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quinta-feira, 5 de julho de 2007

Anos 80 II

Quando os primeiros desenhos animados japoneses (animes) desembarcaram no Brasil, ninguém entendia por que os personagens tinham olhos tão abertos. Nem porque suas histórias eram tão criativas e, ao mesmo tempo, tão próximas da realidade. Aos poucos, porém, eles arrebataram um público fiel, que ficava paralisado em frente à TV, torcendo, rindo e até chorando com o enredo hipnotizante de cada aventura. Aqui, através do meu mais novo colaborador que atende pelo nome de Gatonn, você relembra um pouco da história de um desses sucessos que marcaram a infância de varias gerações. E sendo um pouco mais especifico: a geração dos anos 80, a qual eu faço parte e certamente tive o privilégio de assistir a mais esse anime. Porém, antes quero fazer uma pequena introdução ao artigo do Gatonn:
No início dos anos 70, a televisão brasileira começou a exibir seus primeiros programas em cores. Entre algumas novelas, transmissões esportivas, e várias atrações que eram a última moda para o público da época, os telespectadores viram, pela primeira vez, desenhos animados que em nada se pareciam com os da Disney ou da Hanna Barbera, com os quais estavam acostumados. Foi uma revolução em termos estéticos: histórias futuristas, com narrativas complexas, extremamente bem costuradas faziam das tramas americanas as mais tolas das fábulas infantis. E mais do que tudo, aqueles olhos enormes, que despejavam lágrimas ainda maiores, eram inéditos para o público. Quem não se lembra da princesa Saphire, de Speed Racer e de Fantomas, o guerreiro da justiça? Ou dos infantis Guzula e Super Dínamo? E de cenas que ficaram guardadas em algum lugar da memória, permeadas por bordões do tipo “ele se julgava o demolidor”, de Savamu, ou pelos clássicos temas de abertura, como “go Speed Racer, go Speed Racer, go”. Eles foram os pioneiros de uma cultura que atende pelo nome de anime (do inglês animation) e que faz parte do cotidiano de fãs por todo o mundo. Nas décadas seguintes, mais desenhos surgiram, tomando conta da programação das emissoras brasileiras. Alguns viraram fenômenos só no final dos anos 80 (como Sailor Moon e Cavaleiros do Zodíaco) e mantiveram a mania no ar, conquistando cada vez mais o público.
A animação japonesa já faz parte do dia-a-dia de milhares de brasileiros, de todas as idades, há mais ou menos 30 anos, quando os primeiros desenhos foram exibidos no país. O Brasil foi, ao lado dos Estados Unidos, um dos países onde a mania do anime se disseminou. As opiniões são as mais variadas e qualquer classificação sempre parecerá parcial, mas há um certo consenso em afirmar que Speed Racer, Patrulha Estelar e Cavaleiros do Zodíaco, são os animes mais importantes das décadas de 70, 80 e 90, respectivamente. Contudo, o nosso amigo e colaborador Gatonn diz que devemos acrescentar o famoso e inesquecível Macross na lista de mais importante na década de 80.
Bom, no mais era isso. Que o nosso novo colaborador Gatonn seja bem vindo e uma boa leitura a todos.

Daniel Cunha

MACROSS

Em 03/10/1982, foi exibido no Japão o primeiro capítulo deste mega-hit. Em Macross contava-se a história de uma enorme nave alienígena que caíra na Terra. Temendo uma invasão extraterrestre, os governos da Terra Unem-se e formam uma força única de defesa, a U.N. Spacy. Dez anos depois, surgem os Zentraedis caçando a nave desaparecida, e ao encontrá-la “crescem o olho” sobre a Terra.
Assim começou uma inesquecível saga com batalhas emocionantes, uma trilha sonora satisfatória e um belo romance tipicamente comum nas animações japonesas que ficava por conta de Ichijo Hikaru, piloto de caça, a Capitã Misa Hayase e a cantora Linn Minmay, formando assim o clássico “triangulo amoroso”.
Mas nem tudo é um mar de rosas. Macross foi para os Estados Unidos e virou baderna...

ROBOTECH: A BADERNA COMEÇA!

Os americanos zoaram o barraco. A série foi rebatizada com Robotech, e os nomes dos personagens foram, também, alterados. Até aí...
Quando foi exibida nos EUA (Estados Unidos), Macross também foi sucesso. Mas, a série acabava no episódio 36 e o povo gringo pedia mais! Aí entrou um lance:
A representante da marca Robotech nos EUA comprou mais duas séries de robôs. Mospeada e Southern Cross e juntou tudo num “balaio”. Mospeada virou Robotech II e Southern Cross, por sua vez, virou Robotech Masters! E o roteiro foi todo escrito novamente!
Mas Robotech/Macross arrebatou uma legião de fãs onde foi exibida, e firmou de vez no povo gringo o gosto pela animação japonesa. E Robotech pode ser considerado, juntamente com Patrulha Estelar, como o “detonador” da “Mangamania” nos EUA.
Já no Brasil...

MACROSS E ROBOTECH, EXIBIDOS AO MESMO TEMPO!!!

Se lá foi um “rolo”, aqui então nem se fala! A primeira aparição de Macross no Brasil foi no longa metragem para cinema (MacrossA Batalha Final), que foi lançado em vídeo em 1988 pela Brazil Home Vídeo e depois mostrado pela extinta TV Manchete. Já o filho bastardo, Robotech, foi exibido na Globo nos anos 90. Pelo menos exibiram toda a parte referente ao Macross original, mas a segunda parte, saiu do ar pela metade, (aliais, o que é bem normal em se tratando da Rede Globo, recentemente em 2005 o anime Inu Yasha foi interrompido no episódio 31 de 151 mais ou menos) e ficou por isso mesmo. Um grande respeito pelo público...
Em vídeo, foram lançadas três fitas da série Robotech I (o Macross original), pela distribuidora Transvídeo. Todas estas fitas estão fora de catálogo! Se você achar, parabéns!
E para bagunçar ainda mais, o Macross original foi também exibido na TV com o nome de A Guerra nas Galáxias!
Primeiro, A Guerra nas Galáxias rodou o interior do Brasil, até ser exibido pela Record e a CNT. Tirando o título besta os nomes dos personagens originais e a trilha sonora foram mantidos, sendo assim, todas as musicas são cantadas por Mari Lijima, a dubladora oficial de Linn Minmay, e não por uma dubladora como foi no Brasil e nos EUA.
E, para completar a salada, foram lançadas no nosso mercado de vídeo duas fitas da série Robotech II, pela distribuidora Mundial, com a “continuação” do Macross, versão americana embromada. Não está 100%, mas é a única.
Cuidado! Se você não assistiu Macross, o original, você pode se embananar com a história, cheia de flashbacks do Macross original e meias-explicações. Mas, as cenas de combate compensam o desenho.
Percebeu o “suadouro”? Se quiser encarar, boa sorte. Você vai precisar!


Gatonn (pseud.)





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Gatonn é fã incondicional de animação japonesa (anime) e está prestes a desenvolver um blog sobre o assunto. Bom, enquanto ele não põe no ar o seu blog ficamos com suas colaborações no Café de Ícaro.

2 comentários:

Éver disse...

E aí Daniel ! Achei teu Blog ! Te linkei lá no SOLO ! Abraço !

Daniel Cunha disse...

Grande Éver!

Valeu pela visibilidade. Fico muito grato por estar me proporcionando mais um ponto importante de divulgação para o meu blog. Mesmo que ele não tenha nada de importante para ser divulgado...

Mais uma vez obrigado e um grande abraço.