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segunda-feira, 11 de junho de 2007

Teatro Antigo

É fascinante e curioso o modo como a arqueologia olha para o passado a partir dos restos do trabalho humano (a cultura material) sob a ação do tempo, produzidos de forma desigual pela humanidade e resgatados parcialmente pela história. Graças a estes estudos podemos, hoje, entender um pouco de nossa história. Sendo assim não seria diferente com o teatro. Não só a arqueologia, mas a história em si nos possibilitou, que ainda hoje possamos conhecer e entender um pouco mais de algumas das muitas obras de tragediógrafos como Ésquilo, Sófocles e Eurípides dentre tantos outros. Obras estas que ainda hoje povoam nossos palcos por todo o mundo.
O teatro antigo nasceu e se desenvolveu dentro de duas das grandes civilizações antigas que conhecemos, a da Grécia (Hélade) e a de Roma. Porém, este teatro vai muito além, como muitos devem pensar, de uma simples representação e entretenimento. Sua história interessa a toda cultura ocidental, sobre a qual exerceu uma influência muito importante.
Influência esta, que se exerceu muito intensamente na vida moral das pessoas através dos séculos. O teatro foi um meio poderoso de ação, um veículo para difundir e impor idéias e mentalidades com eficácia e alcance maiores que os dos livros. E neste contexto, o teatro esteve como meio de expressão privilegiado nos dois grandes momentos da humanidade: na Antiguidade Clássica e no Renascimento europeu.
O teatro antigo é um complexo fenômeno literário e humano. Sua vida estendeu-se por um período muito longo, sobre a qual temos os primeiros registros datados do século VI a.C., ou mais precisamente, de 534 a.C., período este que se estende até as últimas obras dramáticas por nós conhecidas, as tragédias de Sêneca, escritas entre 45 e 60 depois de Cristo. Somente aqui, podemos constatar uma vida de, no mínimo, seis séculos. Não obstante, se considerarmos as possíveis obras desconhecidas, anteriores a 534 ou posteriores a Sêneca, o teatro antigo perdura por aproximadamente setecentos ou oitocentos anos.
Podemos dizer que o teatro originou-se, na Grécia, a partir de uma celebração religiosa ao deus Dionísio (Baco). Estas celebrações consistiam em declamações líricas apresentadas para o público por um coro, com acompanhamento musical. Declamações estas, que contavam os feitos de Dionísio e outros deuses e heróis que, em alguns momentos, se davam através de representações mimadas.
Como foi dito anteriormente, este teatro se desenvolveu dentro de duas das grandes civilizações antigas, com sistemas de sociedade muito diferentes, a de Atenas na Grécia e a de Roma. Desta forma, o teatro antigo teve como sua primeira língua o grego e posteriormente o latim. Teatro este, que é formado, essencialmente, por dois grandes tipos, a tragédia e a comédia. A tragédia é, na Grécia, o gênero mais aclamado, entretanto, os romanos posteriormente irão privilegiar mais a comédia em relação à tragédia.
Contudo, muitas vezes limitamos nosso conhecimento ao teatro literário, que foi conservado através dos séculos até nós pelos textos. Para conhecer o teatro antigo, além dos seus textos, no que diz respeito a sua interpretação, devemos ir além da obra escrita e recorrer a todas as informações possíveis que o possam complementar. Para tal, recorremos à arqueologia que com muita dificuldade e sempre com hipóteses inverificáveis, dentre elas o local do espetáculo, permite-nos entender um pouco de sua evolução, e nos traz, pelo menos em parte, informações sobre os meios materiais disponíveis através dos séculos.
Em suma, a história do teatro antigo divide-se em “zonas” obscuras e claras, entre as quais encontramos desde a penumbra até a obscuridade completa. Que bom seria se nós, historiadores, pudéssemos fazer tal o herói da lenda, que desce ao poço do Purgatório para enfrentar o algoz, derrotar as fraquezas pessoais e finalmente ser purificado, retornando para casa com a dádiva do fogo. Essa é a jornada de Prometeu. Nós, por outro lado, precisamos, com muita diligência e conhecimento, estudar as manifestações e as sociedades humanas na esperança de que com novas descobertas possamos lançar um pouco mais de luz na obscuridade de nossos passados mais recônditos.

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