Facebook

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Sobras de Estúdio I

Bem, como qualquer pessoa que trabalha com arte gráfica sabe: após algum tempo ficamos encalhados com inúmeros materiais que acabaram não sendo publicados e postos em circulação (pelos mais diversos motivos). Assim sendo, vou aproveitar o espaço do blog para mostrar estes trabalhos aos quais denominei de “sobras de estúdio” e contar um pouquinho da história deles.

Vou começar por alguns cartazes que fiz para a produtora de eventos Produto Cultural de Tchakaruga de Paranaguá.

Estes são dois exemplos de um mesmo cartaz para a oficina de teatro que está em andamento ministrada pelo próprio Tchakaruga através do projeto Teatro Barato. Infelizmente eles acabaram entrando na coleção da "sobras de estúdio".
A idéia de trabalhar o cartaz da oficina foi justamente de trazer uma primeira impressão de algo jovem, despojado e ao mesmo tempo com certa seriedade. Lembrando sempre que a oficina é direcionada para jovens e adultos. Neste aspecto, a fotografia usada nos dá a dimensão exata dos elementos pretendidos.
Mas, em se tratando de uma oficina de teatro por que não foi usada uma imagem que remetesse mais ao teatro e a arte em si?
A intenção do cartaz é justamente focar o individuo, a pessoa e não necessariamente o ofício. Além disso, as oficinas iniciais de teatro não são unicamente direcionadas para a formação de atores e atrizes e muitas vezes são procuradas por pessoas que desejam desenvolver mais a comunicabilidade e expressão em suas relações pessoais e profissionais. A partir desse pensamento e da proposta do projeto Teatro Barato que visa não somente a formação cênica em suas oficinas, mas, também, a capacitação para produzir espetáculos teatrais a partir de recursos caseiros e materiais recicláveis é que cheguei à escolha dessa imagem. Ainda na opção da imagem, foi pretendido que essa fosse uma fotografia externa já que outra das propostas do projeto é a de que: apresentações teatrais podem-se fazer em qualquer local. Outro elemento indispensável é o ângulo da fotografia que é de baixo para cima nos dando a informação de serenidade, poder de decisão e autonomia, características altamente desejáveis em nosso tempo.
Uma vez decidido a imagem a ser usada, resta os outros elementos gráficos do cartaz como logos (do cliente e demais apoiadores) e as informações textuais.
Porém, antes se faz necessário algumas explicações. Talvez, para algum “marinheiro de primeira viagem” o trabalho final do cartaz possa parecer um tanto “poluído”. Contudo, o fato é que neste caso especifico o cartaz tem dois papéis fundamentais: o primeiro é o de chamar a atenção do possível interessado, tarefa que fica a cargo da imagem escolhida, do título que em letras “garrafais” e em local privilegiado informa do que se trata o cartaz (no caso Oficina de Teatro) e, por fim, a logo do cliente que acreditasse já ter certo reconhecimento pelo público local (no caso São Leopoldo). O segundo é o de trazer toda a informação necessária para as pessoas interessadas na oficina. O comum é que estas informações estejam veiculadas através de folder’s e não no cartaz, mas por motivos de custo foi decidido que o cartaz contemplasse toda a informação possível. Temos então a logo do cliente centralizada no topo da página com pequenos reflexos em transparência nas laterais direcionando o foco para a logo centralizada. Próximo ao centro da página encontra-se a chamada em destaque que caracteriza o propósito do cartaz que é anunciar a oficina de teatro. A baixo e ao fundo temos a imagem com destaque a modelo. Estes são os primeiros elementos identificáveis do cartaz. Os demais elementos foram distribuídos de forma coerente para dar equilíbrio ao material gráfico.
As logos dos apoiadores ficaram em linha, próximas do pé da página, sem qualquer ordem de importância apenas dispostas para uma melhor performance visual. As informações mais relevantes que devem ser vistas em primeira mão ficaram à direita (de quem olha o cartaz) da figura para dar equilíbrio a imagem e destaque ao informado. Lembrando que está peça publicitária tem três momentos de observação: o primeiro é o que chama a atenção das pessoas que podem ser identificados na fotografia, título e logo do cliente; a segunda é nas logos dos apoiadores e na informação em destaque ao lado da figura; e, por fim, a terceira está no último elemento textual que são as informações restantes sobre a oficina. Esta última só será lida por pessoas que estiverem realmente interessadas em participar do trabalho. Devemos levar em conta que o cartaz seria impresso em tamanho A3 colorido e divulgado através de e-mail em formato jpg onde teria um efeito semelhante a uma publicação de página inteira em revista.
O segundo cartaz segue basicamente a mesma linha do primeiro. A escolha da fotografia segue os mesmos critérios da primeira mudando apenas no fato de que está nos dá uma maior sensação de leveza. Nesta peça resolvi dar um pouco mais de visibilidade para a logo do cliente em questão.
Quanto ao restante dos elementos segue exatamente o mesmo raciocínio do primeiro trabalho, apenas com um trato visual diferenciado.
Este seria, mais ou menos, o raciocínio que me levou a elaborar estas duas peças publicitárias e de qualquer forma sempre é bom ter outras opiniões. Caso alguém tenha alguma critica ou sugestão deixe um comentário no blog, lembrando sempre que o material aqui divulgado não foi publicado e nem veiculado a nenhum tipo de mídia (com exceção desta, é claro) e, por tanto, não foi finalizado oficialmente.

De todos os cartazes que fiz para o evento Sarau Cultural este é um dos meus preferidos, mas, como muitas coisas na vida acabam preferindo não acontecer este cartaz acabou ficando de lado.

Este é um dos últimos trabalhos que fiz e que por motivos de data da estréia ainda não foi concluído. Também foi feito um pequeno site para este trabalho “Palavreado e mais Palavreado”. Espero que se defina logo a data e o local da estréia para que este material saia do limbo.

Você pode acessar o Site Palavreado e mais Palavreado aqui

Mais informações você pode encontrar no blog Produto Cultural ou no perfil de Tchakaruga de Paranaguá no orkut.

Este foi um cartaz produzido para o espetáculo “Os TriBarrigas” do grupo Velho do Saco. Eu, na verdade, não tenho certeza, mas parece que este trabalho não chegou a estrear...

Ainda tem muito mais trabalhos para mostrar... Na próxima irei colocar os outros cartazes que fiz e algumas logos que não foram aprovadas.

Até...

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Liberdade ou Liberdades?

Meus pensamentos, disse o viajante à sua sombra, devem me mostrar onde estou, mas não devem descobrir até onde vou. Amo o desconhecimento do futuro e não quero perecer por causa da impaciência e do custo antecipado das coisas prometidas.
(Nietzsche)

Para começar a falar sobre liberdade penso que devemos começar meditando sobre a falta dela e não por ela em si. A liberdade é com freqüência uma muralha a ser derrubada ou um direito a ser conquistado. Não seria também uma exigência feita a todos nós de inventar sua vida?
Em séculos e mais séculos de um uso indevido das palavras, de uma banalização desenfreada, onde elas corrompem e são elas mesmas corrompidas torna-se quase impossível utilizá-las. Mas o que está acontecendo é que estamos ficando sem palavras para dizer o insuportável e para afirmar o nosso querer viver. Em verdade, não há nada mais comum, ambíguo, suscetível e mal-entendido do que a reivindicação da defesa da liberdade. Palavra liberdade que, não raramente, nos soa falsa quando a escutamos e ao pronunciá-la é desprovida de qualquer sabor. Mas às vezes ela se oferece a alguém que desejaria apresentá-la como uma nova verdade, como um novo sabor, ainda que para ele seja preciso primeiro libertar a liberdade de todas essas falsificações que se aderiram a ela e que secretamente a povoam. Quanto ao conteúdo, à própria definição da palavra “liberdade” (que, cantada, não deixa ninguém indiferente), mudam não só em função das épocas, das situações, mas também segundo a idade e o momento de cada um. É por isso que podemos somente falar de nossa liberdade, neste instante preciso.
Se a noção comum de liberdade é a de um livre arbítrio ou a de uma vontade livre, a de uma vontade que não se deixa determinar nem pela fatalidade de um destino nem pelas outras vontades diferentes da sua, o que habitualmente se pensa como liberdade é a potência do sujeito, seu poder de representar-se a si mesmo, de determinar-se a si mesmo, de ser causa de si mesmo. Por isso a liberdade se representa como a propriedade ou o atributo de um sujeito que é dono de seus pensamentos, de seus atos, de seu futuro; de um sujeito que é consciente de si mesmo, dono de si mesmo.
A liberdade continua sendo no entanto um desafio essencial, a merecer todos os nossos cuidados. Se o esquecemos ou o desdenhamos, ainda nos arriscamos a morrer, de outro modo, não nos transes de uma impossível façanha, mas sem brilho, amordaçados pelo conformismo e o tédio, embrutecidos pelas preocupações, sobrecarregados de tarefas, entorpecidos por falatórios telefônicos, alucinados por um mundo que nos escapa, dia após dia. Anestesiados.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Existe Vida Antes da Morte?

“Cientificamente falando, a única certeza que temos de que algo está vivo é quando ele morre.” Quem disse isso foi um professor meu dos tempos de colégio. Confesso que gostaria muito mais de ter ouvido algo como carpe diem, mas... Bem, não sei se meu mestre continua certo ou não (nem mesmo as fantásticas teorias de Einstein estavam totalmente corretas), mas a força de sua afirmação me atingiu como um trovão.
Muito tempo depois, em junho de 1995, eu lia atentamente a edição de CONTOS DE SANDMAN nº 1 a bordo de um não muito confortável ônibus a caminho de minha casa. A cada página lida eu me tornava mais e mais cúmplice da irmã mais velha de Oneiros. Meus ouvidos quase conseguiam sentir o som de poderosas asas batendo perto de mim. Em muitos anos como leitor, aquela tinha sido a primeira vez em que uma história em quadrinhos conseguia mexer comigo. Em alguns aspectos, foi um dia terrível para mim, pois não conseguia tirar da cabeça a cena da Morte tirando o bebê do berço. Não me parecia justo...
Vida e morte. Dois lados opostos de um mesmo motivo, com a mesma intensidade. Morrer é tão natural quanto viver. Sim e não. Neste código binário celestial, todos nós nos rendemos diante de uma única e inevitável certeza, como uma demorada partida de xadrez cujo adversário nunca perde. O xeque é indefensável. Xeque-mate!
Acredito que todos nós já tivemos algum contato com a Ceifadora de Vidas, e sua presença é quase sempre acompanhada de um sentimento de impotência, medo (às vezes, ódio) e dúvida. Não há como evitá-la. Cedo ou tarde, ela sempre chega. É claro, há os que a desejam e aqueles que não a temem e vivem apenas para desafiá-la. Para eles, o sentido da vida pode ser apenas um detalhe ou a chave de um enigma muito maior. Seja como for, ela está sempre por perto, não pelo fato de ser uma emissária do fim da linha, mas por fazer parte da própria vida. Sem ela, a vida não tem sentido.
Sendo assim, vou postar aqui um artigo que fiz, com uma reflexão sobre a Morte, para uma disciplina do curso de Filosofia da Unisinos. Espero que gostem...

EXISTE VIDA ANTES DA MORTE?
—Miserere di me! — gridai a lui —
qual Che tu sii — od ombra od omo certo!
[1]
(Dante Alighieri, La Divina Commedia, 1999, p. 10)

Quem nunca quis morrer
Não sabe o que é viver
[...]
Viver é sair de repente
Do fundo do mar
E voar...
e voar...
cada vez para mais alto
Como depois de se morrer!
(Mário Quintana, Viver, 1997. p. 28)
Ela povoa a nossa imaginação. Oculta-se sob nossas camas. Rasteja nos obscuros recessos de nosso inconsciente primitivo. Não há fuga, não há refúgio a – coisa vai pegar você. A besta, o aniquilador, o Thanatos. O que é? Por que a tememos?
Qual é o seu nome?
A morte há muito inflama a imaginação romântica de sacerdotes e poetas. No entanto, quem é esse hóspede que habita a vida e que os vivos chamaram “morte”? Sempre presente, jamais familiar, sempre recusado, jamais afastado. Estranha convivência que deve ser aceita sem que nela se possa comprazer, estranho habitante que só se pode acolher repelindo. É dessa estranheza que importa cuidar sem esquecê-la jamais. O casal vida-morte parece ser de tal natureza que não se pode esquecer uma sem esquecer a outra. Aprender a manter juntos esses parceiros inimigos, não é isso em que nossa cultura chamamos “ética”? Com certeza. Religiões e filosofias lidaram e ainda lidam com esse casal, germe de que se nutrem suas mais ricas criações especulativas.
Peço desculpas por entregar tais especulações à sua sorte e por entregar-me, usando este espaço, a algumas divagações. Lembro-me agora de alguns discursos religiosos cristãos que vem constituindo ao longo dos séculos grande parte do pensamento Ocidental. Penso nas velhas beatas, já viúvas, ao se reunirem para rezar o terço, anunciavam: “Mais um dia se passou. Mais perto de Vós, meu Deus.” Sem dúvida em um pequeno espaço de tempo à morte havia habitado com elas. Estas avós haviam transfigurado sua morte e, ao mesmo tempo, sua vida: a daquele corpo ameaçado e precário. Aquele corpo destinado à morte anunciava um outro: o corpo glorioso dos ressuscitados, um outro e no entanto o mesmo, mas eternamente vivo.
Não obstante, temos a ameaça de habitarmos, com esse corpo eterno, um outro lugar que não esse ao lado de Deus no Paraíso. Com a criação do Purgatório na Idade Média pela a Igreja e o já existente Inferno, ilustrado posteriormente pelo poeta italiano Dante Alighieri (1265–1321), o Paraíso se torna uma dádiva e não um consolo para a morte. Em A Divina Comédia de Dante a entrada do Inferno é assinalada por uma porta sinistra que se acha encravada no fundo de uma espécie de caverna ou gruta. Nessa porta em letras escuras (Canto III), encontrou o poeta a famosa e imortal legenda que termina com este verso tantas vezes citado: Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate[2] (Alighieri , 1999, p. 17).
A esperança das avós em conquistar o Paraíso por vezes causava preocupações. Elas viviam sua esperança no temor e no tremor. Não haviam lido Dante e nem Platão, ignoravam a morte de Sócrates e a encenação que aquele grande homem de teatro havia produzido no Fédon. Lá fora dito “O corpo é um túmulo” (soma sema) e a alma, esse princípio de vida, devia aprender a dele se libertar e a pensar a morte como o momento da libertação.
Há muito tempo não tenho mais esperança na imortalidade. Tento viver a vida simplesmente na plenitude de qualquer presente que se ofereça. Freqüentemente me pego sonhando em um outro sentido, de modo algum mágoa, que poderiam tomar estas palavras: soma sema. Sema não queria dizer túmulo mas, segundo seu sentido próprio, signo, marca ou sinal. Gostaria muito de entender soma sema como “corpo significante”. E logo descubro que não tenho nenhuma necessidade de forçar-me a isso. Que meu corpo seja significante, isso ele próprio me ensina com sua mera presença. Desde sua vizinhança e em sua singularidade, ele significa minha relação com o mundo e com tudo o que se pode oferecer como não sendo eu: as coisa e os outros. Ele me aponta os caminhos capazes de me levar em direção a eles. Além disso, um corpo humano vivo dá sempre sinal para si mesmo assim que preserva em sua integridade, isto é, na medida em que continua a manter-se vivo.
Quanto à pergunta proposta pela a avaliação penso, eu mesmo, não gostar de algumas respostas, pois como diz Larosa (2003), devemos nos exercitar no silêncio e não perguntar a quem sabe a resposta, nem se quer a parte de nós mesmos que sabe a resposta, porque a resposta poderia matar a intensidade da pergunta e o que nela se agita. Se nós mesmos a perguntamos. Porém, tal reflexão [da morte] me leva a pensar em uma frase “Cuide de sua vida, a morte é tão permanente”, o que poderia ser entendido de outro modo: “Cuide de sua morte, a vida é tão frágil”. Da morte não há nada a temer nem a esperar. Apenas o mundo e os vivos podem ser fonte de inquietude, temor ou esperança, só deles importa cuidar.
Restam os mortos: os outros mortos tão numerosos e tão cotidianos. Uma lembrança quase que sem importância e nada digna de comentários cotidianos, talvez aqui ganhe algum significado. No inverno de 2002 eu estudava espanhol no centro universitário da Feevale, em Novo Hamburgo, onde no intervalo gostava de me sentar em frente ao prédio da fisioterapia. Lá por vezes me deparava com alguns dos cadáveres, que via através da janela, que eram estudados pelos alunos. Talvez ali eu tenha começado a minha meditação sobre a morte. E a pensar o século em que vivemos, marcado pelo Terror e por tantas outras catástrofes. Tanto que me coloco esta questão: como pensar em todos esses corpos mortos? São eles apenas cadáveres abandonados à destruição, fadados à fumaça e às cinzas? Por isso não consigo decidir-me. Todo corpo que foi vivo foi significante. Por mais modesta e fugidia que tenha sido sua relação com o mundo, ele abriu e construiu um caminho, nele deixou rastro. Esse rastro sobrevive; está marcado embora apagado. Reavê-lo, fazê-lo reviver, é tarefa dos vivos. Estes só podem continuar a viver se despertarem os rastros dos corpos mortos. É a única forma de imortalidade que posso conceber; é por isso que não conto nem os dias nem as horas que me separam da morte. Neste mundo inscrevo meus passos.

________________________________

[1] Tradução: Tem compaixão de mim! — gritei-lhe — quem quer que sejas — sombra ou vivente![2] Tradução: Deixai toda esperança, vós que entrais.

Só na Rede...

Por que o Jacaré não vai para o Céu?

segunda-feira, 14 de maio de 2007

A Visita do PAPA ao Brasil.


Nesta última semana o nosso país recebeu a importante e oportuna visita do Papa Bento XVI. E não teria como passar desapercebido, pois, a TV, o rádio, os jornais, a internet, e praticamente todas as mídias informativas conhecidas nos deram um banho de informações sobre a estadia do Santo Padre no Brasil.
Hoje temos o primeiro Santo brasileiro e milhões de fiéis satisfeitos com a, se assim posso chamá-la, "extraordinária semana santa brasileira". A verdade é que a visita do Papa deixou milhões de pessoas completamente desinformadas sobre outros acontecimentos importantes no país. Afinal de contas, tivemos inúmeros debates ao longo da semana sobre as posturas polêmicas, da Igreja Católica e -por sua vez- do Papa, sobre aborto, uso de preservativos entre outras coisas. O que nada mais é do que "correr atrás do próprio rabo", pois, a Igreja jamais vai mudar a sua opinião sobre tais assuntos. Se por ventura a Igreja aprovasse o uso do preservativo ou o do aborto ela acabaria com o "fardo" do Pecado Original e junto com isso com a própria Igreja. Talvez eu devesse explicar melhor estas questões falando sobre a filosofia de Santo Agostinho e a simbiose platonismo-cristianismo, mas, isso tomaria muito tempo e o assunto que me traz aqui não é este.
No início desse texto chamei a visita do Papa além de importante de oportuna, pois, nossos parlamentares acabaram votando o aumento dos próprios salários em quase 30%, enquanto grande parte do país estava ocupada com a visita do Papa e a outra parte preocupada em criticar a ideologia católica com debates que, a meu ver, terminaram como começaram. E para deixar bem claro, a minha critica não vai para o Papa ou a Igreja Católica e sim para estes políticos que se aproveitam desse tipo de situação para beneficio próprio. E que Deus ajude o Brasil...

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Algo sobre Fanzines

O que é Fanzine?
Segundo Edgard Guimarães de um modo geral o fanzine é toda publicação feita pelo fã. Seu nome vem da contração de duas palavras inglesas e significa literalmente 'revista do fã' (fanatic magazine). Alguns estudiosos do assunto consideram fanzine somente a publicação que traz textos, informações, matérias sobre algum assunto. Quando a publicação traz produção artística inédita seria chamada Revista Alternativa. No entanto, o termo fanzine se disseminou de tal forma que hoje engloba todo tipo de publicação que tenha caráter amador, que seja feita sem intenção de lucro, pela simples paixão pelo assunto enfocado.
Assim, são fanzines as publicações que trazem textos diversos, histórias em quadrinhos do editor e dos leitores, reprodução de HQs antigas, poesias, divulgação de bandas independentes, contos, colagens, experimentações gráficas, enfim, tudo que o editor julgar interessante.
Os fanzines são o resultado da iniciativa e esforço de pessoas que se propõem a veicular produções artísticas ou informações sobre elas, que possam ser reproduzidas e enviadas a outras pessoas, fora das estruturas comerciais de produção cultural.
O que não é Fanzine!
Obviamente as revistas profissionais que são vendidas nas bancas não são fanzines. O principal fator de diferenciação é uma conseqüência do fato de terem grandes tiragens e darem lucro. A revista profissional é feita em função de um mercado preexistente. Como precisa vender para se sustentar, a revista profissional tenta oferecer aquilo que uma parcela do público leitor quer, ou seja, a revista profissional é feita em função do leitor. O fanzine, ao contrário, é a forma de expressão do editor, ou grupo de editores. O que define a pauta do fanzine é aquilo que seu editor deseja compartilhar com seus leitores. O fanzine é caracterizado pela independência do editor. E uma das garantias desta independência é que muitas vezes o editor mantém o fanzine arcando com seus prejuízos.
Outra característica do fanzine é que este está intimamente ligado à atividade cultural, à sua divulgação e ao prazer de se estar envolvido nela. Os fanzines podem ser de música, poesia, cinema, quadrinhos, literatura etc. Não são fanzines os diversos boletins e informativos de associações comerciais, de ordens religiosas, de organizações e empresas diversas, mesmo que muitas vezes estes boletins sejam mantidos dando prejuízo.
Fanzine é revista, ou seja, uma publicação impressa em que cada leitor pode ter seu exemplar, como denota o 'magazine' que forma seu nome. Atualmente, com o desenvolvimento da tecnologia, a palavra fanzine já está sendo usada em trabalhos que não estão na forma de revista, mas que trazem o tipo de material encontrado nos fanzines impressos. É o caso de páginas na Internet ou CD-ROMs que são chamados de fanzine eletrônico.
Quando começou?
No Brasil, o primeiro fanzine de que se tem registro é o Ficção, criado por Edson Rontani, em Piracicaba (SP), em 1965. Nesta época usava-se o termo "boletim" para designar as publicações amadoras, o termo fanzine só começou a ser usado a partir de meados da década de 70. A motivação de Edson Rontani foi manter contato com outros colecionadores de revistas de quadrinhos para venda e troca de revistas. Mas já no primeiro número, Edson coloca diversos textos informativos e uma importantíssima relação das revistas de quadrinhos publicadas no Brasil desde 1905.
Por que fazer Fanzine?
Há vários motivos que levam uma pessoa a fazer um fanzine. O motivo que está na origem do surgimento do fanzine é o fato da pessoa ser fã de algum assunto (um personagem de HQ, um ídolo de cinema etc) e querer manter contato com outros aficionados. Às vezes, a iniciativa começa com a criação de um fã-clube que depois produz um boletim. Muitas vezes o editor deseja compartilhar com outros interessados o material de sua coleção. Alguns autores desejam divulgar sua própria expressão artística e o fanzine é o veículo. Muitas vezes, o autor não tem intenção de aumentar sua tiragem, mas sim produzir apenas para um círculo de amigos que tem interesse naquele tipo de manifestação artística. Outros autores buscam a profissionalização e o fanzine é o meio de mostrar seu trabalho para outras pessoas ou para os editores profissionais, e ao mesmo tempo um estímulo para produzir e aprimorar o trabalho. Em resumo, o editor precisa ter algo a dizer e a disposição para materializar este desejo na forma de fanzine, e contatar outras pessoas com interesses comuns.
Como fazer?
A produção de um fanzine abrange as etapas que começam com a iniciativa de editar, passa pelo trabalho de definir linha editorial, conseguir o material a ser editado, manter contato com colaboradores, montar a edição, conseguir a impressão, até chegar ao resultado final que é a edição impressa. A elaboração dos originais da edição depende principalmente da visão do editor, sua capacidade de criar, de contatar outros criadores, de organizar todo o material disponível. A edição será reflexo da formação cultural do editor. Todo tipo de material é válido para compor a edição (HQs, poesias, contos, fotos, ilustrações, colagens etc).
Obviamente, o resultado também dependerá dos recursos materiais que o editor tiver disponíveis, como máquina de escrever, computadores, scanners etc, mas estes não são os ingredientes mais importantes na feitura da edição. O que caracteriza primordialmente um fanzine é a personalidade que seu editor lhe imprime.
Álbum pode ser Fanzine?
Embora, de um modo geral, os fanzines sejam edições mais modestas quanto à forma, pois dificilmente seu editor tem recursos financeiros para custear edições mais caras, regularmente aparecem verdadeiros álbuns no meio independente. A apresentação com alta qualidade gráfica não descaracteriza o fanzine, pois continua sendo uma edição feita com espírito independente.
Há pirataria em Fanzine?
Uma característica bastante presente nos fanzines é a republicação de material de outras publicações. A maior incidência é de histórias em quadrinhos antigas retiradas de revistas das décadas passadas, histórias em quadrinhos estrangeiras não publicadas no Brasil, textos e reportagens tirados de revistas, livros e jornais antigos ou atuais etc. Esta atitude poderia ser chamada de pirataria, e muitos editores até se referem a ela por este nome, pois o termo tem um apelo romântico desde os romances de corsários de séculos atrás. Assim o nome "pirata" tem aparecido em títulos de fanzines, nomes de seções e mesmo em pseudônimo de editor. No entanto, para desilusão dos românticos, esta atitude dos editores não tem nada de contravenção. A edição de fanzines não é uma atividade em que o editor, ao republicar material de autoria de outros, estivesse obtendo benefícios às custas destes trabalhos. Pelo contrário, são raros os fanzines em que a receita consiga alcançar a despesa, sendo que muitas vezes a distribuição dos exemplares é gratuita para um círculo de amigos. O que move o editor de fanzine é o desejo de compartilhar com outras pessoas todo tipo de material a que teve acesso e que considera importante a divulgação a outros interessados. Dentro deste espírito, muitas vezes o editor realiza verdadeiras expedições arqueológicas para trazer a público, ainda que infelizmente a um público muito reduzido, verdadeiros tesouros perdidos em publicações há muito esquecidas. O ponto central da questão é que os fanzines, de forma desinteressada, têm feito um serviço de resgate e difusão de aspectos da cultura muitas vezes negligenciados tanto pelas empresas editoras quanto pelos órgãos governamentais.
Qual a importância dos fanzines?
A primeira e maior importância dos fanzines é a cultural. Ou seja, os fanzines, de um jeito ou de outro, em maior ou menor grau, serão incorporados à cultura brasileira. Também é importante para a formação e amadurecimento de artistas. Nos aspectos crítico e informativo, a liberdade criativa dos fanzines permite a veiculação de trabalhos mais isentos e com maior profundidade. Muito importante é a iniciativa de resgate de trabalhos e autores brasileiros e estrangeiros feito pelos editores de fanzine. A inexistência de um mercado profissional estável para o quadrinhista brasileiro desestimula tanto a produção dos artistas já maduros quanto o desenvolvimento de novos talentos na área. Os fanzines têm promovido, mesmo que de forma bastante limitada, a produção de quadrinhos brasileiros através do incentivo da publicação, mesmo não remunerada e de alcance restrito. Por fim, são também importantes a satisfação pessoal dos editores e colaboradores de estarem divulgando seus trabalhos, ou a ampliação de amizades entre os que participam desse mundo dos fanzines.
Qual a qualidade dos fanzines?
A avaliação de fanzines não pode ser feita usando os mesmos critérios usados para avaliar trabalhos veiculados nas publicações profissionais. Muitas vezes o fanzine é uma obra extremamente pessoal, feita seguindo diretrizes muito próprias do editor e dirigida a um grupo específico de leitores. Com tantas especificidades, a obra está fora da capacidade de apreciação de quem não pertença ao grupo. Em alguns casos, o Fanzine é resultado da expressão de pessoas muito jovens, cujos trabalhos não têm maturidade artística, e não seria honesto avaliá-los pelos mesmos critérios usados nos trabalhos profissionais. Ao contrário, a atitude a ser tomada em relação a quem está procurando achar seu caminho artístico, aprendendo e evoluindo, deve ser de orientação e principalmente incentivo. Há, contudo, no meio independente, artistas completos, produzindo trabalhos que resistem à avaliação segundo critérios profissionais, tanto que uma parcela significativa das melhores HQs e revistas produzidas no Brasil nos últimos trinta anos se encontram no meio independente.
_______________________

Daniel Cunha edita o fanzine Pergaminho desde meados de 2005. O zine Pergaminho trata de assuntos ligados a literatura Fantástica e Ficção Científica (FC) trazendo em seu interior resenhas e comentários de livros e grandes Clássicos deste gênero, tanto na literatura como em outras mídias (HQs, Filmes, etc.). Pergaminho está em fase de elaboração de sua 4º edição.

Referência da Imagem:
Capa do primeiro fanzine.

terça-feira, 8 de maio de 2007

A Guerra da Barba

A GUERRA DA BARBA
Anões e Elfos em uma amarga
guerra

Anthony Reynolds

Tradução
Daniel Cunha



Este é o primeiro dos artigos em que se
descreve a épica Guerra da Barba. Esta guerra
deu-se no inicio dos tempos, muito antes
da aparição dos humanos. Anthony Reynolds
nos relata esta época calamitosa.



Há muito, muito tempo, 2.000 anos antes do nascimento de Sigmar, o renomado Rei Fênix Caledor I governava Ulthuan em uma época de turbulências marcada por uma guerra civil que havia entristecido a nação élfica. Enquanto irmãos lutavam contra irmãos pelo domínio da ilha e a posse da coroa do Rei Fênix, Caledor se colocou à frente de seus súditos Leais para enfrentar o traidor Malekith, que, finalmente, foi expulso de Ulthuan. Apesar dos problemas que haviam induzido os Altos Elfos, continuavam sendo uma nação poderosa, sua magia estava em pleno apogeu e os cavaleiros de dragões seguiam sobrevoando o céu de sua ilha.
As ruas de Ulthuan se preencheram de gritos de desespero e lamentações quando Caledor morreu. O Rei Fênix havia deixado a seu sucessor, seu filho Caledor II, um exército forte e a frota de navios mais poderosa de todo o Velho Mundo, porém os Altos Elfos iriam conhecer em pouco tempo a loucura de um reinado hereditário.
Ainda que por suas veias corria o sangue de seu pai,Caledor II não compartilhava nem do bom juízo nem da sabedoria dele. O jovem Rei Fênix era irascível, impetuoso, altivo e vaidoso. Era um guerreiro poderoso, mas, o que precisamente Ulthuan buscava com desespero era encontrar a estabilidade, não existia um governante que poderia estar mais distante de proporcioná-la.
No principio de seu reinado, as rotas de comércio com os Anões, que haviam permanecido fechadas durante a época da guerra civil dos Altos Elfos, voltaram a restabelecer-se. Os Anões encontravam-se no zênite de seu poder e seus ferreiros rúnicos possuíam um conhecimento de sua arte muito superior ao que têm na atualidade. O aço das forjas anãs era o melhor do Velho Mundo e os elaborados brinquedos com mecanismos de relojoaria que construíam eram a delicia dos meninos Elfos. Existiam enormes rotas subterâneas que uniam entre si as crescentes fortalezas anãs e os Anões sabiam muito pouco das lutas sofridas pela raça élfica, por que pensavam que se encontravam a salvo de todo o perigo.
___________________________
Artigo em tradução...

Anos 80

Anos 80
por Angelo Martinicorena

Há quem fale: “como eram bons os anos 80, e eu não sabia”. Foi o berço musical de grandes estilos, um dos principais foi o Heavy Metal, aonde já vinha engatinhando.
Nos finais dos anos 70, claro que nesse período setentista o movimento punk estava em alta, bandas como Clash, Sex Pistols eram o molde de conduta para adolescentes do subúrbio de grandes metrópoles. Não se pode esquecer da mais punk e política banda de todos os tempos o Dead Kennedys.
Mas já na chegada dos primórdios dos anos 80, bandas como Judas Priest, Saxon, e a espetacular Iron Maiden , demonstravam força de um novo estilo. Onde a imprensa musical a denominou como New Wave of British Heavy Metal (ou a famosa da sigla NWOBHM). Com o visual bastante agressivo com correntes, cabelos compridos, que chocavam a sociedade, onde os denominavam “metaleiros”, mas na verdade o verdadeiro codinome era e ainda é headybangers (batedores de cabeça).
Alem do Maiden, o próprio Ozzy que já havia saído do Black Sabbath iniciou sua carreira solo que eu particularmente acho a melhor fase do artista. Bandas como o Kiss estouram aqui no Brasil ao fazer uma turnê avassaladora aqui no nosso país exatamente um ano antes do melhor festival de rock de todos os tempos, Rock`in Rio de 1985. A partir desse mega evento, que reuniu bandas como Scorpions, Whitesnake, Ozzy Osbourne, AC/DC e Iron Maiden, explode de vez o movimento aqui no nosso país tupiniquim. Jovens com cabelo comprido, calças rasgadas, com jaquetas desbotadas com vários pats de bandas (remendos), adotam esse estilo tão criticado pela sociedade e a igreja, pois acreditavam que tais bandas faziam apologia ao diabo.
Ao final dessa década começa a surgir segmentos do Heavy Metal, como o Trhash Metal, que veremos em outra oportunidade. Claro que poderíamos falar paginas e mais paginas desse estilo grandioso que marcou e marca ate hoje.
________________________________

Artigo feito por Angelo Martinicorena do Blog Metalloween escrito originalmente para o fanzine Coisas da Vida em abril de 2004.

"Heavy Metal está no meu sangue desde os meus 9 anos de idade. Além de um grande apreciador de mitologia nórdica". Angelo Martinicorena.
Página no Orkut.

Beowulf



Beowulf
Em um pequeno passeio pelas inúmeras livrarias de Montevideu no ano de 2003 me deparo com um pequeno livro chamado Beowulf. Eu que, desde minha adolescência, era um amante da literatura de Tolkien até então não tinha tido a oportunidade de ler o clássico poema épico que o havia inspirado para sua maior obra O Senhor dos Anéis. E, sem pensar muito, comprei-o, entre tantos outros livros este foi o único que não esperei o meu retorno para o Brasil para começar a lê-lo. Aquele pequeno clássico de bolso acabou me custando algumas boas palestras que perdi na Universidade Federal de Montevideu por estar completamente absorvido pela literatura em questão. Enfim, estou postando esse artigo para o meu amigo Angelo Martinicorena, que é um fã de mitologia nórdica, com a intenção de começar uma série de artigos dedicados a este tema.

O Poema
Beowulf (c. entre 700 - 750 d.C.)[1] é um poema épico tradicional, escrito em inglês antigo[2] com o emprego de aliteração. Com 3.180 versos – é mais longo do que qualquer outro poema em inglês antigo –, representando aproximadamente 10% do conjunto da literatura anglo-saxã[3] que sobreviveu até hoje. O poema não contém um título no manuscrito, mas é conhecido como Beowulf desde o começo do século XIX. É o mais antigo poema escrito em língua moderna e é um dos mais célebres poemas épicos, um marco na literatura medieval.
Se você não leu Beowulf, eis um pouco de informação adicional, começando por um fato curioso. Este poema, tão importante na literatura inglesa, passa-se inteiramente fora da Inglaterra. Toda a ação transcorre na Escandinávia porque o poema se baseia em lendas levadas à Inglaterra junto com a nova língua.
Ambientado em uma era de guerras entre os dinamarqueses, os suecos e uma tribo chamada geats (vinda do que é hoje a Suécia meridional), o poema é, em grande parte, dedicado a lutas entre o guerreiro geatBeowulf– e três criaturas. Os eventos principais transcorrem como segue:
Podemos dividi-lo em três partes. A primeira parte narra as aventuras do herói homônimo, que viaja a corte do rei Hrothgar para o livrar da terrível predação do demônio Grendel, um grande ogro[4] que busca vingança pela morte de seu pai. Beowulf vence e fere mortalmente Grendel em duelo antes que ele fuja, utilizando por arma apenas as suas mãos nuas. Num segundo momento, a mãe de Grendel vem vingar a morte do filho com novas carnificinas. Beowulf segue o seu rasto até uma caverna submarina onde a combate e vence. O relato então é cortado por um longo hiato temporal e no terceiro e último momento do poema encontramos o mesmo Beowulf, já idoso e rei entronado do seu país, que volta a ação e intenta a façanha de livrar o seu reino de um dragão, que fora acordado por um servo que roubara uma taça do seu tesouro. Beowulf ataca o dragão na sua própria caverna, mas apenas consegue matá-lo a custo da sua própria vida. O poema termina com o funeral do rei e herói.
O poema, naturalmente, é muito mais do que uma simples sucessão de cenas de luta. Permanece como a mais famosa obra de seu tempo por causa de seu estilo, seus detalhes reveladores e seus temas grandiosos. Este épico poema, como já fora dito anteriormente, serviu como uma das fontes de inspiração para a obra de Tolkien, O Senhor dos Anéis, que pegou emprestado um pouco de cada um desses ingredientes.

Tradução
Em português há uma tradução (a primeira) tendo como base o texto original em inglês arcaico e textos de duas edições em inglês moderno, feita por Ary Gonzales Galvão, com introdução e notas do tradutor.
GALVÃO, Ary Gonzales (trad.). Beowulf. São Paulo: Hucitec, 1992.
A edição que tenho é uma tradução para o espanhol feita por Roberto Rosaspini Reynolds.
REYNOLDS, Roberto Rosaspini (adap.). Beowulf. 1ª ed. Buenos Aires: Longseller, 2003, 256 pág.
Notas
__________________________________________________

[1] Considerada a mais antiga obra literária em inglês, Beowulf provavelmente foi composta no século VIII. Apenas um exemplar do texto em antigo inglês, redigido cerca de duzentos anos mais tarde, sobrevive até hoje. Está no Museu Britânico.
[2] Antes que o antigo inglês chegasse com os anglo-saxões em meados do século V d. C., a maioria dos britânicos falavam formas de céltico. O antigo inglês transformou-se no médio inglês à medida que novas palavras chegaram com a Conquista Normanda (Francesa) de 1066. O inglês moderno começou a surgir por volta de meados do século XV.
[3] O antigo inglês, também chamado de anglo-saxão, uma língua levada à Grã-Bretanha por volta de 449 d.C. por tribos invasoras da Europa (“anglo-saxão” vem dos nomes das tribos: anglos, saxões e jutos).
[4] Os ogros que são um tipo de variação dos trolls, que por sua vez são, na mitologia nórdica, os gênios do mal, que estão em contínuo enfrentamento com os deuses. Uma das lendas mais conhecidas que os envolvem é aquela que conta como Trym, rei dos trolls, roubou o martelo de Thor (que lhe dava toda a sua força), quando este dormia, e o enterrou a 5 km no fundo da terra. Exigiu, então, como preço do resgate, que lhe fosse dada Freyja (deusa da fertilidade) como esposa. Thor se disfarça de mulher e se apresenta como noiva. Quando é trazido o martelo para as núpcias, Thor o recupera e mata os trolls. Essa era a explicação mitológica nórdica para a alternância das estações. Aquelas em que havia ausência de chuvas e seca nas terras seriam aquelas em que os trolls haviam roubado o martelo de Thor e em que a deusa da fertilidade estava correndo risco de se tornar esposa do rei dos trolls, cujo intuito era justamente destruir Midgard (Reino do Meio).

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Ícaro


Na mitologia grega, Ícaro (grego: Íkaros, língua etrusca: Vicare, alemão: Ikarus) ficou famoso pela sua morte por cair dentro do Egeu quando a cera segurando suas asas artificiais derreteram.
Ícaro era filho de Dédalo, um dos homens mais criativos e habilidosos de Atenas. Um dos maiores feitos de Dédalo foi o labirinto do palácio do rei Minos de Creta, para aprisionar o Minotauro. Por ter ajudado Ariadne, a filha de Minos a fugir com Teseu, Dédalo provocou a ira do rei que, como punição, ordenou que Dédalo e seu filho fossem jogados no labirinto.
Dédalo sabia que sua prisão era intransponível, e que Minos controlava mar e terra, sendo impossível escapar por estes meios. "Minos controla a terra e o mar", disse Dédalo, "mas não as regiões do ar. Tentarei este meio".
Dédalo projetou asas, juntando penas de aves de vários tamanhos, amarrando-as com fios e fixando-as com cera, para que não se descolassem. Foi moldando com as mãos e com ajuda de Ícaro, de forma que as asas se tornassem perfeitas como as das aves. Estando o trabalho pronto, o artista, agitando suas asas, se viu suspenso no ar. Equipou seu filho e o ensinou a voar. Então, antes do vôo final, advertiu seu filho de que deveriam voar a uma altura média, nem tão próximo ao Sol, para que o calor não derretesse a cera que colava as penas, nem tão baixo, para que o mar não pudesse molhá-las. Dédalo beijou seu filho com lágrimas nos olhos e as mãos tremendo, levantou vôo e foi seguido por ele.
Eles primeiramente se sentiram como deuses que haviam dominado o ar. Passaram por Samos e Delos à esquerda, e por Lebinto à direita.
Ícaro deslumbrou-se com a bela imagem do Sol e, sentindo-se atraído, voou em sua direção esquecendo-se das orientações de seu pai, talvez inebriado pela sensação de liberdade e poder. A cera de suas asas começou rapidamente a derreter e logo caiu no mar. Quando Dédalo notou que seu filho não o acompanhava mais, gritou: "Ícaro, Ícaro, onde você está?". Logo depois, viu as penas das asas de Ícaro flutuando no mar. Lamentando suas próprias habilidades, enterrou o corpo numa ilha e chamou-a de Icaria em memória a seu filho. Chegou seguro à Sicília, onde construiu um templo a Apolo, deixando suas asas como oferenda.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Encontrado em <http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dcaro>, no dia 03 de maio de 2007 às 9h e 44min.
Referência da Imagem: A Queda de Ícaro, óleo sobre tela de J. P. Gowy a partir de um esboço de Rubens, século XVII.