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quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Claymore

Hoje irei postar aqui a sinopse de uma animação japonesa que é uma boa pedida para qualquer fã de Fantasia Medieval. Esta animação chama-se Claymore, que é baseado no mangá (História em Quadrinhos japonesa), de mesmo nome, de Yagi Norihiro. O anime foi produzido neste ano, em abril de 2007, pelo estúdio Madhouse e encontra-se em exibição. A animação pode ser encontrada (entre outras) para Download no Site Animes Shade. O link da página está aqui.

Até o momento o anime está se desenvolvendo muito bem e como ainda está em exibição não colocarei uma nota. Maiores informações sobre como baixar o anime você encontrará no Site Animes Shade.
O nome Claymore vem das espadas gigantescas usadas pelas guerreiras: Claymore é o legitimo espadão escocês do século XV, que possui gume duplo e é manejada com as duas mãos, impedindo o guerreiro de utilizar um escudo. A palavra Claymore vem do gaélico antigo (claidheamohmor), e significa espadão. A Claymore é um tipo de espada montante, porém mais leve.
O tamanho da espada Claymore é variável. Geralmente, possui o tamanho aproximado da altura do guerreiro que a empunha e, por este motivo, deve ser feita sobre encomenda.
O guarda mão, em forma de cruz, á ligeiramente voltado para a ponta da espada e tem as estremidades ornadas com três, ou quatro pequenas argolas.
O punho era feito de madeira e o pomo tinha forma arredondada.

Sinopse

Em um mundo medieval, desde épocas remotas, pessoas tinham suas vísceras devoradas por criaturas chamadas "youma". Estas criaturas, que vêem os humanos como fonte de alimento, possuem poderes sobre-humanos e dentre eles a capacidade de assumir a forma de qualquer pessoa que encontrarem. Desta forma elas acabam se infiltrando nas cidades e vilarejos. Ao assumir a forma de alguma de suas vitimas tomam o lugar dessa na sociedade e sem serem descobertas, ficam a vontade, fazendo destes lugares o seu território de predação. Com isso, criam um clima de desconfiança entre as pessoas, pois qualquer um pode ser o monstro. Por um longo tempo estas pessoas viveram sem um meio de lutar contra estas criaturas. Entretanto, surge uma estranha organização que através de um grupo de mulheres guerreiras, meio-humanas e meio-youmas, conhecidas como "Claymore" vem exterminando tais seres. Em troca, a cidade ou vilarejo paga à organização pelos serviços prestados para a comunidade. As “Claymores” são mulheres com olhos prateados que podem ver a verdadeira forma dos "youmas". Além de possuírem poderes sobre-humanos como força, velocidade e agilidade (bem acima do normal) usam, como arma, uma grande espada para eliminarem os seres que as pessoas nomearam de "youmas". Entretanto, essas mulheres pagam um preço muito alto e terrível por possuírem estas habilidades.

O Anime

A heroína Claire, durante a sua infância, é salva de um pequeno bando de bandidos por Teresa, a mais poderosa das Claymores. Para salvá-la, Teresa quebra o código da organização responsável pela existência das Claymores e acaba matando um humano, mesmo sendo um bandido, as regras são claras: se uma Claymore matar um humano ela é punida com a morte. Devido a isso, Teresa é perseguida até ser morta pela guerreira Priscilla. Inconformada com a morte injusta de Teresa, Claire resolve suceder a guerreira tornando-se uma Claymore na esperança de vingar a morte prematura de sua protetora.
A história segue as aventuras da Claymore Claire e sua luta contra as criaturas Youmas. Na esperança de vingar a morte de Teresa, Claire trava uma luta ainda maior do que a própria batalha entre as guerreiras Claymores e as criaturas Youmas: sua luta interna para manter sua humanidade até alcançar seu maior objetivo. Com sua determinação e seu inesperado amigo humano Raki ao seu lado, Claire supera seu baixo poder demoníaco, e aprimorando suas habilidades torna-se uma lutadora cada vez mais forte.
Aparentemente o anime é bem fiel ao mangá de Norihiro Yagi-sensei, com pequenas divergências em alguns pontos, e com lutas mais curtas. A série que começou a ser publicada mensalmente na Shonen Jump em maio de 2001, conta com atuais 12 volumes, e ainda está sendo publicada.

Nota: 10 - Em Exibição

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Claymore.com - Site oficial do anime
Claymore mangá - Site oficial do mangá

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Comédia sem Graça

No dia 11/10/2007 (quinta-feira) no Instituto de Educação Estadual Rubén Darío em Sapucaia do Sul ocorrerá a apresentação da peça teatral Comédia sem Graça de Leandro Coimbra. O espetáculo comemora os três anos do grupo teatral Velho do Saco.
Com novos atores no elenco e direção de Daniel Cunha a peça ganha uma roupagem inteiramente nova tendo em mente a (re)invenção do teatro universitário. A partir de investigações em diversas linguagens cênicas, a trupe permaneceu experimentando, através de interferências em atos e manifestações, um conceito de teatro de rua e suas implicações na relação público-ator e encenação.
Nestes três anos realizou encenações para adultos e crianças sempre na rua e em espaços alternativos. Usou diversas linguagens do realismo ao clown, pesquisou Brecht e Stanislavski, utilizando a música como ferramenta essencial à narrativa dramática.
Com este espetáculo a trupe pretende viabilizar o acesso de uma significativa quantidade de pessoas à (re)leitura do teatro universitário, que será encenado nas Escolas da região e espaços alternativos.
O grupo busca também a formação de novos públicos, proporcionando lazer e prazer ao cidadão dito comum, que raramente tem acesso ao divertimento e a informação.
Na construção do texto o autor leva em consideração que a mídia aborda diariamente temas transversais polêmicos, dentre os quais muitos são frutos de uma herança austera oriunda da política de colonização.
Neste contexto, a distribuição da terra surge como um debate constante entre os mais diversos meios sociais.
Com a intenção de propor uma reflexão sobre essa problemática, presente em todo o território brasileiro o grupo traz à cena Belarmino (Ricardo rosa) e Zé do Canto (André Qxo): dois cantadores nordestinos e mentirosos que encantam o público com simpatia, irreverência e histórias absurdas.
Estes dois tipos encantadores e divertidos iniciam e encerram o espetáculo que mostra o conflito entre o Retirante (Leandro Coimbra) e o Latifundiário (Zé Roberto). Aquele quer um pedacinho de terra deste, que não quer ceder um só canto do que é seu. Ambos travam uma batalha de argumentos pelo que julgam ser justo para si. No entanto, o final da história reserva um desenlace que vai além das palavras.
As apresentações ocorrerão no CTG da Escola, nos três turnos, às 10h e 15min., 15h e 15min. e 20h 15min. O trabalho faz parte do Projeto Teatro na Escola, desenvolvido pela trupe, que tem como um de seus objetivos estar viabilizando aos estudantes a oportunidade de acesso a um trabalho cênico de qualidade realizado na própria Escola e por um preço que condiz com a realidade da maioria dessas crianças e adolescentes.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Caipora

Bom “quem é vivo sempre aparece” diz o ditado. Mas, o fato é que neste último tempo estive, e ainda estou, envolvido na criação e produção de alguns trabalhos teatrais. A partir de uma pesquisa que estava fazendo sobre o folclore nacional acabei escrevendo uma peça teatral, de gênero sertanejo, inspirada nos contos populares do norte e nordeste do país (Os Enganadores).
Neste processo acabei aceitando o convite para escrever uma peça sobre o meio ambiente. Como tinha acabado de escrever um trabalho baseado na cultura popular sertaneja e vinha já a um longo tempo pesquisando os mitos e contos populares de nosso país, resolvi direcionar o trabalho para a cultura popular do Rio Grande do Sul.
Então mais uma vez vou enterrando-me em livros e mais livros, bibliotecas e mais bibliotecas para pesquisar a cultura oral gaúcha. Estudando a termologia e o “dialeto” gaúcho para compor as falas dos personagens. O texto ainda está em construção. Porém, já está repleto de referencias as obras de Simões Lopes Neto, sem perder de vista o seu primeiro objetivo que é o meio ambiente. O nome da peça (provisório) é “Caipora e o Meio Ambiente: um causo gaudério”.
E como a pesquisa faz parte do processo de criação irei publicar aqui alguns dados pesquisados sobre este personagem, o Caipora, da nossa cultura.

No imaginário popular em diferentes regiões do País, a figura do Caipora está intimamente associada à vida da floresta. Ele é o guardião da vida animal. Apronta toda sorte de ciladas para o caçador, sobretudo aquele que abate animais além de suas necessidades. Afugenta as presas, espanca os cães farejadores, e desorienta o caçador simulando os ruídos dos animais da mata. Assobia, estala os galhos e assim dá falsas pistas fazendo com que ele se perca no meio do mato. Mas, de acordo com a crença popular é, sobretudo, nas sextas-feiras, nos domingos e dias santos, quando não se deve sair para a caça, que a sua atividade se intensifica. Mas há um meio de driblá-lo. O Caipora aprecia o fumo. Assim, reza o costume que, antes de sair numa noite de quinta-feira para caçar no mato, deve-se deixar fumo de corda no tronco de uma árvore e dizer: "Toma, Caipora, deixa eu ir embora". A boa sorte de um caçador é atribuída também aos presentes que ele oferece. Assim, por sua vez, os homens encontram um meio de conseguir seduzir esse ente fantástico. Mas, o fracasso na empreitada é atribuído aos ardis da entidade. No sertão do Nordeste, também é comum dizer que alguém está com o Caipora quando atravessa uma fase de empreendimentos mal sucedidos, e de infelicidade.
Há muitas maneiras de descrever afigura que amedronta os homens e que, parece, coloca freios em seus apetites descontrolados pelos animais. Pode ser um pequeno caboclo, com um olho no meio da testa, cocho e que atravessa a mata montado num porco selvagem; um índio de baixa estatura, ágil; um homem peludo, com vasta cabeleira.

As histórias acima fazem parte de um vastíssimo conjunto de nossas tradições populares, que desde o século XIX são alvo de intenso interesse e controvérsias entre antropólogos e estudiosos em geral. Uma das primeiras questões que aguçam a curiosidade é a de saber sobre a origem, embora muitas vezes os elementos estejam tão mesclados e se transformaram de tal forma que fica impossível localizar a fonte original. Indicar hipotética fonte, o que se faz sacrificando o conjunto da narrativa, pouco esclarece sobre as adaptações que sofre no tempo e no espaço, quando migra de uma região para outra e recebe novas influências. De fato, no caso, tanto o termo Mboitatá como Caapora denunciam a tradição indígena.
Mas as escavações para buscar a origem não dão conta de alguns aspectos bastante interessantes. Um deles é perceber que essas, como tantas outras histórias, são narradas em determinadas situações: que situações são essas; quem conta para quem? Será que mesmo na região onde, em princípio, estariam mais arraigadas elas seriam compartilhadas da mesma maneira por todos os habitantes? Não se deve esquecer também que essas narrativas impõem, para os que nela acreditam, certas atitudes e revelam certos sentimentos em relação aos perigos da floresta; elas também costumam servir de justificativas, como é ocaso de um caçador mal sucedido, que pode atribuir a má sorte ao fato de ter deparado com o Caipora.
Em regiões onde prevalece a transmissão oral essas histórias desempenham um papel bastante importante na socialização. Contar e ouvir "causos" é uma atividade lúdica, para passar o tempo livre. Na recreação, os indivíduos vão incorporando os valores do grupo em que vivem, e assim aprendem como proceder quando saem, por exemplo, para caçar. Na história do Caipora é inculcada a idéia de que se deve estabelecer limites no abate as presas, e que em dias santos ou sextas-feiras deve-se evitar a floresta. Outras histórias como a da Cuca, nosso papão do universo infantil, ensina que as crianças devem ir cedo para a cama sem fazer traquinagens antes de dormir. Mas o papel da história contada num grupo de seringueiros ou num grupo de pescadores, sobretudo quando não tem muito contato com a vida na cidade, é distinto do papel dessas mesmas histórias na vida de crianças de classe média que ouviam as histórias de sua babá ou de adultos letrados que as ouvem das fontes nativas, dos pais, das instituições de ensino e da indústria cultural e participariam assim simultaneamente da cultura do povo e da cultura erudita. Mas, mesmo numa mesma região, é possível encontrar ausência de consenso quanto à crença em seres fabulosos. Foi o que ocorreu com o antropólogo Eduardo Galvão, quando esteve, em 1948, numa região do baixo Amazonas. Ao recolher relatos sobre seres sobrenaturais, encontrou tanto depoimentos crédulos, sobretudo de seringueiros e de pescadores, que faziam descrições detalhadas de seus encontros com seres sobrenaturais, quanto a opiniões céticas de moradores que se referiam à crença no Curupira como "abusão de gente mais velha". Ou comentavam: "são apenas lendas". Obteve um relato de um habitante que dizia acreditar no Curupira, embora jamais tivesse tido uma experiência de ordem pessoal com o ente, pois narrava as histórias que lhe foram contadas pelo avô.
Fatos como o descrito acima por Galvão, em Santos e Visagens, indicam que as mesmas histórias são partilhadas pelo povo brasileiro de maneira diferente, numa mesma época ou em épocas e gerações diferentes. Entretanto, pode-se lembrar que essas tradições populares são muitas vezes reivindicadas como um meio de revelar todos os brasileiros ou de identificar o modo de ser, pensar e agir de uma região do país. Seguindo uma tradição que, de acordo com Peter Burke, tem início no final do século XVIII na Europa. Afonso Arinos. em Lendas e Tradições Brasileiras, vê na descoberta da cultura popular a existência de "um opulento tesouro esquecido". E acrescenta: "Explorai-o, colhei a mancheias, que tocareis na fonte verdadeira da vida de nossa raça e ela repetirá convosco o milagre de Fausto". Embora se possa relativizar o tom ufanístico excessivo do escritor mineiro, não resta dúvida de que vários escritores brasileiros da modernidade, como é o caso de Mário de Andrade (Macunaíma), Raul Bopp (Cobra Norato) e Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas), para mencionar alguns dos mais importantes, estiveram sempre muito atentos às tradições populares brasileiras, o que revela que essas tradições migram e são incorporadas pela cultura erudita.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Palavreado e mais Palavreado


Palavreado e mais Palavreado é o mais recente trabalho cênico realizado pelo ator e diretor Tchakaruga de Paranaguá. O texto, que é uma livre adaptação da obra de Luis Fernando Veríssimo, traz um belíssimo jogo literário onde o autor literalmente brinca com as palavras.
O trabalho é mais uma realização do projeto Teatro Barato que vem atuando junto à comunidade com oficinas ministradas pelo próprio Tchakaruga.
A peça será realizada no dia 1º de setembro (sábado) às 20h na FGB (Fundação Cultural Gema Brasil) que fica na Rua São Caetano nº. 53, centro –São Leopoldo– Em frente à estação São Leopoldo do Metrô. Os ingressos serão vendidos no local por R$ 5,00 (cinco reais) e + 1 kg de alimento não perecível.
Fica aqui o convite para aqueles que puderem prestigiar mais este trabalho cênico produzido em nossa região.

Mais informações podem ser encontradas no site oficial da peça ou no blog Produto Cultural do próprio ator.




Tchakaruga de Paranaguá atua no teatro a mais de 15 (quinze) anos como ator. Nesta jornada já assinou a direção e produção de mais uma dezena de peças. Atualmente mora em São Leopoldo onde trabalha como produtor cultural realizando eventos culturais como Sarau Cultural, evento já bem conhecido pela comunidade capilé, e o MPL (Música Popular Leopoldense).

terça-feira, 31 de julho de 2007

Oficina de Comunicação

Oficina de Comunicação Comunitária Gratuita em São Leopoldo

Onde? Fundação Gema Brasil (ao lado da estação São Leopoldo de trem)

Quando? Todas as 5ª feiras das 14 às 16h (início 02 de agosto)

Qual a idéia? Problematizar a forma como a mídia produz a subjetividade dos cidadãos e suas comunidades para buscar desenvolvimento do senso crítico, o aumento da bagagem de cultura e espírito de grupo; oportunizando, que se criem meios de comunicação independentes, populares e descentralizados - como os jornais, fanzines, rádios comunitárias ou outros meios.

Objetivos:
-Potencializar questionamentos acerca da mídia no cotidiano de suas vidas, da comunidade em que estão inseridas e da sociedade em geral.
-Possibilitar um espaço de reflexão, problematização e conscientização de valores já cristalizados pela nossa sociedade.
-Utilizar o grupo como meio, para assim, trabalhar valores como: cidadania, respeito, integração, trabalho coletivo, etc.
-Resgatar raízes, história, valores, cultura e identidade dos integrantes.
-Fortalecer a autonomia do grupo, desenvolvendo propriedade de solucionar seus próprios problemas através de um espírito comunitário.
-Valorizar a cultura, inclusive como ambiente próprio de educação, na perspectiva da criatividade de sua expressão, com ampla liberdade de manifestação.
-Possibilitar a criação de um meio de comunicação e integração da comunidade, através da construção de um jornal comunitário, fanzine, vídeos ou outros meios.
-Contribuir para a descentralização da cultura e dos meios de comunicação.

Anamaria Brasil
9237.8978
anamariabm@yahoo.com.br

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Anos 80 II

Quando os primeiros desenhos animados japoneses (animes) desembarcaram no Brasil, ninguém entendia por que os personagens tinham olhos tão abertos. Nem porque suas histórias eram tão criativas e, ao mesmo tempo, tão próximas da realidade. Aos poucos, porém, eles arrebataram um público fiel, que ficava paralisado em frente à TV, torcendo, rindo e até chorando com o enredo hipnotizante de cada aventura. Aqui, através do meu mais novo colaborador que atende pelo nome de Gatonn, você relembra um pouco da história de um desses sucessos que marcaram a infância de varias gerações. E sendo um pouco mais especifico: a geração dos anos 80, a qual eu faço parte e certamente tive o privilégio de assistir a mais esse anime. Porém, antes quero fazer uma pequena introdução ao artigo do Gatonn:
No início dos anos 70, a televisão brasileira começou a exibir seus primeiros programas em cores. Entre algumas novelas, transmissões esportivas, e várias atrações que eram a última moda para o público da época, os telespectadores viram, pela primeira vez, desenhos animados que em nada se pareciam com os da Disney ou da Hanna Barbera, com os quais estavam acostumados. Foi uma revolução em termos estéticos: histórias futuristas, com narrativas complexas, extremamente bem costuradas faziam das tramas americanas as mais tolas das fábulas infantis. E mais do que tudo, aqueles olhos enormes, que despejavam lágrimas ainda maiores, eram inéditos para o público. Quem não se lembra da princesa Saphire, de Speed Racer e de Fantomas, o guerreiro da justiça? Ou dos infantis Guzula e Super Dínamo? E de cenas que ficaram guardadas em algum lugar da memória, permeadas por bordões do tipo “ele se julgava o demolidor”, de Savamu, ou pelos clássicos temas de abertura, como “go Speed Racer, go Speed Racer, go”. Eles foram os pioneiros de uma cultura que atende pelo nome de anime (do inglês animation) e que faz parte do cotidiano de fãs por todo o mundo. Nas décadas seguintes, mais desenhos surgiram, tomando conta da programação das emissoras brasileiras. Alguns viraram fenômenos só no final dos anos 80 (como Sailor Moon e Cavaleiros do Zodíaco) e mantiveram a mania no ar, conquistando cada vez mais o público.
A animação japonesa já faz parte do dia-a-dia de milhares de brasileiros, de todas as idades, há mais ou menos 30 anos, quando os primeiros desenhos foram exibidos no país. O Brasil foi, ao lado dos Estados Unidos, um dos países onde a mania do anime se disseminou. As opiniões são as mais variadas e qualquer classificação sempre parecerá parcial, mas há um certo consenso em afirmar que Speed Racer, Patrulha Estelar e Cavaleiros do Zodíaco, são os animes mais importantes das décadas de 70, 80 e 90, respectivamente. Contudo, o nosso amigo e colaborador Gatonn diz que devemos acrescentar o famoso e inesquecível Macross na lista de mais importante na década de 80.
Bom, no mais era isso. Que o nosso novo colaborador Gatonn seja bem vindo e uma boa leitura a todos.

Daniel Cunha

MACROSS

Em 03/10/1982, foi exibido no Japão o primeiro capítulo deste mega-hit. Em Macross contava-se a história de uma enorme nave alienígena que caíra na Terra. Temendo uma invasão extraterrestre, os governos da Terra Unem-se e formam uma força única de defesa, a U.N. Spacy. Dez anos depois, surgem os Zentraedis caçando a nave desaparecida, e ao encontrá-la “crescem o olho” sobre a Terra.
Assim começou uma inesquecível saga com batalhas emocionantes, uma trilha sonora satisfatória e um belo romance tipicamente comum nas animações japonesas que ficava por conta de Ichijo Hikaru, piloto de caça, a Capitã Misa Hayase e a cantora Linn Minmay, formando assim o clássico “triangulo amoroso”.
Mas nem tudo é um mar de rosas. Macross foi para os Estados Unidos e virou baderna...

ROBOTECH: A BADERNA COMEÇA!

Os americanos zoaram o barraco. A série foi rebatizada com Robotech, e os nomes dos personagens foram, também, alterados. Até aí...
Quando foi exibida nos EUA (Estados Unidos), Macross também foi sucesso. Mas, a série acabava no episódio 36 e o povo gringo pedia mais! Aí entrou um lance:
A representante da marca Robotech nos EUA comprou mais duas séries de robôs. Mospeada e Southern Cross e juntou tudo num “balaio”. Mospeada virou Robotech II e Southern Cross, por sua vez, virou Robotech Masters! E o roteiro foi todo escrito novamente!
Mas Robotech/Macross arrebatou uma legião de fãs onde foi exibida, e firmou de vez no povo gringo o gosto pela animação japonesa. E Robotech pode ser considerado, juntamente com Patrulha Estelar, como o “detonador” da “Mangamania” nos EUA.
Já no Brasil...

MACROSS E ROBOTECH, EXIBIDOS AO MESMO TEMPO!!!

Se lá foi um “rolo”, aqui então nem se fala! A primeira aparição de Macross no Brasil foi no longa metragem para cinema (MacrossA Batalha Final), que foi lançado em vídeo em 1988 pela Brazil Home Vídeo e depois mostrado pela extinta TV Manchete. Já o filho bastardo, Robotech, foi exibido na Globo nos anos 90. Pelo menos exibiram toda a parte referente ao Macross original, mas a segunda parte, saiu do ar pela metade, (aliais, o que é bem normal em se tratando da Rede Globo, recentemente em 2005 o anime Inu Yasha foi interrompido no episódio 31 de 151 mais ou menos) e ficou por isso mesmo. Um grande respeito pelo público...
Em vídeo, foram lançadas três fitas da série Robotech I (o Macross original), pela distribuidora Transvídeo. Todas estas fitas estão fora de catálogo! Se você achar, parabéns!
E para bagunçar ainda mais, o Macross original foi também exibido na TV com o nome de A Guerra nas Galáxias!
Primeiro, A Guerra nas Galáxias rodou o interior do Brasil, até ser exibido pela Record e a CNT. Tirando o título besta os nomes dos personagens originais e a trilha sonora foram mantidos, sendo assim, todas as musicas são cantadas por Mari Lijima, a dubladora oficial de Linn Minmay, e não por uma dubladora como foi no Brasil e nos EUA.
E, para completar a salada, foram lançadas no nosso mercado de vídeo duas fitas da série Robotech II, pela distribuidora Mundial, com a “continuação” do Macross, versão americana embromada. Não está 100%, mas é a única.
Cuidado! Se você não assistiu Macross, o original, você pode se embananar com a história, cheia de flashbacks do Macross original e meias-explicações. Mas, as cenas de combate compensam o desenho.
Percebeu o “suadouro”? Se quiser encarar, boa sorte. Você vai precisar!


Gatonn (pseud.)





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Gatonn é fã incondicional de animação japonesa (anime) e está prestes a desenvolver um blog sobre o assunto. Bom, enquanto ele não põe no ar o seu blog ficamos com suas colaborações no Café de Ícaro.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Labirinto do Fauno

Paz e guerra, inocência e perversidade, fantástico e o real, vida e morte. Reflexões filosóficas como essas nos trazem, em muitos momentos, certa carga de inquietude. Mas, certamente, são essenciais em nossas vidas. Portanto, ao encontrá-las na literatura é como degustar uma pequena parte de um banquete celeste. Raro é a oportunidade de encontrá-las em um filme.
O premiadíssimo filme mexicano O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno) lançado em 2006 reúne todas as características de uma grande obra. Através desse fantástico filme é possível confirmar ainda mais o talento do diretor Guillermo del Toro. Que trás tais reflexões para o cinema através de um conto de fadas para adultos.

Uma garota inocente de 10 anos, Ofelia (Ivana Baquero), imersa no imaginário mundo dos contos de fadas narrados em seus livros, e sua mãe Carmen (Ariadna Gil), mudam-se para uma região da Espanha onde ainda há combates da Guerra Civil Espanhola. Oficialmente, em 1944, a Guerra Civil já terminou, mas um grupo de rebeldes ainda luta nas montanhas ao norte de Navarra. Lá as espera seu novo padrasto, um oficial fascista que luta para exterminar os guerrilheiros da localidade. Solitária, a menina logo descobre a amizade de Mercedes (Maribel Verdú), jovem cozinheira da casa, que serve de contato secreto dos rebeldes. No jardim da mansão em que mora a garota encontra um labirinto, que faz com que todo um mundo de fantasias se abra, trazendo conseqüências para todos à sua volta. Dirigido por Guillermo del Toro (Hellboy) e com Sergi López, Federico Luppi e Maribel Verdú no elenco. Vencedor de 3 Oscars.
O que o diretor Guillermo del Toro conseguiu com esse longa é inacreditável. O filme é persuasivo, impactante, mágico. Não há maniqueísmo, ele leva com extrema competência narrativa o espectador a escolher o que é mais adequado a si mesmo, o filme é recheado de metáforas, e não deixem de prestar atenção extra a trilha que conduz majestosamente o filme, de Javier Navarrete. A despeito do que a sinopse possa nos passar, não é um filme para crianças. Mas, em minha opinião, é uma fábula em película; um poema melancólico em imagens; uma pequena obra-prima. Nada do que se possa dizer a respeito do filme será o suficiente para explicá-lo, no entanto, quem se dispor a vê-lo, deve se preparar para uma dose “cavalar” de desesperança e fantasia. Por mais ambíguo que isso possa parecer. Mas, afinal, o ser humano não o é?

Nota 10
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Link do Site Oficial do filme: Labirinto do Fauno

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Teatro Antigo

É fascinante e curioso o modo como a arqueologia olha para o passado a partir dos restos do trabalho humano (a cultura material) sob a ação do tempo, produzidos de forma desigual pela humanidade e resgatados parcialmente pela história. Graças a estes estudos podemos, hoje, entender um pouco de nossa história. Sendo assim não seria diferente com o teatro. Não só a arqueologia, mas a história em si nos possibilitou, que ainda hoje possamos conhecer e entender um pouco mais de algumas das muitas obras de tragediógrafos como Ésquilo, Sófocles e Eurípides dentre tantos outros. Obras estas que ainda hoje povoam nossos palcos por todo o mundo.
O teatro antigo nasceu e se desenvolveu dentro de duas das grandes civilizações antigas que conhecemos, a da Grécia (Hélade) e a de Roma. Porém, este teatro vai muito além, como muitos devem pensar, de uma simples representação e entretenimento. Sua história interessa a toda cultura ocidental, sobre a qual exerceu uma influência muito importante.
Influência esta, que se exerceu muito intensamente na vida moral das pessoas através dos séculos. O teatro foi um meio poderoso de ação, um veículo para difundir e impor idéias e mentalidades com eficácia e alcance maiores que os dos livros. E neste contexto, o teatro esteve como meio de expressão privilegiado nos dois grandes momentos da humanidade: na Antiguidade Clássica e no Renascimento europeu.
O teatro antigo é um complexo fenômeno literário e humano. Sua vida estendeu-se por um período muito longo, sobre a qual temos os primeiros registros datados do século VI a.C., ou mais precisamente, de 534 a.C., período este que se estende até as últimas obras dramáticas por nós conhecidas, as tragédias de Sêneca, escritas entre 45 e 60 depois de Cristo. Somente aqui, podemos constatar uma vida de, no mínimo, seis séculos. Não obstante, se considerarmos as possíveis obras desconhecidas, anteriores a 534 ou posteriores a Sêneca, o teatro antigo perdura por aproximadamente setecentos ou oitocentos anos.
Podemos dizer que o teatro originou-se, na Grécia, a partir de uma celebração religiosa ao deus Dionísio (Baco). Estas celebrações consistiam em declamações líricas apresentadas para o público por um coro, com acompanhamento musical. Declamações estas, que contavam os feitos de Dionísio e outros deuses e heróis que, em alguns momentos, se davam através de representações mimadas.
Como foi dito anteriormente, este teatro se desenvolveu dentro de duas das grandes civilizações antigas, com sistemas de sociedade muito diferentes, a de Atenas na Grécia e a de Roma. Desta forma, o teatro antigo teve como sua primeira língua o grego e posteriormente o latim. Teatro este, que é formado, essencialmente, por dois grandes tipos, a tragédia e a comédia. A tragédia é, na Grécia, o gênero mais aclamado, entretanto, os romanos posteriormente irão privilegiar mais a comédia em relação à tragédia.
Contudo, muitas vezes limitamos nosso conhecimento ao teatro literário, que foi conservado através dos séculos até nós pelos textos. Para conhecer o teatro antigo, além dos seus textos, no que diz respeito a sua interpretação, devemos ir além da obra escrita e recorrer a todas as informações possíveis que o possam complementar. Para tal, recorremos à arqueologia que com muita dificuldade e sempre com hipóteses inverificáveis, dentre elas o local do espetáculo, permite-nos entender um pouco de sua evolução, e nos traz, pelo menos em parte, informações sobre os meios materiais disponíveis através dos séculos.
Em suma, a história do teatro antigo divide-se em “zonas” obscuras e claras, entre as quais encontramos desde a penumbra até a obscuridade completa. Que bom seria se nós, historiadores, pudéssemos fazer tal o herói da lenda, que desce ao poço do Purgatório para enfrentar o algoz, derrotar as fraquezas pessoais e finalmente ser purificado, retornando para casa com a dádiva do fogo. Essa é a jornada de Prometeu. Nós, por outro lado, precisamos, com muita diligência e conhecimento, estudar as manifestações e as sociedades humanas na esperança de que com novas descobertas possamos lançar um pouco mais de luz na obscuridade de nossos passados mais recônditos.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Heródoto e Tucídides

(...) testemunhas oculares de vários eventos nem sempre faziam os mesmos relatos a respeito das mesmas coisas, mas variavam de acordo com suas simpatias por um lado ou pelo outro, ou de acordo com sua memória. (Tucídides apud Gagnebin 1997, p. 27)
Quando paramos em alguns momentos de nossas vidas para tentar relembrar de nossos passados, nossas infâncias, notamos que quanto mais distantes no tempo ficam tornam-se mais fragmentadas e difíceis de se obter alguma clareza. Deste modo acabamos, na medida em que (re)contamos essas histórias pessoais, (re)significando-as. Com isso não quero dizer que estas histórias não sejam “verdadeiras”, mas que elas são contadas diferentemente na medida em que o tempo passa. Assim, não ficaria difícil entender que uma história vivenciada por duas pessoas, dois amigos ou irmãos, por exemplo, são contadas com versões diferentes, num prazo de dez ou quinze anos, sendo que os dois há vivenciaram no mesmo tempo e espaço. Desta forma quero mostrar o quanto é difícil (senão impossível) esta tarefa de (re)construir “verdadeiramente” o passado, mesmo quando este está bem próximo de nós.
Neste texto pretendo trazer uma pequena reflexão sobre o que é a história. Segundo Veyne (1998) ela não é aquilo que os historiadores fazem, tampouco é um debate vão o de se saber se a história é uma ciência.
O fato é que todos temos uma idéia do que é a história hoje. Mas, o que fazem, realmente, os historiadores, de Tucídides a Max Weber ou Marc Bloch, quando saem de seus documentos e procedem à “síntese”? Ou melhor, como era feita a história por Heródoto e Tucídides no século V a.C.?
Neste trabalho proposto para o PA de História Antiga Clássica tentarei traçar alguns entendimentos que tive sobre o artigo O Início da História e as Lágrimas de Tucídides articulando uma comparação entre a história feita primeiramente por Heródoto e a feita, posteriormente, por Tucídides.
Antes de começar a falar sobre os textos de nossos primeiros “Historiadores”, é necessário que fique bem claro que a palavra “história” não existe (pelo menos não como a entendemos hoje). A palavra historiè, que Heródoto declara nas primeiras linhas de sua obra, não pode ser simplesmente traduzida por história. Ela remete à outra palavra grega: histôr, “aquele que viu, testemunhou”.
Heródoto privilegiava a palavra da testemunha, a sua própria ou a de terceiros, ou seja, aquilo que ele mesmo viu ou ouviu falar por outros. Esta investigação que tem como objetivo a verdade é baseada em “testemunhas oculares” bem interrogadas pelo historiador. Segundo Reis (2000, p. 12):

O poeta ouvia as musas; o historiador quer a “verdade” e interroga e ouve os que viram os fatos ou escreve sobre o que ele próprio viu. “Ver” é prioritário sobre o “ouvir dizer”. Diferente do mito e da poesia, o conhecimento histórico é escrito, o que permite a comparação, a correção de contradições, a incredulidade em relação ao fabuloso e maravilhoso. Conhecimento escrito do que foi visto, a história pretende dizer a verdade sobre o mundo dos homens. Ao contrário do mito, que é oral e impessoal, a história é escrita e pessoal. É o próprio historiador a garantia da verdade: a sua assinatura o torna responsável pelo que ele escreveu. Ele escreve na primeira pessoa e a “verdade histórica” confunde-se com sua assinatura.
Heródoto pesquisava e descrevia os “outros” (lídios, persas, babilônicos, massagetas, egípcios, citas, líbios...), ou seja, os “não gregos”. Seus primeiros quatro livros são dedicados à descrição destes povos, os cinco últimos são reservados à narrativa das próprias Guerras Médicas. Ele escrevia para impedir que aquilo que foi feito pelos homens, com o tempo, se apague da memória e para que as grandes e maravilhosas obras, feitas tanto pelos bárbaros (os outros), quanto pelos gregos, não cessem de ser renomadas.
Heródoto quer, sem dúvida, descrever verdadeiramente os outros povos, narrar com magnificência e entusiasmo os seus costumes, que são estranhos aos “olhos gregos” do autor, mas ele só consegue falar deles “em grego”, ou seja, com os sistemas e a lógica de compreensão de um grego. Assim, ao tentar entender o diferente, ele o transforma no “outro do mesmo” (Gagnebin, 1997). Desta forma o que estrutura os textos herodotianos é a lei da comparação entre gregos e bárbaros. Gagnebin (1997, p. 22) diz que:

(...) Conta-se que Heródoto leu, em 445 ou 444 a.C., o seu texto em voz alta ao povo ateniense reunido; transportados pelo entusiasmo, os cidadãos de Atenas lhe ofereceram um prêmio, como se fazia nos concursos de poesia trágica. Talvez uma das razões deste sucesso decorresse de Heródoto ter conseguido construir através da longa descrição dos povos bárbaros uma imagem convincente de “nós”, dos gregos, em particular dos atenienses. Observa-se: não uma imagem bela demais ou demagogicamente lisonjeira, mas a confrontação com o “outro” permite, por um jogo de espelhos, pintar um retrato do “mesmo” muito mais coerente e pleno do que teria feito uma simples reprodução dos seus traços; somente a mediação pelo outro permite esta auto-apreensão segura de si mesmo.

Diferentemente dos historiadores atuais, as análises de Hartog (apud Gagnebin, 1997), mostram uma vontade explícita de Heródoto marcar sua posição de narrador, a qual lembra incessantemente que a nossa informação só provém do seu saber. Além disso, ao narrar, Heródoto fala, às vezes, nos bárbaros e em “nós”, incluindo-se desta forma nos “nós”. Não obstante, ele também se vale de uma terceira pessoa ao narrar os gregos e os outros, uma pessoa que está em um lugar à parte, a igual distância dos bárbaros e dos gregos.
Muitas são as histórias que existem sobre Heródoto. Dentre elas há uma em especial que conta que ao ler trechos de sua obra num concurso literário deixou um jovem tão emocionado levando-o até as lágrimas. Este jovem era Tucídides. Se esta história é verdadeira ou não, de fato, isto não nos interessa. O que nos compete é saber quem foi Tucídides e como ele deu continuidade a sua obra a partir de Heródoto.
Antes de começar a falar de Tucídides, para uma melhor compreensão, se faz necessário pontuar alguns indícios. Estes dois “historiadores” (Heródoto e Tucídides) viveram no século V a.C., ou seja, nos anos 400. O primeiro (Heródoto) viveu e produziu sua obra, aproximadamente, na primeira metade do século (499 a 450 a.C.), sendo que sua obra era voltada para a descrição de outros povos (os bárbaros) em relação aos gregos. O segundo (Tucídides), produziu sua obra na segunda metade do século (450 a 400 a.C.), a qual, ao contrário de seu antecessor, narrava os conflitos de gregos contra gregos, o que podemos ler na obra A Guerra do Peloponeso.
Um dos pontos mais marcantes na obra de Tucídides, ao contrário de Heródoto, é que ele destaca a fragilidade da memória, da sua e a de terceiros, como podemos ver na epígrafe que escolhi para a abertura deste texto. Gagnebin (1997) deixa claro em seu texto, ao falar de Tucídides, que as lembranças e os testemunhos, seus (de Tucídides) ou de outros, são despachados por ele, condenados à relatividade da memória e à subjetividade das preferências pessoais. De fato, é memorável esse entendimento sobre a fragilidade da memória em Tucídides.
Apesar de apontar para a subjetividade e a fragilidade da memória Tucídides não deixava de fazer escolhas pessoais ao narrar os “fatos históricos”. Nestas escolhas feitas por ele pretendia fazer uma reconstituição crítica dos discursos. Para tal, utilizava critérios racionais como a verossimilhança da situação e a pertinência das palavras pronunciadas como fica claro neste relato de Tucídides (apud Gagnebin, 1997 p.27):

(...) Tais discursos, portanto, são reproduzidos com as palavras que, no meu entendimento, os diferentes oradores deveriam ter usado, considerando os respectivos assuntos e os sentimentos mais pertinentes à ocasião em que foram pronunciados, embora ao mesmo tempo eu tenha aderido tão estritamente quanto possível ao sentido geral do que havia sido dito (...).

Tucídides não conta às várias versões possíveis de um mesmo fato. Seu texto é resultado de uma escolha prévia, feita por ele mesmo, a partir de um material ou fontes que em momento algum são mencionadas. O discernimento dele nos permite compreender a história de forma racional, mas, ao mesmo tempo, nos impede de conhecer outra senão aquela que foi escrita por ele (Gagnebin, 1997).
Sua obra tem a intenção de “congelar”, fixar os acontecimentos e os fatos, tentando desta forma, no seu escrito, garantir a fidelidade e a imutabilidade destes. Enquanto Heródoto pretendia salvar o inolvidável, resgatar o passado do esquecimento, narrando seus acontecimentos, também pelo próprio gosto de contar, buscando na palavra das testemunhas a lembrança das obras humanas.
Temos aqui uma das diferenças marcantes entre Heródoto e Tucídides. Enquanto o segundo tem um pensamento direcionado para o futuro, na tentativa de acabar com a subjetividade dos acontecimentos preocupado, também, em suprimir da história todos os elementos de natureza metafísica ou maravilhosa, o primeiro volta seu pensamento para o passado a fim de resgatá-lo em seu esplendor e maravilha. Segundo Gagnebin (1997, p. 31):

(...) Heródoto escrevia para resgatar um passado ilustre; Tucídides escreve no presente para instituir o futuro, confiante que da história do passado possa-se aprender para o presente, pois a natureza humana continua inalterada, isto é, sempre prestes a obedecer ao desejo de poder, sacrificando o interesse geral aos interesses particulares egoístas (...).

A história é a consolidação do ser no tempo. Ela não é o que “não é mais”, mas o que “foi e ainda é”. A história é conhecível e o passado é a única dimensão conhecível do mundo humano, em suas relações com o presente. A história não deve ser vista como linear, muito menos, devemos olhar para o passado na esperança de explicar o futuro. O que o historiador faz é conhecer as durações humanas. Heródoto e Tucídides valorizaram o tempo dos homens e por isso fundaram uma nova ciência.

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Referências bibliográficas:
GAGNEBIN, Jeanne Marie. Sete aulas sobre linguagem, memória e história. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

HARTOG, François. O espelho de Heródoto: ensaio sobre a representação do outro. Belo Horizonte: UFMG, 1999.

HERÓDOTO. Histórias: livro 3º. Lisboa: Edições 70, 1997.

REIS, José Carlos. Escola dos annales: a inovação em história. São Paulo : Paz e Terra, 2000.

TUCÍDIDES. História da guerra do peloponeso. Brasília: Universidade de Brasília, 1987.

VEYNE, Paul. Como se escreve a história e Foucault revoluciona a história. Brasília : Universidade de Brasília, 1998.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Sobras de Estúdio I

Bem, como qualquer pessoa que trabalha com arte gráfica sabe: após algum tempo ficamos encalhados com inúmeros materiais que acabaram não sendo publicados e postos em circulação (pelos mais diversos motivos). Assim sendo, vou aproveitar o espaço do blog para mostrar estes trabalhos aos quais denominei de “sobras de estúdio” e contar um pouquinho da história deles.

Vou começar por alguns cartazes que fiz para a produtora de eventos Produto Cultural de Tchakaruga de Paranaguá.

Estes são dois exemplos de um mesmo cartaz para a oficina de teatro que está em andamento ministrada pelo próprio Tchakaruga através do projeto Teatro Barato. Infelizmente eles acabaram entrando na coleção da "sobras de estúdio".
A idéia de trabalhar o cartaz da oficina foi justamente de trazer uma primeira impressão de algo jovem, despojado e ao mesmo tempo com certa seriedade. Lembrando sempre que a oficina é direcionada para jovens e adultos. Neste aspecto, a fotografia usada nos dá a dimensão exata dos elementos pretendidos.
Mas, em se tratando de uma oficina de teatro por que não foi usada uma imagem que remetesse mais ao teatro e a arte em si?
A intenção do cartaz é justamente focar o individuo, a pessoa e não necessariamente o ofício. Além disso, as oficinas iniciais de teatro não são unicamente direcionadas para a formação de atores e atrizes e muitas vezes são procuradas por pessoas que desejam desenvolver mais a comunicabilidade e expressão em suas relações pessoais e profissionais. A partir desse pensamento e da proposta do projeto Teatro Barato que visa não somente a formação cênica em suas oficinas, mas, também, a capacitação para produzir espetáculos teatrais a partir de recursos caseiros e materiais recicláveis é que cheguei à escolha dessa imagem. Ainda na opção da imagem, foi pretendido que essa fosse uma fotografia externa já que outra das propostas do projeto é a de que: apresentações teatrais podem-se fazer em qualquer local. Outro elemento indispensável é o ângulo da fotografia que é de baixo para cima nos dando a informação de serenidade, poder de decisão e autonomia, características altamente desejáveis em nosso tempo.
Uma vez decidido a imagem a ser usada, resta os outros elementos gráficos do cartaz como logos (do cliente e demais apoiadores) e as informações textuais.
Porém, antes se faz necessário algumas explicações. Talvez, para algum “marinheiro de primeira viagem” o trabalho final do cartaz possa parecer um tanto “poluído”. Contudo, o fato é que neste caso especifico o cartaz tem dois papéis fundamentais: o primeiro é o de chamar a atenção do possível interessado, tarefa que fica a cargo da imagem escolhida, do título que em letras “garrafais” e em local privilegiado informa do que se trata o cartaz (no caso Oficina de Teatro) e, por fim, a logo do cliente que acreditasse já ter certo reconhecimento pelo público local (no caso São Leopoldo). O segundo é o de trazer toda a informação necessária para as pessoas interessadas na oficina. O comum é que estas informações estejam veiculadas através de folder’s e não no cartaz, mas por motivos de custo foi decidido que o cartaz contemplasse toda a informação possível. Temos então a logo do cliente centralizada no topo da página com pequenos reflexos em transparência nas laterais direcionando o foco para a logo centralizada. Próximo ao centro da página encontra-se a chamada em destaque que caracteriza o propósito do cartaz que é anunciar a oficina de teatro. A baixo e ao fundo temos a imagem com destaque a modelo. Estes são os primeiros elementos identificáveis do cartaz. Os demais elementos foram distribuídos de forma coerente para dar equilíbrio ao material gráfico.
As logos dos apoiadores ficaram em linha, próximas do pé da página, sem qualquer ordem de importância apenas dispostas para uma melhor performance visual. As informações mais relevantes que devem ser vistas em primeira mão ficaram à direita (de quem olha o cartaz) da figura para dar equilíbrio a imagem e destaque ao informado. Lembrando que está peça publicitária tem três momentos de observação: o primeiro é o que chama a atenção das pessoas que podem ser identificados na fotografia, título e logo do cliente; a segunda é nas logos dos apoiadores e na informação em destaque ao lado da figura; e, por fim, a terceira está no último elemento textual que são as informações restantes sobre a oficina. Esta última só será lida por pessoas que estiverem realmente interessadas em participar do trabalho. Devemos levar em conta que o cartaz seria impresso em tamanho A3 colorido e divulgado através de e-mail em formato jpg onde teria um efeito semelhante a uma publicação de página inteira em revista.
O segundo cartaz segue basicamente a mesma linha do primeiro. A escolha da fotografia segue os mesmos critérios da primeira mudando apenas no fato de que está nos dá uma maior sensação de leveza. Nesta peça resolvi dar um pouco mais de visibilidade para a logo do cliente em questão.
Quanto ao restante dos elementos segue exatamente o mesmo raciocínio do primeiro trabalho, apenas com um trato visual diferenciado.
Este seria, mais ou menos, o raciocínio que me levou a elaborar estas duas peças publicitárias e de qualquer forma sempre é bom ter outras opiniões. Caso alguém tenha alguma critica ou sugestão deixe um comentário no blog, lembrando sempre que o material aqui divulgado não foi publicado e nem veiculado a nenhum tipo de mídia (com exceção desta, é claro) e, por tanto, não foi finalizado oficialmente.

De todos os cartazes que fiz para o evento Sarau Cultural este é um dos meus preferidos, mas, como muitas coisas na vida acabam preferindo não acontecer este cartaz acabou ficando de lado.

Este é um dos últimos trabalhos que fiz e que por motivos de data da estréia ainda não foi concluído. Também foi feito um pequeno site para este trabalho “Palavreado e mais Palavreado”. Espero que se defina logo a data e o local da estréia para que este material saia do limbo.

Você pode acessar o Site Palavreado e mais Palavreado aqui

Mais informações você pode encontrar no blog Produto Cultural ou no perfil de Tchakaruga de Paranaguá no orkut.

Este foi um cartaz produzido para o espetáculo “Os TriBarrigas” do grupo Velho do Saco. Eu, na verdade, não tenho certeza, mas parece que este trabalho não chegou a estrear...

Ainda tem muito mais trabalhos para mostrar... Na próxima irei colocar os outros cartazes que fiz e algumas logos que não foram aprovadas.

Até...

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Liberdade ou Liberdades?

Meus pensamentos, disse o viajante à sua sombra, devem me mostrar onde estou, mas não devem descobrir até onde vou. Amo o desconhecimento do futuro e não quero perecer por causa da impaciência e do custo antecipado das coisas prometidas.
(Nietzsche)

Para começar a falar sobre liberdade penso que devemos começar meditando sobre a falta dela e não por ela em si. A liberdade é com freqüência uma muralha a ser derrubada ou um direito a ser conquistado. Não seria também uma exigência feita a todos nós de inventar sua vida?
Em séculos e mais séculos de um uso indevido das palavras, de uma banalização desenfreada, onde elas corrompem e são elas mesmas corrompidas torna-se quase impossível utilizá-las. Mas o que está acontecendo é que estamos ficando sem palavras para dizer o insuportável e para afirmar o nosso querer viver. Em verdade, não há nada mais comum, ambíguo, suscetível e mal-entendido do que a reivindicação da defesa da liberdade. Palavra liberdade que, não raramente, nos soa falsa quando a escutamos e ao pronunciá-la é desprovida de qualquer sabor. Mas às vezes ela se oferece a alguém que desejaria apresentá-la como uma nova verdade, como um novo sabor, ainda que para ele seja preciso primeiro libertar a liberdade de todas essas falsificações que se aderiram a ela e que secretamente a povoam. Quanto ao conteúdo, à própria definição da palavra “liberdade” (que, cantada, não deixa ninguém indiferente), mudam não só em função das épocas, das situações, mas também segundo a idade e o momento de cada um. É por isso que podemos somente falar de nossa liberdade, neste instante preciso.
Se a noção comum de liberdade é a de um livre arbítrio ou a de uma vontade livre, a de uma vontade que não se deixa determinar nem pela fatalidade de um destino nem pelas outras vontades diferentes da sua, o que habitualmente se pensa como liberdade é a potência do sujeito, seu poder de representar-se a si mesmo, de determinar-se a si mesmo, de ser causa de si mesmo. Por isso a liberdade se representa como a propriedade ou o atributo de um sujeito que é dono de seus pensamentos, de seus atos, de seu futuro; de um sujeito que é consciente de si mesmo, dono de si mesmo.
A liberdade continua sendo no entanto um desafio essencial, a merecer todos os nossos cuidados. Se o esquecemos ou o desdenhamos, ainda nos arriscamos a morrer, de outro modo, não nos transes de uma impossível façanha, mas sem brilho, amordaçados pelo conformismo e o tédio, embrutecidos pelas preocupações, sobrecarregados de tarefas, entorpecidos por falatórios telefônicos, alucinados por um mundo que nos escapa, dia após dia. Anestesiados.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Existe Vida Antes da Morte?

“Cientificamente falando, a única certeza que temos de que algo está vivo é quando ele morre.” Quem disse isso foi um professor meu dos tempos de colégio. Confesso que gostaria muito mais de ter ouvido algo como carpe diem, mas... Bem, não sei se meu mestre continua certo ou não (nem mesmo as fantásticas teorias de Einstein estavam totalmente corretas), mas a força de sua afirmação me atingiu como um trovão.
Muito tempo depois, em junho de 1995, eu lia atentamente a edição de CONTOS DE SANDMAN nº 1 a bordo de um não muito confortável ônibus a caminho de minha casa. A cada página lida eu me tornava mais e mais cúmplice da irmã mais velha de Oneiros. Meus ouvidos quase conseguiam sentir o som de poderosas asas batendo perto de mim. Em muitos anos como leitor, aquela tinha sido a primeira vez em que uma história em quadrinhos conseguia mexer comigo. Em alguns aspectos, foi um dia terrível para mim, pois não conseguia tirar da cabeça a cena da Morte tirando o bebê do berço. Não me parecia justo...
Vida e morte. Dois lados opostos de um mesmo motivo, com a mesma intensidade. Morrer é tão natural quanto viver. Sim e não. Neste código binário celestial, todos nós nos rendemos diante de uma única e inevitável certeza, como uma demorada partida de xadrez cujo adversário nunca perde. O xeque é indefensável. Xeque-mate!
Acredito que todos nós já tivemos algum contato com a Ceifadora de Vidas, e sua presença é quase sempre acompanhada de um sentimento de impotência, medo (às vezes, ódio) e dúvida. Não há como evitá-la. Cedo ou tarde, ela sempre chega. É claro, há os que a desejam e aqueles que não a temem e vivem apenas para desafiá-la. Para eles, o sentido da vida pode ser apenas um detalhe ou a chave de um enigma muito maior. Seja como for, ela está sempre por perto, não pelo fato de ser uma emissária do fim da linha, mas por fazer parte da própria vida. Sem ela, a vida não tem sentido.
Sendo assim, vou postar aqui um artigo que fiz, com uma reflexão sobre a Morte, para uma disciplina do curso de Filosofia da Unisinos. Espero que gostem...

EXISTE VIDA ANTES DA MORTE?
—Miserere di me! — gridai a lui —
qual Che tu sii — od ombra od omo certo!
[1]
(Dante Alighieri, La Divina Commedia, 1999, p. 10)

Quem nunca quis morrer
Não sabe o que é viver
[...]
Viver é sair de repente
Do fundo do mar
E voar...
e voar...
cada vez para mais alto
Como depois de se morrer!
(Mário Quintana, Viver, 1997. p. 28)
Ela povoa a nossa imaginação. Oculta-se sob nossas camas. Rasteja nos obscuros recessos de nosso inconsciente primitivo. Não há fuga, não há refúgio a – coisa vai pegar você. A besta, o aniquilador, o Thanatos. O que é? Por que a tememos?
Qual é o seu nome?
A morte há muito inflama a imaginação romântica de sacerdotes e poetas. No entanto, quem é esse hóspede que habita a vida e que os vivos chamaram “morte”? Sempre presente, jamais familiar, sempre recusado, jamais afastado. Estranha convivência que deve ser aceita sem que nela se possa comprazer, estranho habitante que só se pode acolher repelindo. É dessa estranheza que importa cuidar sem esquecê-la jamais. O casal vida-morte parece ser de tal natureza que não se pode esquecer uma sem esquecer a outra. Aprender a manter juntos esses parceiros inimigos, não é isso em que nossa cultura chamamos “ética”? Com certeza. Religiões e filosofias lidaram e ainda lidam com esse casal, germe de que se nutrem suas mais ricas criações especulativas.
Peço desculpas por entregar tais especulações à sua sorte e por entregar-me, usando este espaço, a algumas divagações. Lembro-me agora de alguns discursos religiosos cristãos que vem constituindo ao longo dos séculos grande parte do pensamento Ocidental. Penso nas velhas beatas, já viúvas, ao se reunirem para rezar o terço, anunciavam: “Mais um dia se passou. Mais perto de Vós, meu Deus.” Sem dúvida em um pequeno espaço de tempo à morte havia habitado com elas. Estas avós haviam transfigurado sua morte e, ao mesmo tempo, sua vida: a daquele corpo ameaçado e precário. Aquele corpo destinado à morte anunciava um outro: o corpo glorioso dos ressuscitados, um outro e no entanto o mesmo, mas eternamente vivo.
Não obstante, temos a ameaça de habitarmos, com esse corpo eterno, um outro lugar que não esse ao lado de Deus no Paraíso. Com a criação do Purgatório na Idade Média pela a Igreja e o já existente Inferno, ilustrado posteriormente pelo poeta italiano Dante Alighieri (1265–1321), o Paraíso se torna uma dádiva e não um consolo para a morte. Em A Divina Comédia de Dante a entrada do Inferno é assinalada por uma porta sinistra que se acha encravada no fundo de uma espécie de caverna ou gruta. Nessa porta em letras escuras (Canto III), encontrou o poeta a famosa e imortal legenda que termina com este verso tantas vezes citado: Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate[2] (Alighieri , 1999, p. 17).
A esperança das avós em conquistar o Paraíso por vezes causava preocupações. Elas viviam sua esperança no temor e no tremor. Não haviam lido Dante e nem Platão, ignoravam a morte de Sócrates e a encenação que aquele grande homem de teatro havia produzido no Fédon. Lá fora dito “O corpo é um túmulo” (soma sema) e a alma, esse princípio de vida, devia aprender a dele se libertar e a pensar a morte como o momento da libertação.
Há muito tempo não tenho mais esperança na imortalidade. Tento viver a vida simplesmente na plenitude de qualquer presente que se ofereça. Freqüentemente me pego sonhando em um outro sentido, de modo algum mágoa, que poderiam tomar estas palavras: soma sema. Sema não queria dizer túmulo mas, segundo seu sentido próprio, signo, marca ou sinal. Gostaria muito de entender soma sema como “corpo significante”. E logo descubro que não tenho nenhuma necessidade de forçar-me a isso. Que meu corpo seja significante, isso ele próprio me ensina com sua mera presença. Desde sua vizinhança e em sua singularidade, ele significa minha relação com o mundo e com tudo o que se pode oferecer como não sendo eu: as coisa e os outros. Ele me aponta os caminhos capazes de me levar em direção a eles. Além disso, um corpo humano vivo dá sempre sinal para si mesmo assim que preserva em sua integridade, isto é, na medida em que continua a manter-se vivo.
Quanto à pergunta proposta pela a avaliação penso, eu mesmo, não gostar de algumas respostas, pois como diz Larosa (2003), devemos nos exercitar no silêncio e não perguntar a quem sabe a resposta, nem se quer a parte de nós mesmos que sabe a resposta, porque a resposta poderia matar a intensidade da pergunta e o que nela se agita. Se nós mesmos a perguntamos. Porém, tal reflexão [da morte] me leva a pensar em uma frase “Cuide de sua vida, a morte é tão permanente”, o que poderia ser entendido de outro modo: “Cuide de sua morte, a vida é tão frágil”. Da morte não há nada a temer nem a esperar. Apenas o mundo e os vivos podem ser fonte de inquietude, temor ou esperança, só deles importa cuidar.
Restam os mortos: os outros mortos tão numerosos e tão cotidianos. Uma lembrança quase que sem importância e nada digna de comentários cotidianos, talvez aqui ganhe algum significado. No inverno de 2002 eu estudava espanhol no centro universitário da Feevale, em Novo Hamburgo, onde no intervalo gostava de me sentar em frente ao prédio da fisioterapia. Lá por vezes me deparava com alguns dos cadáveres, que via através da janela, que eram estudados pelos alunos. Talvez ali eu tenha começado a minha meditação sobre a morte. E a pensar o século em que vivemos, marcado pelo Terror e por tantas outras catástrofes. Tanto que me coloco esta questão: como pensar em todos esses corpos mortos? São eles apenas cadáveres abandonados à destruição, fadados à fumaça e às cinzas? Por isso não consigo decidir-me. Todo corpo que foi vivo foi significante. Por mais modesta e fugidia que tenha sido sua relação com o mundo, ele abriu e construiu um caminho, nele deixou rastro. Esse rastro sobrevive; está marcado embora apagado. Reavê-lo, fazê-lo reviver, é tarefa dos vivos. Estes só podem continuar a viver se despertarem os rastros dos corpos mortos. É a única forma de imortalidade que posso conceber; é por isso que não conto nem os dias nem as horas que me separam da morte. Neste mundo inscrevo meus passos.

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[1] Tradução: Tem compaixão de mim! — gritei-lhe — quem quer que sejas — sombra ou vivente![2] Tradução: Deixai toda esperança, vós que entrais.

Só na Rede...

Por que o Jacaré não vai para o Céu?

segunda-feira, 14 de maio de 2007

A Visita do PAPA ao Brasil.


Nesta última semana o nosso país recebeu a importante e oportuna visita do Papa Bento XVI. E não teria como passar desapercebido, pois, a TV, o rádio, os jornais, a internet, e praticamente todas as mídias informativas conhecidas nos deram um banho de informações sobre a estadia do Santo Padre no Brasil.
Hoje temos o primeiro Santo brasileiro e milhões de fiéis satisfeitos com a, se assim posso chamá-la, "extraordinária semana santa brasileira". A verdade é que a visita do Papa deixou milhões de pessoas completamente desinformadas sobre outros acontecimentos importantes no país. Afinal de contas, tivemos inúmeros debates ao longo da semana sobre as posturas polêmicas, da Igreja Católica e -por sua vez- do Papa, sobre aborto, uso de preservativos entre outras coisas. O que nada mais é do que "correr atrás do próprio rabo", pois, a Igreja jamais vai mudar a sua opinião sobre tais assuntos. Se por ventura a Igreja aprovasse o uso do preservativo ou o do aborto ela acabaria com o "fardo" do Pecado Original e junto com isso com a própria Igreja. Talvez eu devesse explicar melhor estas questões falando sobre a filosofia de Santo Agostinho e a simbiose platonismo-cristianismo, mas, isso tomaria muito tempo e o assunto que me traz aqui não é este.
No início desse texto chamei a visita do Papa além de importante de oportuna, pois, nossos parlamentares acabaram votando o aumento dos próprios salários em quase 30%, enquanto grande parte do país estava ocupada com a visita do Papa e a outra parte preocupada em criticar a ideologia católica com debates que, a meu ver, terminaram como começaram. E para deixar bem claro, a minha critica não vai para o Papa ou a Igreja Católica e sim para estes políticos que se aproveitam desse tipo de situação para beneficio próprio. E que Deus ajude o Brasil...

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Algo sobre Fanzines

O que é Fanzine?
Segundo Edgard Guimarães de um modo geral o fanzine é toda publicação feita pelo fã. Seu nome vem da contração de duas palavras inglesas e significa literalmente 'revista do fã' (fanatic magazine). Alguns estudiosos do assunto consideram fanzine somente a publicação que traz textos, informações, matérias sobre algum assunto. Quando a publicação traz produção artística inédita seria chamada Revista Alternativa. No entanto, o termo fanzine se disseminou de tal forma que hoje engloba todo tipo de publicação que tenha caráter amador, que seja feita sem intenção de lucro, pela simples paixão pelo assunto enfocado.
Assim, são fanzines as publicações que trazem textos diversos, histórias em quadrinhos do editor e dos leitores, reprodução de HQs antigas, poesias, divulgação de bandas independentes, contos, colagens, experimentações gráficas, enfim, tudo que o editor julgar interessante.
Os fanzines são o resultado da iniciativa e esforço de pessoas que se propõem a veicular produções artísticas ou informações sobre elas, que possam ser reproduzidas e enviadas a outras pessoas, fora das estruturas comerciais de produção cultural.
O que não é Fanzine!
Obviamente as revistas profissionais que são vendidas nas bancas não são fanzines. O principal fator de diferenciação é uma conseqüência do fato de terem grandes tiragens e darem lucro. A revista profissional é feita em função de um mercado preexistente. Como precisa vender para se sustentar, a revista profissional tenta oferecer aquilo que uma parcela do público leitor quer, ou seja, a revista profissional é feita em função do leitor. O fanzine, ao contrário, é a forma de expressão do editor, ou grupo de editores. O que define a pauta do fanzine é aquilo que seu editor deseja compartilhar com seus leitores. O fanzine é caracterizado pela independência do editor. E uma das garantias desta independência é que muitas vezes o editor mantém o fanzine arcando com seus prejuízos.
Outra característica do fanzine é que este está intimamente ligado à atividade cultural, à sua divulgação e ao prazer de se estar envolvido nela. Os fanzines podem ser de música, poesia, cinema, quadrinhos, literatura etc. Não são fanzines os diversos boletins e informativos de associações comerciais, de ordens religiosas, de organizações e empresas diversas, mesmo que muitas vezes estes boletins sejam mantidos dando prejuízo.
Fanzine é revista, ou seja, uma publicação impressa em que cada leitor pode ter seu exemplar, como denota o 'magazine' que forma seu nome. Atualmente, com o desenvolvimento da tecnologia, a palavra fanzine já está sendo usada em trabalhos que não estão na forma de revista, mas que trazem o tipo de material encontrado nos fanzines impressos. É o caso de páginas na Internet ou CD-ROMs que são chamados de fanzine eletrônico.
Quando começou?
No Brasil, o primeiro fanzine de que se tem registro é o Ficção, criado por Edson Rontani, em Piracicaba (SP), em 1965. Nesta época usava-se o termo "boletim" para designar as publicações amadoras, o termo fanzine só começou a ser usado a partir de meados da década de 70. A motivação de Edson Rontani foi manter contato com outros colecionadores de revistas de quadrinhos para venda e troca de revistas. Mas já no primeiro número, Edson coloca diversos textos informativos e uma importantíssima relação das revistas de quadrinhos publicadas no Brasil desde 1905.
Por que fazer Fanzine?
Há vários motivos que levam uma pessoa a fazer um fanzine. O motivo que está na origem do surgimento do fanzine é o fato da pessoa ser fã de algum assunto (um personagem de HQ, um ídolo de cinema etc) e querer manter contato com outros aficionados. Às vezes, a iniciativa começa com a criação de um fã-clube que depois produz um boletim. Muitas vezes o editor deseja compartilhar com outros interessados o material de sua coleção. Alguns autores desejam divulgar sua própria expressão artística e o fanzine é o veículo. Muitas vezes, o autor não tem intenção de aumentar sua tiragem, mas sim produzir apenas para um círculo de amigos que tem interesse naquele tipo de manifestação artística. Outros autores buscam a profissionalização e o fanzine é o meio de mostrar seu trabalho para outras pessoas ou para os editores profissionais, e ao mesmo tempo um estímulo para produzir e aprimorar o trabalho. Em resumo, o editor precisa ter algo a dizer e a disposição para materializar este desejo na forma de fanzine, e contatar outras pessoas com interesses comuns.
Como fazer?
A produção de um fanzine abrange as etapas que começam com a iniciativa de editar, passa pelo trabalho de definir linha editorial, conseguir o material a ser editado, manter contato com colaboradores, montar a edição, conseguir a impressão, até chegar ao resultado final que é a edição impressa. A elaboração dos originais da edição depende principalmente da visão do editor, sua capacidade de criar, de contatar outros criadores, de organizar todo o material disponível. A edição será reflexo da formação cultural do editor. Todo tipo de material é válido para compor a edição (HQs, poesias, contos, fotos, ilustrações, colagens etc).
Obviamente, o resultado também dependerá dos recursos materiais que o editor tiver disponíveis, como máquina de escrever, computadores, scanners etc, mas estes não são os ingredientes mais importantes na feitura da edição. O que caracteriza primordialmente um fanzine é a personalidade que seu editor lhe imprime.
Álbum pode ser Fanzine?
Embora, de um modo geral, os fanzines sejam edições mais modestas quanto à forma, pois dificilmente seu editor tem recursos financeiros para custear edições mais caras, regularmente aparecem verdadeiros álbuns no meio independente. A apresentação com alta qualidade gráfica não descaracteriza o fanzine, pois continua sendo uma edição feita com espírito independente.
Há pirataria em Fanzine?
Uma característica bastante presente nos fanzines é a republicação de material de outras publicações. A maior incidência é de histórias em quadrinhos antigas retiradas de revistas das décadas passadas, histórias em quadrinhos estrangeiras não publicadas no Brasil, textos e reportagens tirados de revistas, livros e jornais antigos ou atuais etc. Esta atitude poderia ser chamada de pirataria, e muitos editores até se referem a ela por este nome, pois o termo tem um apelo romântico desde os romances de corsários de séculos atrás. Assim o nome "pirata" tem aparecido em títulos de fanzines, nomes de seções e mesmo em pseudônimo de editor. No entanto, para desilusão dos românticos, esta atitude dos editores não tem nada de contravenção. A edição de fanzines não é uma atividade em que o editor, ao republicar material de autoria de outros, estivesse obtendo benefícios às custas destes trabalhos. Pelo contrário, são raros os fanzines em que a receita consiga alcançar a despesa, sendo que muitas vezes a distribuição dos exemplares é gratuita para um círculo de amigos. O que move o editor de fanzine é o desejo de compartilhar com outras pessoas todo tipo de material a que teve acesso e que considera importante a divulgação a outros interessados. Dentro deste espírito, muitas vezes o editor realiza verdadeiras expedições arqueológicas para trazer a público, ainda que infelizmente a um público muito reduzido, verdadeiros tesouros perdidos em publicações há muito esquecidas. O ponto central da questão é que os fanzines, de forma desinteressada, têm feito um serviço de resgate e difusão de aspectos da cultura muitas vezes negligenciados tanto pelas empresas editoras quanto pelos órgãos governamentais.
Qual a importância dos fanzines?
A primeira e maior importância dos fanzines é a cultural. Ou seja, os fanzines, de um jeito ou de outro, em maior ou menor grau, serão incorporados à cultura brasileira. Também é importante para a formação e amadurecimento de artistas. Nos aspectos crítico e informativo, a liberdade criativa dos fanzines permite a veiculação de trabalhos mais isentos e com maior profundidade. Muito importante é a iniciativa de resgate de trabalhos e autores brasileiros e estrangeiros feito pelos editores de fanzine. A inexistência de um mercado profissional estável para o quadrinhista brasileiro desestimula tanto a produção dos artistas já maduros quanto o desenvolvimento de novos talentos na área. Os fanzines têm promovido, mesmo que de forma bastante limitada, a produção de quadrinhos brasileiros através do incentivo da publicação, mesmo não remunerada e de alcance restrito. Por fim, são também importantes a satisfação pessoal dos editores e colaboradores de estarem divulgando seus trabalhos, ou a ampliação de amizades entre os que participam desse mundo dos fanzines.
Qual a qualidade dos fanzines?
A avaliação de fanzines não pode ser feita usando os mesmos critérios usados para avaliar trabalhos veiculados nas publicações profissionais. Muitas vezes o fanzine é uma obra extremamente pessoal, feita seguindo diretrizes muito próprias do editor e dirigida a um grupo específico de leitores. Com tantas especificidades, a obra está fora da capacidade de apreciação de quem não pertença ao grupo. Em alguns casos, o Fanzine é resultado da expressão de pessoas muito jovens, cujos trabalhos não têm maturidade artística, e não seria honesto avaliá-los pelos mesmos critérios usados nos trabalhos profissionais. Ao contrário, a atitude a ser tomada em relação a quem está procurando achar seu caminho artístico, aprendendo e evoluindo, deve ser de orientação e principalmente incentivo. Há, contudo, no meio independente, artistas completos, produzindo trabalhos que resistem à avaliação segundo critérios profissionais, tanto que uma parcela significativa das melhores HQs e revistas produzidas no Brasil nos últimos trinta anos se encontram no meio independente.
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Daniel Cunha edita o fanzine Pergaminho desde meados de 2005. O zine Pergaminho trata de assuntos ligados a literatura Fantástica e Ficção Científica (FC) trazendo em seu interior resenhas e comentários de livros e grandes Clássicos deste gênero, tanto na literatura como em outras mídias (HQs, Filmes, etc.). Pergaminho está em fase de elaboração de sua 4º edição.

Referência da Imagem:
Capa do primeiro fanzine.

terça-feira, 8 de maio de 2007

A Guerra da Barba

A GUERRA DA BARBA
Anões e Elfos em uma amarga
guerra

Anthony Reynolds

Tradução
Daniel Cunha



Este é o primeiro dos artigos em que se
descreve a épica Guerra da Barba. Esta guerra
deu-se no inicio dos tempos, muito antes
da aparição dos humanos. Anthony Reynolds
nos relata esta época calamitosa.



Há muito, muito tempo, 2.000 anos antes do nascimento de Sigmar, o renomado Rei Fênix Caledor I governava Ulthuan em uma época de turbulências marcada por uma guerra civil que havia entristecido a nação élfica. Enquanto irmãos lutavam contra irmãos pelo domínio da ilha e a posse da coroa do Rei Fênix, Caledor se colocou à frente de seus súditos Leais para enfrentar o traidor Malekith, que, finalmente, foi expulso de Ulthuan. Apesar dos problemas que haviam induzido os Altos Elfos, continuavam sendo uma nação poderosa, sua magia estava em pleno apogeu e os cavaleiros de dragões seguiam sobrevoando o céu de sua ilha.
As ruas de Ulthuan se preencheram de gritos de desespero e lamentações quando Caledor morreu. O Rei Fênix havia deixado a seu sucessor, seu filho Caledor II, um exército forte e a frota de navios mais poderosa de todo o Velho Mundo, porém os Altos Elfos iriam conhecer em pouco tempo a loucura de um reinado hereditário.
Ainda que por suas veias corria o sangue de seu pai,Caledor II não compartilhava nem do bom juízo nem da sabedoria dele. O jovem Rei Fênix era irascível, impetuoso, altivo e vaidoso. Era um guerreiro poderoso, mas, o que precisamente Ulthuan buscava com desespero era encontrar a estabilidade, não existia um governante que poderia estar mais distante de proporcioná-la.
No principio de seu reinado, as rotas de comércio com os Anões, que haviam permanecido fechadas durante a época da guerra civil dos Altos Elfos, voltaram a restabelecer-se. Os Anões encontravam-se no zênite de seu poder e seus ferreiros rúnicos possuíam um conhecimento de sua arte muito superior ao que têm na atualidade. O aço das forjas anãs era o melhor do Velho Mundo e os elaborados brinquedos com mecanismos de relojoaria que construíam eram a delicia dos meninos Elfos. Existiam enormes rotas subterâneas que uniam entre si as crescentes fortalezas anãs e os Anões sabiam muito pouco das lutas sofridas pela raça élfica, por que pensavam que se encontravam a salvo de todo o perigo.
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Artigo em tradução...

Anos 80

Anos 80
por Angelo Martinicorena

Há quem fale: “como eram bons os anos 80, e eu não sabia”. Foi o berço musical de grandes estilos, um dos principais foi o Heavy Metal, aonde já vinha engatinhando.
Nos finais dos anos 70, claro que nesse período setentista o movimento punk estava em alta, bandas como Clash, Sex Pistols eram o molde de conduta para adolescentes do subúrbio de grandes metrópoles. Não se pode esquecer da mais punk e política banda de todos os tempos o Dead Kennedys.
Mas já na chegada dos primórdios dos anos 80, bandas como Judas Priest, Saxon, e a espetacular Iron Maiden , demonstravam força de um novo estilo. Onde a imprensa musical a denominou como New Wave of British Heavy Metal (ou a famosa da sigla NWOBHM). Com o visual bastante agressivo com correntes, cabelos compridos, que chocavam a sociedade, onde os denominavam “metaleiros”, mas na verdade o verdadeiro codinome era e ainda é headybangers (batedores de cabeça).
Alem do Maiden, o próprio Ozzy que já havia saído do Black Sabbath iniciou sua carreira solo que eu particularmente acho a melhor fase do artista. Bandas como o Kiss estouram aqui no Brasil ao fazer uma turnê avassaladora aqui no nosso país exatamente um ano antes do melhor festival de rock de todos os tempos, Rock`in Rio de 1985. A partir desse mega evento, que reuniu bandas como Scorpions, Whitesnake, Ozzy Osbourne, AC/DC e Iron Maiden, explode de vez o movimento aqui no nosso país tupiniquim. Jovens com cabelo comprido, calças rasgadas, com jaquetas desbotadas com vários pats de bandas (remendos), adotam esse estilo tão criticado pela sociedade e a igreja, pois acreditavam que tais bandas faziam apologia ao diabo.
Ao final dessa década começa a surgir segmentos do Heavy Metal, como o Trhash Metal, que veremos em outra oportunidade. Claro que poderíamos falar paginas e mais paginas desse estilo grandioso que marcou e marca ate hoje.
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Artigo feito por Angelo Martinicorena do Blog Metalloween escrito originalmente para o fanzine Coisas da Vida em abril de 2004.

"Heavy Metal está no meu sangue desde os meus 9 anos de idade. Além de um grande apreciador de mitologia nórdica". Angelo Martinicorena.
Página no Orkut.