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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Confraria da Leitura

A Confraria da Leitura terminou as suas atividades do ano de 2010 com a leitura de sete (7) livros ao longo deste ano. Os livros escolhidos foram: Fernão Capelo Gaivota [Richard Bach]; Noite [Erico Verissimo]; As Brumas de Avalon vol 1 [Marion Z. Bradley]; Os Frutos Dourados do Sol [Ray Bradbury]; A Mulher que Escreveu a Bíblia [Moacyr Scliar]; Vôo Noturno [Antoine de Saint-Exupery] e Travessuras da Menina Má [Mario Vargas Llosa].

A iniciativa do projeto foi da Professora e Autora Liliane Greuner durante a 24ª Feira do Livro de São Leopoldo (2009). As reuniões da Confraria acontecem sempre na terceira quarta-feira de cada mês às 19h na Livraria do Trem. A finalidade das reuniões é a de sentar para tomar um saboroso cafezinho enquanto discutimos o livro escolhido para aquele mês. Já estamos definindo as leituras do ano de 2011. A Confraria da Leitura é aberta a quem quiser participar o único pré-requisito é gostar de ler.

O grupo retornará as suas atividades em março de 2011 para maiores informações é só entrar em contato com a Livraria do Trem no fone: (51) 3037-7857 com Daniel Cunha.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

25ª Feira do Livro de São leopoldo


As memórias dos fatos mais marcantes das nossas vidas são extensas. Mantém-se, por vezes, quase de forma indelével no nosso ser. Há livros que leio e cujas idéias se desvanecem da minha mente, tão fugazes como a imagem de um rosto de um qualquer transeunte inusitado, com quem me cruzo no passeio a caminho do trabalho. Porém, as memórias dos grandes livros, aqueles que nos cunham e timbram o caráter, são como rochas. Ou como aquelas pessoas, preciosas, que nos fixam sentimentos, criam laços; e essas memórias apenas se corroem, se atenuam, com muito tempo e longa distância.

Fica aqui o meu convite para a 25ª Feira do Livro de São Leopoldo que iniciará neste sábado dia 27 de novembro e vai até o dia 05 de dezembro na Praça 20 de Setembro (Praça da Biblioteca) no centro da cidade.


Aproveite esta oportunidade e compre alguns livros...

Daniel Cunha
“Ler torna as pessoas perigosamente mais humanas”...

Cliente nosso de cada dia XVI

Entra uma cliente, dos seus onze, doze anos, de sorriso nos lábios e com um livro na mão, nitidamente, já lido.

― Olhe, por favor, eu queria um daqueles livros que nunca acabam.

O livreiro sisudo e com falta de jeito –que evidentemente não é da nossa casa–, fica pensativo com a pergunta e responde com outra:

― Um livro que não acaba!?... A qual dos sentidos metafóricos está se referindo, isto é, deseja um clássico intemporal, um calhamaço de mil páginas ou, uma daquelas sagas chatas e compridas que nunca mais acabam?

A pequena, meio confusa, titubeante com a reação do livreiro, responde:

― Pode ser esse do metafórico. Desde que seja para eu ler.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Cliente nosso de cada dia XV

Entra uma cliente com ar de uma felicidade etérea.


― Há quarenta anos estudo com o maior Professor de O Poder da Mente. E hoje vou atravessar o Rio dos Sinos, andando sobre as suas águas.

― Sim!?…

― Por isso, venho aqui comprar uma Bíblia, novinha em folha, para levar comigo nesta travessia.

O livreiro, muito surpreendido (preparando-se para chamar o 192), alerta a cliente numa tentativa desesperada de chamá-la à razão:

― Desculpe, eu não tenho intenção de me intrometer, é que eu não tenho bíblias impermeáveis.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Cliente nosso de cada dia XIV

- Eu desejava um livro para garotas, tipo um diário de uma jovem que transmitisse valores morais, religiosos e bons costumes. Um livro que fosse um exemplo de vida para as meninas a quem eu dou catequese?

O livreiro pensando um bom bocado para não meter água.

- Que tal o Diário de Uma Princesa?

A cliente um pouco desconfiada, interroga:

- Essa princesa é das boazinhas ou é daqueles que têm uma vida completamente leviana?

- Ó minha senhora, esteja descansada. As levianas não têm tempo para escrever diários.

Cliente nosso de cada dia XIII

Entra um cliente com uma aparência de exterioridade, como se estivesse meio perdido, desorientando, talvez por ter tanto livro à sua volta. Aproxima-se do balcão e, surpreendentemente, mantém-se em silêncio.

O livreiro espera. Na ausência de qualquer reação por parte do cliente, não tem outro remédio senão fazer a pergunta de praxe:

- Bom dia, que livro deseja?

O cliente pensa, reflete demoradamente e, finalmente, responde.

- Um livro sobre aquilo que de fato me interessa.

- E, posso perguntar-lhe o que lhe interessa?

- Tudo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

25ª Feira do Livro de São Leopoldo

Material de Divulgação Oficial
Painéis de 4x2m.
Painel de 4x2m








Painel de 4x2m













Painéis de 1x2m
Painel de 1x2m
Painel 1x2m



















 Banner's de 90x120cm
Banner de 90x120cm




















Banner de 90x120cm
 



















Cartaz A3
Cartaz A3















Cartaz A3














Marcadores de Página de 5x21cm
Marcadores 5x21cm












Campanha de divulgação da 25ª Feira do Livro de São Leopoldo (2010)
Tema da Campanha (Ler é...)
Fotos: Nata Santejano nsantejano@gmail.com
Arte Gráfica: Daniel Cunha daniel.livraria@terra.com.br

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Nem tudo que parece é IV

















Super sincero


Estava sentado num Café da cidade conversando com um amigo enquanto aguardávamos uma atividade de cinema que estava prestes a começar quando... Um conhecido vem me dar os “parabéns” pela minha atuação em um curta que foi exibido recentemente.

Um tanto surpreso pergunto:

─ Legal, você gostou?

E, sem nem mesmo pensar, ele responde.

─ Na realidade não. Não gostei!
 
...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

25ª Feira do Livro












Ontem os livros saíram as ruas e avenidas de São Leopoldo para uma sessão de fotos mais do que especial... Começamos a produção do material de divulgação da 25ª Feira do Livro de São Leopoldo que ocorrerá de 27 de novembro a 05 de dezembro.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Em quem eu voto no 2º turno e por que.

Prezados amigos

Apenas para acrescentar ao debate eleitoral que vem sendo amplamente divulgado na internet, há esta reflexão, muito lúcida, do prof. Durval Muniz de Albuquerque Junior sobre as eleições 2010, envio para divulgação.

É só clicar no título abaixo

Dois Projetos Radicalmente Diferentes

Abraços
Daniel Cunha

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Não magoe seu pobre animalzinho

Ontem à noite o meu gato, que se chama Snowbell, arranhou-me enquanto lia Edgar Allan Poe. Pensei: estranho, singular acontecimento.

Certa noite, ao regressar a casa, completamente embriagado, pareceu-me que o gato evitava a minha presença. Apanhei-o, e ele, horrorizado com a violência do meu gesto, feriu-me ligeiramente na mão com os dentes, Uma fúria se apossou rapidamente de mim. Não me reconhecia. Dir-se-ia que a minha alma original se ausentava do meu corpo num instante e uma ruindade mais do que demoníaca, saturada de genebra, fazia estremecer cada uma das fibras do meu corpo. Tirei do bolso do colete um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pelo pescoço e, perverso, arranquei-lhe um olho da órbita!

Edgar Allan Poe, O Gato Preto

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Nem tudo que parece é III

Entrei numa loja de chineses (um mundo de coisas ao preço de banana) para comprar um chaveiro que estava precisando para juntar umas chaves que andam espalhadas há tempos pela livraria. Reparei num expositor de chaveiros com antigos provérbios escritos em chinês. Não chegavam a custar três reais. De imediato, e aleatoriamente, escolhi um. Por pura curiosidade perguntei o que aquele provérbio queria dizer. O empregado que não sabia falar bem português resolveu traduzir para inglês:

- Cheap things are not good, good things are not cheap.
Chinise Proverb

Ele riu, eu também.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

ROSA VUHLSA - trailer



Trailer de ROSA VUHLSA
com ANA ACCORSI e DANIEL CUNHA
Baseado no texto original de Márcio de Quadros
Roteiro, direção e edição de Éver Ribeiro
Fotografia: Valdir L. de Andrade Jr
Arte: Márcia Klumb
Música: Márcio de Quadros e Carlos Wolff
Narração: Jari M. da Rocha
Ator Convidado: Zé Roberto S. Jr.
Auxiliar de Direção: Melissa Iung

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

The Skeleton Dance

A série de desenhos animados de curta duração Silly Simphony foi criada por Walt Disney em 1929. A experimentação rolava solta nestes desenhos onde muitos personagens foram lançados, foi o que aconteceu por exemplo com o Pato Donald. Estou postando o primeiro desenho "The Skeleton Dance" que na verdade é bem sinistro e foi feito em preto e branco. É incrível a qualidade destes desenhos.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Assista agora uma mega animação fan-made de Star Wars!

Uma das sub-tramas mais interessantes e importantes da Trilogia Clássica de Star Wars é o problema que Han Solo tem com Jabba. Em algum momento de seu passado, o cafajeste preferido da Galáxia teve de “liberar” uma importante carga. O que realmente aconteceu, ninguém soube.

No entando, um artista 3D chamado Daniel L. Smith fez um incrível fan-film, “The Solo Adventures”. Não bastasse a animação ser impecável (e ter uma certa mistura das animações Clone Wars — tanto a 3D quanto a de Genndy Tartakovsky), a voz de Solo parece a do próprio Harrison Ford quando jovem.

O vídeo pode parecer um pouco estranho, mas é porque muitas partes foram feitas para aproveitar o efeito 3D. Se você tem óculos em casa, coloque e aproveite!


The Solo Adventures from Daniel L Smith on Vimeo.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Nem tudo que parece é II

Em São Leopoldo tem muita coisa INÚTIL, mas as vezes eu me surpreendo...
.
.
.
Livreiro anônimo querendo encontrar uma resposta onde não há pergunta.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Nem tudo que parece é!



Bela reportagem!
Só faltaram os Sebos e os Livreiros...

Daniel Cunha

Sebos de Caxias
Filme que se passa nas ruas barulhentas de Duque de Caixas. No deccorer do filme vendedores de livros e revistas são entrevistados e contam sobre como os livros conversam com as pessoas que por ali passam. Filme realizado na Oficina Mídias (Sub) Urbanas.

Direção Coletiva Anti Cinema
Roteiro Coletivo Anti Cinema
Projeto Mídias (Sub) Urbanas 2008
Orientação: Marcio Graffiti e Pablo Cunha
Ano: 2008
Duração: 05 min

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Em tempos de São Leopoldo Fest...


A Livraria do Trem está completando exatos dois anos e sete meses de atuação na cidade de São Leopoldo sob a direção de Daniel Cunha. Ainda estamos no início de nossa caminhada, mas já estamos fazendo a diferença no ramo de sebos. Sempre com muita criatividade e inovação montamos um espaço de referência na cidade de São Leopoldo e hoje, com muito orgulho, anunciamos o início de mais uma especialidade em nossa loja: a compra e venda de discos de vinil.
Com a colaboração de Cesar Meirelles, músico e colecionador de vinil, a frente de um acervo com mais de 600 discos, entre Lp’s e Compactos, oferecemos uma gama de títulos e gêneros bem variados que vão desde o Samba de raiz até o Rock extremo.
E não acaba por aí, nós estamos com todo o nosso acervo de vinil’s disponível para consulta e venda na internet em dois endereços: no site da Estante Virtual e no Mercado Livre.

Não perca mais essa oportunidade e confira o nosso acervo na internet (nos endereços abaixo) ou venha pessoalmente na nossa loja verificar todo o nosso acervo.

Estamos esperando por você.

ESTANTE VIRTUAL
MERCADO LIVRE

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Cliente nosso de cada dia XII

- Quanto custa este livro?
- 20 reais.
- Mas este livro valia 16 reais o ano passado.
- Não, minha senhora, sempre foi 20 reais.
A cliente com uma voz muito calma, insiste:
- Eu não estou doida, diga lá, o preço é 16 reais, não é?
- Não, minha senhora, deve estar confundindo com a edição importada, essa sim, custava 16 reais.
- O que é que está querendo dizer, que a minha memória está fraca? Não vou aceitar isso. Você não tem o direito. Você é um impertinente que está me chamando de velha tonta e o único tonto aqui é você, ouviu!...
Enquanto diz mais alguns impropérios, tira da bolsa de mão uma pistola que aponta ao livreiro, coloca um sorriso nos lábios e num tom de voz muito amável, pergunta novamente:
- Quanto custa este livro?
- 16 reais, minha senhora, sem nenhuma sombra de dúvida.
Responde o livreiro de braços no ar e tilintando as pernas por todos os lados.

Pode-se conseguir mais com uma palavra amável e uma pistola, do que só com uma palavra amável.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Cliente nosso de cada dia XI

Entra uma cliente, olha em volta, girando 180 graus a cabeça, não encontra o que procura e pergunta:
- Onde estão os livros com ofertas e brindes?
- Bem, na verdade, não tenho livros nessas condições, porque...
- Francamente!
E foi embora.

O livreiro franze o sobrolho e range os dentes maquiavelicamente, ao mesmo tempo que viaja no tempo, muitos anos para trás, antes mesmo da lenda de Gilgamesh:

Estava um homem a ser perseguido por um enorme animal, o qual, com contínua vigilância esperava a sua morte. O homem estava escondido na sua pequena gruta e, por uma fresta, espreitava o grande perigo. Entretanto, veio um estranho Ser que mais se parecia com um deus e que logo caçou o animal e o matou. Então, o homem, fazendo aos astros do universo sacrifício de uma mulher que não a sua, muito feia, agradeceu à sua nova divindade e logo saiu da gruta para celebrar a liberdade recuperada; no entanto, logo foi privado dela, juntamente com a vida, pelas terríveis garras do Ser. Os outros homens, perplexos com o que viam, imediatamente acharam que o Ser se tinha sentido ofendido com tão pobre oferenda.

Assim nasceu a religião, o temor a Deus, os sacrifícios das virgens, o machismo e as ofertas de "treta".
-

terça-feira, 1 de junho de 2010

Buquezeiros Choro & Samba


O grupo Buquezeiros Choro & Samba tem em sua formação, músicos que se reuniram para realizar uma verdadeira viagem através dos anos, revivendo clássicos da MPB resgatando a autêntica música instrumental executadas nos coretos, praças e cinemas das pequenas cidades do interior do país, não esquecendo o surgimento da nova música da metade do século XX, que ficou conhecida como Bossa Nova que traz em sua essência o brilho do sol e cheiro de mar. Olha só! Imagine um clarinete, junte a ele um violão choroso, apresente aos dois um pandeiro sapeca... Teremos uma viagem direta a uma roda de chorinho no coreto da praça, e se imaginarmos esse clarinete com um violão de acordes charmosos e a irresistível batida da bossa nova, bom!! Aí sim, sentiremos a brisa do mar e teremos o por do sol como cartão postal. Viajemos todos pela música popular brasileira, juntos com Buquezeiros Choro & Samba.


Ensaio aberto ao público todas as sextas-feiras a partir das 17h na Livraria do Trem.
Confira no Blog da Livraria do Trem a entrevista do grupo na Rádio Unisinos FM (gravada no dia 28/05/2010).

sábado, 17 de abril de 2010

O Livro é Caro?






 

Esta é uma campanha da Livraria do Trem

Fonte: o nº de livros citado acima é encontrado apenas no Portal da Estante Virtual que vende livros usados. A Estante Virtual é apenas um dos inumeros sites na internet onde podemos comprar livros.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Filosofia e Educação vs História

Antes tarde do que nunca...


Em uma histórica e filosoficamente educacional janta da qual fiz parte, por volta de meados 2008, firmei lá uma pequena promessa que para meu descrédito e vergonha ainda não cumpri.
Esta introdução, um tanto dantesca, que usei de “uma histórica e filosoficamente educacional janta” se dá por um motivo bem simples: Seus participantes; um mestrando de Filosofia – graduado em Teologia e Filosofia –, uma doutoranda em Educação – Mestre em Educação e graduada em Pedagogia – e por fim eu – quase historiador (mais para quase do que historiador na ocasião)– .
Bem, como é de se esperar de um tríplice encontro acadêmico destes a discussão estava em um nível de complexidade um tanto elevado. Para minha infelicidade o meu então nível acadêmico, completamente desprivilegiado em relação aos demais, não me dava condições de argumentações a altura. Porém, não me intimidei e segui firme em minha afirmação: A de que, em finais da década de 80, não havia em terras tupiniquins nenhum seriado na TV aberta com uma personagem chamada “Change Mermaid”. Pois é, não só havia como o nome era “Changeman” e a minha promessa era a de me retratar com eles publicando, aqui no blog, algo sobre a discussão.

Bom, está feito. Um grande abraço a estes queridos debatedores e um brinde a momentos como aquele.

Daniel Cunha

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Cliente nosso de cada dia X

Alegrias do casamento

Uma livraria é procurada, na maior parte das vezes, por gente que gosta de ler e que vem comprar livros, mas também o contrário.

- O senhor, por acaso, não quer comprar uma biblioteca inteira de livros? É uma coleção de livros em ótimo estado que ganhei de uma biblioteca pública que renovou seu acervo.
- E que tipo de livros são?
- Ora essa!?... São livros de todas as cores!
- Nós não compramos livros de bibliotecas. No entanto, se não leva a mal a pergunta, porque não fica com eles?
- Para mim?... E o que eu vou fazer com um montão de livros?
- Eu diria… Lê-los!?...
- Eu ler?... Tenho apenas trinta e cinco anos.
- E o que é que isso tem a ver?
- Não, eu não! Ainda mais que sou solteiro, iria agora ficar lendo... Ainda se fosse casado.
-

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Cliente nosso de cada dia IX

- Não sei se é capaz de me ajudar? Eu estou à procura de um livro que o meu professor disse que nós devíamos ler, porém, neste momento, não me lembro do título.
- Será que sabe me dizer, mais ou menos, qual é o enredo?
- O meu professor falou numas aventuras extraordinárias de um herói grego que leva muitos anos para retornar a sua casa. Acho que o nome dele era qualquer coisa como... Hércules.
O livreiro, identificando de imediato o livro que o cliente procurava:
- Creio que o livro que procura é a Odisseia de Homero e o nome do herói grego é Ulisses.
- É isso mesmo, diz o estudante, todo contente.
- Só um momento… Vou buscar.
Passado poucos segundos, o cliente, dirigindo-se ao balcão:
- Não! Este não. Eu quero um livro.
- Mas este é um livro. E é o livro que me pediu.
- Não! Você não me entende. Tem que ser um livro!
O livreiro olha para o teto, tentando ver o céu, na esperança de uma intervenção divina, mas do teto nada veio.
- Vamos ver se nos entendemos… O que eu lhe dei nas mãos não é um livro?
- Sim, mas tem que ser um livro para ler, de aventuras, e não um livro cheio de versos e poemas.

terça-feira, 23 de março de 2010

Cliente nosso de cada dia VIII

Gó...Gol

“Como não conseguimos ver o nosso próprio nariz, temos a tendência para olhar o mundo na sua perspectiva”.
Nikolai Gógol


Num fim de tarde de um sábado de futebol, quando o movimento de leitores na livraria é igual ao de uma biblioteca em dia de feriado, entra um critico literário conhecido do meio. Daqueles que dão poucas estrelas aos livros e se pudessem davam cinco estrelas às suas próprias críticas. Apanhando-me completamente distraído a ouvir no computador o Grenal e com a cara enfiada num livro, comenta:
- Muito bem! Lendo Nikolai Gógol, Contos de São Petersburgo?
Tentando disfarçar e baixando o som do rádio.
- Boa tarde. Olhe, como não posso ver a bola, estou lendo uns contos russos.
Completamente indiferente ao futebol, corrige:
- Gógol não era russo! - E acrescenta: nasceu em 1809, em Sorotchinski, na Ucrânia e morreu em 1852, em processo de ascese e grande sofrimento. Aliás, aquilo a que você chama contos russos é o que se convencionou chamar Histórias de Petersburgo, e que consistem nas seguintes cinco: Avenida Névski (1841), Diário de um Louco (1834), O Nariz (1836), O Retrato (1841) e O Capote (1841). E esta é uma etapa específica da obra de Gógol, que se segue às suas histórias fantásticas ucranianas… - A partir daqui deixei de ouvi-lo – … é inevitável referirmos as correntes literárias em que se inspira Gógol para a feitura destas histórias de Petersburgo: os elementos fantásticos, por vezes místicos, aproximam-se do romantismo, sobretudo alemão; alguns elementos destas histórias, por exemplo O Nariz, com a situação da perda de uma parte do “eu”, lembram de fato o aparecimento do duplo hostil, o rival, da História Fabulosa de Peter Schlemihl… - Vindo do computador, muito baixinho, ouve-se o som do rádio: “William falha escandalosamente!...” – … em O Sistema Poético de Gógol, Moscovo, 1978, Iúri Mann escreve que as ligações genéticas dos contos de Gógol com a literatura do romantismo já estão suficientemente estudadas pela crítica, O que faltava era descobrir a mudança fundamental que esta tradição sofreu em Gógol. Este, diferentemente dos românticos… - “Gol do Internacional, merda!” – … nunca introduz o fantástico no plano do presente histórico, existe só no passado representado por lendas e relatos problemáticos; no presente, fica apenas uma influência dele. E também, para Gógol, o fantástico/diabólico não é milagre, é antes o não humano, ou desumano. O fantástico é suplantado pelo absurdo, e o absurdo manifesta-se e revela-se como o quotidiano da vida que, em si, é anormal: a vida moderna, … - “ia sendo quase, quase, gol do Grêmio!” – … a vida da grande urbe, personagem principal dos cinco contos de Petersburgo. São de fato cinco histórias maravilhosas. E você o que é que acha de Gógol?
- GÓ, GÓG, GOL DO GRÊMIO!!!!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Cliente nosso de cada dia VII

No creio en brujas, pero que las hay, las hay


Entra um cliente de aparência estrangeira e com ar misterioso.
- Bom dia! É capaz de me dizer qual dos meus ouvidos está zumbindo?
- Como!?...
- Se é capaz de adivinhar qual dos meus ouvidos está zumbindo?
O livreiro meio hesitante, responde:
- O direito.
- Bravo! Acertou!
- Claro!... Eu possuo o dom de adivinhar. Porém, qual era o seu interesse em que eu adivinhasse?
- Há uma tradição, na minha terra, segundo a qual, se um fulano adivinha que ouvido está zumbindo a outro, é certo virá a realizar-se aquilo que no momento da adivinhação deseja o proprietário do ouvido.
- E o que deseja o senhor?
- Que me diga que tem um livro que eu sei que está esgotado.
O livreiro, encolhendo os ombros, sorriu:
- Sim, diga lá então... Qual é o livro?
- Sobre direção de cinema, de David Mamet.
O livreiro abrindo muito os olhos, sacudindo a cabeça ligeiramente para trás, completamente atônito, pergunta:
- Como é que adivinhou que temos um exemplar que acabaram de vir trocar?
- Não fui eu que adivinhei, foi você.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Cliente nosso de cada dia VI

Puericultura é...



Um livreiro novato e após os seis meses de formação, enfrenta pela primeira vez o balcão. Bastante nervoso como é hábito nestas ocasiões, tem pela frente uma das suas primeiras clientes.
– Por favor, tem livros sobre puericultura?
- Tenho sim. Queira, por favor, ver junto à secção de agricultura.
Respondeu o novato com muita certeza do que dizia. A senhora, sem acreditar no que ouvia, observa:
– Desculpe! O que é que a agricultura tem haver com os meus netos?
A resposta do novato não se fez esperar:
– Então!?... Puericultura não é criação de... (corando) Porcos?

terça-feira, 16 de março de 2010

Cliente nosso de cada dia V

Sócrates me faz perder clientes


De vez em quando, tão certo como a noite suceder ao dia, aparece alguém que pede:
- Queria as Obras Completas de Sócrates?
Perante tal pergunta, em tom de graça, o livreiro questiona:
- O Sócrates o filósofo?
O cliente com pouca paciência e não achando graça nenhuma, responde:
- Evidentemente que estou falando do filósofo.
Respondendo à provocação, de sorriso nos lábios:
- Infelizmente, meu caro senhor, Sócrates, o filósofo, não nos deixou uma única linha escrita.
Incrédulo, o cliente muito irritado, abanando a cabeça num movimento de lamento, exclama:
- É por causa de gente como você que este país não anda para a frente!
E sai porta fora.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Livrarias: espécie em extinção?

O post abaixo foi publicado no Blog da Traça (um grande sebo de Porto Alegre / RS) e vale divulgar, pois estes fatos não podem simplesmente passarem despercebidos.

Extinção - Parte 2
Autor: Rabujo
Data: 27/01/2010

Ontem mostrei aqui um link de um site de notícias financeiras com uma
matéria sobre as dificuldades da Borders, uma grande rede de livrarias
norte-americanas.

Hoje repetirei o expediente preguiçoso de indicar um link, juntando
apenas um breve comentário. Desta vez a matéria é sobre Laredo, uma
cidade de 250.000 habitantes no Texas, que acaba de perder sua única
livraria, uma filial da B. Dalton, controlada pela Barnes&Noble, a
maior rede do ramo nos US.

Veja a matéria em http://www.cnn.com/2010/LIVING/01/22/laredo.books/index.html?hpt=Sbin

A longo prazo, acredito que o efeito sobre a cidade é grande, rebaixando seu clima cultural e as perspectivas dos moradores. Como este não é um caso isolado, estamos vendo uma profunda mudança cultural, com as pessoas ficando totalmente dependentes da Internet para obter informação e leitura. Como a natureza da web é a da horizontalidade, isto é, muita informação e pouca profundidade, este novo mundo é mais burro, menos reflexivo e mais infantil do que o antigo universo de papel.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Capa para Tese II


Capa para Tese de Doutorado em Educação.

Título: As crianças de seis anos no ensino fundamental de nove anos prática de governamento da infância.
Doutoranda: Maria Renata Alonso Mota
Orientador: Alfredo Veiga-Neto
UFRGS2010
Linha dos Estudos Foucaultianos em Educação

Arte Gráfica (Capa): Daniel Cunha
Foto: “Criança Wai-Wai” de Tiago Orihuela

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Cliente nosso de cada dia IV

- Tem A Morte de Ivan Iliitch?
O livreiro novato depois de fazer uma busca por autor na letra ”I”, responde:
- Infelizmente não temos nada desse autor.
O cliente apercebendo-se da gafe.
- Ha sim… Que pena. Veja se tem algum livro do Tolstói?
Passado uns segundos o livreiro atônito:
- É curioso!?... Desse temos vários e não vai acreditar! Um deles é sobre a morte do primeiro.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Já começou o problema dos e-books

"Os livros que estão na minha estante só sairão de lá se eu permitir"

Amazon apaga livro 1984 de todos os Kindles sem pedir permissão.
Tal qual o Grande Irmão, empresa retira conteúdo sem avisar proprietários do leitor de e-books

No blog “O Aleph: observatório literário” divulga que a Amazon começou um processo para apagar todas as cópias do livro 1984, de George Orwell, de todos os Kindles conectados à web nos EUA . A alteração foi feita sem a autorização dos usuários, o que causou indignação e protestos. A empresa foi comparada pelo jornal The New York Times ao Grande Irmão, personagem autoritário e onisciente do livro.
Em uma nota oficial reproduzida pelo site Pocket-lint , a empresa afirmou que a obra foi publicada por engano pela companhia Mobile Reference, junto com outro livro chamado Animal Farm (em português, A Revolução dos Bichos). A nota também avisa que os livros constam como não disponíveis na loja e os usuários que efetuaram a compra serão reembolsados.

Leia a matéria completa de Fábio Resende no blog O Aleph.

O Livro e a Leitura: o espetáculo do crescimento

Pela contabilidade do Ministério da Cultura, os investimentos da pasta na área do livro e leitura deram um salto espetacular de 1.500% no governo Lula. Em 2003, foram destinados míseros R$ 6 milhões para o orçamento da área, então concentrados na Secretaria Nacional do Livro e Leitura (que seria desativada naquele mesmo ano pelo MinC, um erro imenso ainda não reparado pelo ministro Juca Ferreira) e na Fundação Biblioteca Nacional. Já em 2009, esse montante subiu para R$ 90 milhões. A notícia é formidável. Mas é preciso notar que, por ora, isso está ancorado no Mais Cultura, que é um programa de governo. Precisa virar política de estado e tornar-se permanente. Um bom caminho é a criação do Instituto Nacional do Livro e Leitura.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Cliente nosso de cada dia III

Eventualmente tenho que sair da livraria para buscar livros nos distribuidores, e em uma destas saídas o nosso estagiário teve que ficar sizinho para atender. Ele estava um pouco preocupado em não encontrar algum título requisitado por algum cliente. Eu disse para ele ficar tranqüilo, pois apesar de sermos um sebo temos todos os nossos livros catalogados no sistema. É só o cliente dizer o nome do autor ou do livro e pronto.
Minutos após a minha saída o primeiro cliente chega e pergunta.

Olha estou procurando um livro. Não sei o nome do autor e, também, não sei o nome do livro. Mas, me lembro um pouco do assunto: “eram uma série de três, o primeiro conta a historia de dois (ou 3) irmãos que ficaram órfãos de pai e junto com sua mãe foram morar na casa da avó e esta não os queria. Parece que a menina era bailarina”.
Você tem este livro?
...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Perfil do Blogger



- Dois terços são homens;
- 60% têm entre 18 e 44 anos;
- A maioria tem uma educação superior à da média da população;
- Mais de metade são casados;
- Mais de metade têm filhos;
- Metade têm emprego fixo a tempo inteiro.


Fonte: Visão, de 17 a 23 de Dezembro de 2009.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Cartografias de vida



Uma escritura budista discorre sobre as seis dificuldades de se viver numa casa: dá trabalho construí-la, dá mais trabalho ainda pagá-la, deve ser consertada sempre, pode ser confiscada pelo governo, vive recebendo visitas e hóspedes indesejados, serve de esconderijo para atos condenáveis.
Por outro lado, há seis vantagens de morar sob uma ponte: pode ser encontrada facilmente, o rio nos mostra como a vida é passageira, não nos dá a sensação de cobiça, não precisa de cerca, sempre passa alguém novo para conversar, não é preciso pagar aluguel.

Bela filosofia. Mas quando vemos as pessoas morando debaixo de pontes e viadutos, temos certeza de que este texto está errado.

...

Continua...

Um prego na parede...


A Leiteira, de Johannes Vermeer (circa 1660)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Quando crescer quero ser um livreiro assim

Cliente nosso de cada dia II

- Minha senhora, eu percebo que estejas aborrecida por nenhuma livraria conseguir te ajudar…

- Olhe! Com esta já são cinco.

- Sim, eu sei, mas dizer simplesmente que o livro começa por “Era uma vez” não é lá uma grande ajuda, certo?

Cliente nosso de cada dia

- Mas minha senhora há mais de um ano que a escuto dizer quase diariamente “Pode recomendar-me alguma coisa divertida para ler?”

- É verdade... Vamos ver se desta vez você acerta!