre outros expoentes, pelo romance gráfico “MAUS (1980)” produzido pelo estadunidense Art Spiegelman que narra a luta de seu pai, um judeu polonês, para sobreviver ao Holocausto. A partir destas características revolucionárias a revista se tornou fundadora de um tipo de “coletivo” da arte gráfica marginal na Argentina dos anos 90 encabeçados por artistas importantes como Sergio Langer (1959), Diego Bianchi (1963) e Elenio Pico (1960). 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Halloween

Halloween, 31 de outubro. Feliz dia das bruxas ao som de "The Citizens of Halloween"!!!

This is halloween by The Citizens Of Halloween on Grooveshark

Algumas dicas de leitura para este dia de Halloween. Confira na imagem:


Livros Antigos

Algumas pessoas não entendem a admiração que tenho por livros usados e principalmente os antigos. É que estes exemplares, com o tempo, se tornam únicos. Eles deixam de ser um produto de série para agregarem marcas que vão personificando cada exemplar de uma forma diferente. Cada vez que um livro é lido ele se transforma um pouco... A ação humana que encontramos nos livros permite que estes exemplares nos contem outras histórias para além daquela que o título nos indica...


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Raça da Noite de Clive Barker

Boone é um sujeito que não consegue achar seu lugar no mundo. Acusado por uma série de homicídios, ele encontra refúgio em Mídian, uma cidade subterrânea habitada por mutantes sobrenaturais que sobreviveram à inquisição.  O criador de Hellraiserfoge de suas novelas gótico-sexuais para criar uma trama curta, simples e objetiva. A força do romance está nas aberrações descritas por Barker, que, nas próprias palavras do autor, “fez uma celebração aos monstros”. Existe um péssimo filme e uma série em quadrinhos, ambos lançados no Brasil.

por Gabriel Réquiem



As Capas de Dragões de Éter

Confiram as capas da trilogia Dragões de Éter, publicado pela Leya, do autor Raphael Draccon, feitas pelo Marc Simonetti, o mesmo que desenhou as capas da série As Crônicas de Gelo e Fogo.