Facebook

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Não magoe seu pobre animalzinho

Ontem à noite o meu gato, que se chama Snowbell, arranhou-me enquanto lia Edgar Allan Poe. Pensei: estranho, singular acontecimento.

Certa noite, ao regressar a casa, completamente embriagado, pareceu-me que o gato evitava a minha presença. Apanhei-o, e ele, horrorizado com a violência do meu gesto, feriu-me ligeiramente na mão com os dentes, Uma fúria se apossou rapidamente de mim. Não me reconhecia. Dir-se-ia que a minha alma original se ausentava do meu corpo num instante e uma ruindade mais do que demoníaca, saturada de genebra, fazia estremecer cada uma das fibras do meu corpo. Tirei do bolso do colete um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pelo pescoço e, perverso, arranquei-lhe um olho da órbita!

Edgar Allan Poe, O Gato Preto

2 comentários:

Daniel Cunha disse...

Talvez o gato prefira algo como “O Animal que logo sou” de Jacques Derrida para refletir ou ainda na poesia Drummond com a crônica “O Gato”. Quem pode saber?

onzepalavras.com disse...

Adoro Poe. Em Histórias Extraordinárias, além de O Gato Preto, tem o sensacional O Poço e o Pêndulo, meu predileto.