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terça-feira, 8 de maio de 2007

Beowulf



Beowulf
Em um pequeno passeio pelas inúmeras livrarias de Montevideu no ano de 2003 me deparo com um pequeno livro chamado Beowulf. Eu que, desde minha adolescência, era um amante da literatura de Tolkien até então não tinha tido a oportunidade de ler o clássico poema épico que o havia inspirado para sua maior obra O Senhor dos Anéis. E, sem pensar muito, comprei-o, entre tantos outros livros este foi o único que não esperei o meu retorno para o Brasil para começar a lê-lo. Aquele pequeno clássico de bolso acabou me custando algumas boas palestras que perdi na Universidade Federal de Montevideu por estar completamente absorvido pela literatura em questão. Enfim, estou postando esse artigo para o meu amigo Angelo Martinicorena, que é um fã de mitologia nórdica, com a intenção de começar uma série de artigos dedicados a este tema.

O Poema
Beowulf (c. entre 700 - 750 d.C.)[1] é um poema épico tradicional, escrito em inglês antigo[2] com o emprego de aliteração. Com 3.180 versos – é mais longo do que qualquer outro poema em inglês antigo –, representando aproximadamente 10% do conjunto da literatura anglo-saxã[3] que sobreviveu até hoje. O poema não contém um título no manuscrito, mas é conhecido como Beowulf desde o começo do século XIX. É o mais antigo poema escrito em língua moderna e é um dos mais célebres poemas épicos, um marco na literatura medieval.
Se você não leu Beowulf, eis um pouco de informação adicional, começando por um fato curioso. Este poema, tão importante na literatura inglesa, passa-se inteiramente fora da Inglaterra. Toda a ação transcorre na Escandinávia porque o poema se baseia em lendas levadas à Inglaterra junto com a nova língua.
Ambientado em uma era de guerras entre os dinamarqueses, os suecos e uma tribo chamada geats (vinda do que é hoje a Suécia meridional), o poema é, em grande parte, dedicado a lutas entre o guerreiro geatBeowulf– e três criaturas. Os eventos principais transcorrem como segue:
Podemos dividi-lo em três partes. A primeira parte narra as aventuras do herói homônimo, que viaja a corte do rei Hrothgar para o livrar da terrível predação do demônio Grendel, um grande ogro[4] que busca vingança pela morte de seu pai. Beowulf vence e fere mortalmente Grendel em duelo antes que ele fuja, utilizando por arma apenas as suas mãos nuas. Num segundo momento, a mãe de Grendel vem vingar a morte do filho com novas carnificinas. Beowulf segue o seu rasto até uma caverna submarina onde a combate e vence. O relato então é cortado por um longo hiato temporal e no terceiro e último momento do poema encontramos o mesmo Beowulf, já idoso e rei entronado do seu país, que volta a ação e intenta a façanha de livrar o seu reino de um dragão, que fora acordado por um servo que roubara uma taça do seu tesouro. Beowulf ataca o dragão na sua própria caverna, mas apenas consegue matá-lo a custo da sua própria vida. O poema termina com o funeral do rei e herói.
O poema, naturalmente, é muito mais do que uma simples sucessão de cenas de luta. Permanece como a mais famosa obra de seu tempo por causa de seu estilo, seus detalhes reveladores e seus temas grandiosos. Este épico poema, como já fora dito anteriormente, serviu como uma das fontes de inspiração para a obra de Tolkien, O Senhor dos Anéis, que pegou emprestado um pouco de cada um desses ingredientes.

Tradução
Em português há uma tradução (a primeira) tendo como base o texto original em inglês arcaico e textos de duas edições em inglês moderno, feita por Ary Gonzales Galvão, com introdução e notas do tradutor.
GALVÃO, Ary Gonzales (trad.). Beowulf. São Paulo: Hucitec, 1992.
A edição que tenho é uma tradução para o espanhol feita por Roberto Rosaspini Reynolds.
REYNOLDS, Roberto Rosaspini (adap.). Beowulf. 1ª ed. Buenos Aires: Longseller, 2003, 256 pág.
Notas
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[1] Considerada a mais antiga obra literária em inglês, Beowulf provavelmente foi composta no século VIII. Apenas um exemplar do texto em antigo inglês, redigido cerca de duzentos anos mais tarde, sobrevive até hoje. Está no Museu Britânico.
[2] Antes que o antigo inglês chegasse com os anglo-saxões em meados do século V d. C., a maioria dos britânicos falavam formas de céltico. O antigo inglês transformou-se no médio inglês à medida que novas palavras chegaram com a Conquista Normanda (Francesa) de 1066. O inglês moderno começou a surgir por volta de meados do século XV.
[3] O antigo inglês, também chamado de anglo-saxão, uma língua levada à Grã-Bretanha por volta de 449 d.C. por tribos invasoras da Europa (“anglo-saxão” vem dos nomes das tribos: anglos, saxões e jutos).
[4] Os ogros que são um tipo de variação dos trolls, que por sua vez são, na mitologia nórdica, os gênios do mal, que estão em contínuo enfrentamento com os deuses. Uma das lendas mais conhecidas que os envolvem é aquela que conta como Trym, rei dos trolls, roubou o martelo de Thor (que lhe dava toda a sua força), quando este dormia, e o enterrou a 5 km no fundo da terra. Exigiu, então, como preço do resgate, que lhe fosse dada Freyja (deusa da fertilidade) como esposa. Thor se disfarça de mulher e se apresenta como noiva. Quando é trazido o martelo para as núpcias, Thor o recupera e mata os trolls. Essa era a explicação mitológica nórdica para a alternância das estações. Aquelas em que havia ausência de chuvas e seca nas terras seriam aquelas em que os trolls haviam roubado o martelo de Thor e em que a deusa da fertilidade estava correndo risco de se tornar esposa do rei dos trolls, cujo intuito era justamente destruir Midgard (Reino do Meio).

2 comentários:

Cláudia B. disse...

Conhece a obra Beowulf publicada pela Artes e Ofícios Editora, de Porto Alegre? Também têm o "As Melhores Histórias da Mitologia Nórdica" e "O anel dos Nibelungos"
www.arteseoficios.com.br

Confesso que ainda não li até o final nenhuma das três, mas sei que são dos livros mais procurados da Editora.

Abraços!

Cláudia B. disse...

Ah sim, são em prosa estas que falei!