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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Cultura e Moda Alternativa neste final de semana na Livraria do Trem





































O blog Moda de Brechó (www.ninaflores.net/modadebrecho), que comercializa vestuário, calçados, bolsas e acessórios vintage desde 2008 para todo o Brasil, realizará um bazar especial de dois dias na Livraria do Trem (Rua São Caetano, 53), em frente à Estação São Leopoldo do Trensurb.


Nos dias 9 e 10 de dezembro, das 10 às 20 horas, um acervo de centenas de peças, muitas inéditas no site, estarão disponíveis por preços especiais a partir de R$ 5. O ambiente, decorado com objetos antigos, ainda reserva livros, gibis e vinis superselecionados.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Entrevista

Aí está a transcrição da entrevista feita na Livraria do Trem sobre a venda dos discos de vinil.

(Fernanda – entrevistadora)
Queria que vocês falassem um pouco desse comércio de vocês. O porque vocês começaram agora? O vinil está certo que voltou a ser produzido, mas o que motivou vocês, além de tu [César] já ser colecionador, a trabalhar com os discos?

(César – informante)
A necessidade é claro. Necessidade, dinheiro... [risos]

(Daniel – informante)
A idéia da Livraria, do Sebo, é a de resgatar uma série de coisas. Eu, por exemplo, e no caso o Júlio também, somos apaixonados por livrarias e sebos já há muito tempo. Desde a nossa adolescência (nós nos conhecemos desde a infância) e sempre freqüentamos estes espaços, espaços estes que geralmente são tidos como alternativos.
Então, a partir dessa vontade de encontrar um espaço que atendesse as nossas necessidades, pensamos: porque não montar um espaço para atender aos colecionadores? Daí a Livraria do Trem foi criada. Primeiro com o conceito dos livros e, aos poucos, começamos a adquirir LP’s sempre com aquela vontade de trabalhar com o disco de vinil. O Júlio [César] já é colecionador há bastante tempo, desde sempre na verdade. Então, hoje ele tem um acervo com um número elevado de peças raras, discos que tem 300 cópias no mundo inteiro. Um material realmente difícil de “juntar”. Não sei, tu deves estar com quase 3 mil discos hoje?

(César – informante)
Por aí, por aí...

(Daniel – informante)
Então essa parceria que estamos fazendo (eu e o Júlio) acarreta todo um conhecimento da área do disco, desde a produção até ao ato de colecionar, enfim. O Júlio além de colecionador é músico também. O resultado era obvio - entrei em contato com ele e disse: vamos trabalhar juntos, vamos agregar essa história com os discos que tu tens. O mercado existe, está aí, apesar da dita “morte do vinil”, que parou de ser produzido aqui no Brasil e agora retomaram. O comércio de discos nunca parou realmente. Estatísticas dizem que hoje se vende um disco a cada dez segundos na internet, isso só no eBay, desconsiderando outros sites como o Mercado Livre e outros sites próprios que comercializam discos no Brasil e no mundo. Então nós começamos a trabalhar com o vinil aqui na Livraria do Trem. E temos a pretensão de trabalhar de uma forma bem qualificada, com conhecimento do produto, com o devido respeito e cuidado que a mídia e seus usuários merecem. Foi assim que nos juntamos e aqui estamos hoje, trabalhando agora a praticamente 7 ou 8 meses com discos.

(Fernanda – entrevistadora)
E como é que está a saída dos discos? É só na região metropolitana ou vocês estão conseguindo vender para fora?

(Daniel – informante)
Pois é, devido a internet nós estamos vendendo para o Brasil inteiro. Então, a saída, a procura pelos discos de vinil é boa. Como o nosso comércio de discos aqui na Livraria do Trem tem pouco tempo a procura por esta mídia aqui na loja ela está, como dizer... um pouco tímida ainda. Até por um processo todo de divulgação que está sendo feito aos poucos. A procura por discos aqui no espaço da loja vai acontecer com o tempo de trabalho. Porém, a procura (de forma geral, loja + internet) ela é diária, todos os dias saem discos, sempre tem alguém procurando algum LP.

(Fernanda – entrevistadora)
E para a capitação de novas peças para o acervo da loja, vocês estão comprando de outras cidades?

(Daniel – informante)
O último acervo que nós buscamos foi...

(César – informante)
Ijuí.

(Daniel – informante)
Ijuí. Nós fomos até Ijuí... Foram 5 mil discos que compramos lá. Então, esse foi o acervo mais distante que compramos. Até porque trazer discos de fora tem suas limitações como forma de transporte em casos de acervos de número elevado, custos de deslocamento para fazer uma avaliação do material entre outras tantas coisas. O normal é compras menores (em número de peças) nas cidades aqui do Vale dos Sinos. A não ser com o mercado de discos novos, estes nós importamos.

(Fernanda – entrevistadora)
Começaram a importar?

(Daniel – informante)
Sim. Começamos a importar.

(César – informante)
Para comprar um disco usado temos que fazer uma avaliação do material, e não tem como comprar sem verificar o estado do disco. O estado físico do LP tem que ser avaliado porque não há como fazer uma compra segura de “olhos fechados” no material usado, ainda mais no disco que é um material perecível. Pode acontecer de acabar investindo dinheiro em uma coisa que vai ficar encalhada se tu não fizeres uma análise boa do que está comprando.

(Fernanda – entrevistadora)
E tu César, como colecionador, quando encontras algumas peças raras (só dos “filés”), como é que tu fazes? Tu vais buscar para a loja ou para ti? Ou uma coisa é “o que é teu” e outra é o que tu vais “por na roda”? Como tu divides isso?

(César – informante)
Ah, ultimamente eu nem tenho comprado mais nada, não para mim. Não tenho mais espaço para guardar. Então, tudo que eu compro eu escuto, se é legal eu fico, se não passo para frente.
O fato é que não tem mais “disco difícil”, essa que é a verdade, com a internet se popularizou o acesso aos materiais que antes eram escassos devido a limitações geográficas. Hoje ficou bem mais viável de se achar títulos difíceis, não tem mais aquela coisa do “Paêbirú da vida”, há dez anos atrás ele era uma lenda, ninguém o tinha, hoje em dia tu achas. O “Louco por Você” tu achas também, então não tem mais esse problema todo de se achar títulos raros.

(Daniel – informante)
O “Louco por Você” não foi relançado ainda?

(César – informante)
Não foi, mas...

(Daniel – informante)
É o do Roberto Carlos.

(César – informante)
Para tu ver, por menos de R$ 3.500,00 não é assim para encontrar.

(Daniel – informante)
Sim...

(Fernanda – entrevistadora)
É. Essa questão da raridade é vocês [lojistas] que fazem. Pelo que tenho visto é uma questão meio “cada um diz que é”, “cada um tem o seu padrão” na verdade. É assim?

(César – informante)
Em alguns casos as raridades são feitas no “achismo”. Porém, existem formas de determinar a raridade ou não de uma peça.

(Daniel – informante)
É, tem a questão da raridade que depende da demanda e procura do disco. Todo disco, evidentemente, tem uma história. No caso do “Paêbirú” houve uma enchente na fabrica que dizimou praticamente toda a tiragem do disco do Zé Ramalho. Sobraram 300 cópias aproximadamente, é assim que reza a lenda. O original desse disco, hoje, vale em trono de R$ 3.000,00 mesmo já tendo sido relançado, que, por sinal, já está esgotado também.

(César – informante)
Sim, sim.



(Daniel – informante)
Mas, isso torna o disco raro? Até pouco tempo o disco não tinha sido regravado Porém, o LP ganhou popularidade com o tempo por vários fatores que vão para além do incidente da enchente. Por exemplo, até hoje o Zé Ramalho não quer falar sobre esse disco, um LP completamente psicodélico que poucos conhecem. Já o disco do Roberto Carlos, o primeiro dele, que é o “Louco por Você” não teve relançamento até hoje. Este ficou “famoso” porque foi um disco recolhido por ele e devido a isso estima-se que estejam circulando hoje no Brasil em torno de 300 cópias do LP. Então, isso faz dele uma obra rara, dado a importância do cantor e a outras peculiaridades do disco. Este, talvez, seja o disco mais caro do Brasil sendo vendido em torno de R$ 6.000,00.

(César – informante)
O que não significa que ele seja bom [risos].

(Fernanda – entrevistadora)
[risos]

(Daniel – informante)
Não. [risos]... Até porque o próprio Roberto Carlos considerou o disco ruim.

(Fernanda – entrevistadora)
Sim, ele não está na capa [risos].

(Daniel – informante)
Mas, essas peculiaridades é que tornam um disco raro e não o gosto ou critério do lojista. A música, neste caso, é o último detalhe a ser considerado. O que chama a atenção do colecionador nesses materiais é justamente a rarefação da peça. É um material que poucos têm acesso. Então, é daí que vem aquele desejo de se ter, no seu acervo privado, um disco extremamente raro e que fez história na discografia nacional ou mundial. Já, por outro lado, há coisas que foram editadas em algum município do interior do Brasil com tiragens limitadas que também poderiam ser raras. Peças que foram herdadas por gerações, só que é uma coisa tão específica que não tem um apelo nacional, não é um cantor conhecido e nem faz parte de qualquer contexto histórico cultural. Ou seja, o fato de ser antigo ou escasso não torna um disco raro, não com valor. É claro, que hoje um disco da década de 60, por exemplo, tem aí volta de 40 a 50 anos o que torna ele realmente difícil.

(Fernanda – entrevistadora)
Bom e no comércio de discos, rola mesmo essa competição entre comerciantes por esses acervos? Ou como é que funciona essa competição? Até porque vocês, aqui em São Leopoldo, são os únicos na área do vinil.

(César – informante)
Nós estamos bem distantes da capital então não rola tanto essa competição...

(Daniel – informante)
Já estiveram aqui na loja muitos comerciantes de Porto Alegre, quase todos que trabalham com vinil, que nós conhecemos pelo menos. Olhando o acervo, alguns não se identificaram, outros se identificam até porque nós conhecemos quase todos.

(César – informante)
Sim, sim.

(Daniel – informante)
Então, nós não estamos participando dessa “competição” porque nós ficamos realmente fora dessa forma de trabalho. Talvez por estarmos ilhados aqui em São Leopoldo fora de Porto Alegre. Em Canoas tem a Prisma Discos que é uma das lojas mais antigas da região. E, também, em São Leopoldo somos só nós. Iniciamos há pouco tempo este trabalho. Então neste quesito nós não sabemos como é que funciona a concorrência em Porto Alegre. Mas, eu aprendi pelo trabalho com o sebo que a questão da concorrência se dá de uma forma saudável, no trabalho, no atendimento, no qualificar o acervo. E como são produtos usados não significa que o que nós temos aqui o outro lojista vai ter em sua loja ou se tiver não significa que esteja nas mesmas condições. E, além disso, cada um tem seu público alvo o que torna possível comprar o produto de outro lojista para revender na nossa loja. Isto é um trabalho que fazemos.

(César – informante)
E o fã do disco ele compra independente de fidelização: “ah vou comprar sempre do cara”.

(Daniel – informante)
Os que compram aqui compram em outras lojas, eles conhecem todas as lojas da região e da Capital.

(Fernanda – entrevistadora)
E a essa altura vocês já tem alguns clientes? Vocês já têm uma rede de contatos?

(César – informante)
Sim, sim.

(Daniel – informante)
Pela própria carência que a região tinha e ainda temos o caso da venda pela internet, estamos indo bem. Até se divulgar melhor o trabalho que estamos fazendo com discos permanecemos criando uma clientela rapidamente que vem aumentando a cada dia. Tanto que tivemos que aumentar o nosso acervo que subiu consideravelmente. Nós começamos, há menos de um ano, com 400 discos (um acervo bem selecionado), hoje estamos com 10 mil discos em nossa loja. Isto superou muito as nossas expectativas, até mesmo de quando falávamos entre nós: “quando é que nós vamos ter 10 mil discos no acervo”, isso aconteceu bem antes do que esperávamos. E é claro, o número não quer dizer nada, até porque tu consegues juntar facilmente 5 mil discos só de Xuxa por exemplo.

(César – informante)
Ela [Xuxa] e novela... [risos].

(Daniel – informante)
A questão é a diversidade é a qualidade do acervo. Um material bem conservado, que é limpo, tem os seus reparos nas capas e nos encartes quando necessários. Um acervo assim é que faz a diferença.

(Fernanda – entrevistadora)
Vocês disseram que estão importando discos novos?

(Daniel – informante)
Sim.


(Fernanda – entrevistadora)
Até porque isso é uma coisa, que eu saiba, só outros dois lojistas faziam aqui no Estado, que é o cara da Boca do Disco e o da Toca do Disco em Porto Alegre.

(César – informante)
O Getúlio da Boca do Disco.

(Fernanda – entrevistadora)
É. E porque vocês começaram a importar? Como surgiu a demanda?

(César – informante)
Para diferenciar, trazer um produto para poder concorrer com os outros lojistas também, tem que ter um produto que chame a atenção. Se tem as mesmas “carnes de vaca” que têm nos outros lugares tu não vais vender nada.

(Daniel – informante)
E tem ainda a questão de quem é o cliente substancial do vinil hoje? Basicamente as pessoas que curtiam a mídia na década de 80 e de 90, principalmente na primeira metade, que foi quando estava rolando o forte do consumo do disco e que gostam de rock and’ roll. Então hoje o rock dos anos 60, 70, os rocks clássicos dos anos 80 também são muito consumidos e, aliás, esse é o gênero que mais vende hoje. Então é para este público que estamos trabalhando. As pessoas que já tiveram o disco e não tem mais com os relançamentos dessas obras eles têm a oportunidade de resgatarem esses LP’s como os discos dos Beatles por exemplo. Enfim, todos os grandes clássicos estão a disposição nos importados Tiragens limitadas, capas clássicas, edições piratas, todas lacradas.

(Fernanda – entrevistadora)
São raras?

(Daniel – informante)
Sim, algumas são raras mesmo sendo reedições. Esse cliente hoje é um consumidor já estabelecido, com um padrão social já bem definido e com a vida encaminhada. Então eles têm um poder aquisitivo maior. E o disco mesmo tendo voltado a ser prensado ele jamais vai voltar a ser popular. Porque ele tem uma outra idéia, um outro conceito de fruição... Não é só a música que está imperando ali. Se for ver hoje, num mundo extremamente globalizado com a internet, em tempos de uma velocidade exacerbada, as pessoas hoje escutam música fazendo alguma coisa qualquer. O disco ele te propõe um descanso para essas tecnologias, isso está para além do bem e do mal, não significa o que é melhor ou o que é pior e sim que são formas diferentes que estabelecemos em relação ao ouvir música.
Com o disco tu és obrigado a tirar o vinil da capa cuidando para não arranhar no manuseio, virar o lado do disco, limpá-lo adequadamente para guardá-lo após ouvi-lo, ou seja, tu paras para escutar a música. E isso proporciona um prazer, pra além do saudosismo, o vinil é diferente.
Com as novas tecnologias tu podes pegar um mp3 e escutar uma música correndo ou fazendo qualquer outra atividade. A música está na vida de todo mundo, mas como que tu consomes esse produto? Esse produto cultural, se é que podemos dizer assim.
Com o relançamento dessas edições clássicas acabamos por notar aqui na loja que o disco vem despertando certo fascínio, ele vem cativando aos poucos àqueles que são apresentados a essa “nova” forma de ouvir música. Novos usuários, pessoas que não tiveram acesso a essa mídia. Pessoas que já nasceram no tempo dos CD’s e mp3. Quando são apresentados a esse tipo de mídia ficam completamente fascinados. E é uma outra forma de consumir a música.

(Fernanda – entrevistadora)
Tu não colecionas?

(Daniel – informante)
Não...eu não coleciono.

(Fernanda – entrevistadora)
Tá, quem compra vinil é homem ou mulher? Mulher compra vinil? Porque tem essa lenda de que mulher não compra vinil.

(César – informante)
Compra.

(Daniel – informante)
Compra, compra....

(Fernanda – entrevistadora)
Geralmente é presente para o namorado [risos].

(César – informante)
Aí eu não sei [risos].

(Daniel – informante)
Olha... Se tu fosses um comerciante na década de 80, 90, eu não sei, talvez pudesse ser diferente, poderia ser um público mais masculino... Mas, hã... Hoje em dia não dá para definir assim quem compra mais, se é o homem ou se é a mulher. Porque é muito dividido, o público está circulando... Enfim, mesmo para presentear ou curtir, muitas mulheres entram aqui olhando e comprando discos.

(Fernanda – entrevistadora)
É isso aí...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Blog do Fórum do Livro















No Blog do Fórum do Livro, Leitura e Literatura você pode acompanhar de perto todas as discussões na área do Livro e da Leitura no município de São Leopoldo. Passe lá e acompanhe este pessoal...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

1º Encontro Estadual do Vinil | RS



Do dia 16 a 20 de abril de 2011, lá na Casa de Cultura Mario Quintana, houve o 1º Encontro Estadual do Vinil. O nome do evento é "Em Tempos de Vinil" organizado pela Discoteca Pública Natho Henn, a Feira contou com a presença de colecionadores, estudiosos e amantes do velho formato. Esta foi a 1ª Feira do Vinil de Porto Alegre | RS

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Livraria do Trem no Vinil em Rede

Em destaque o famoso LP “Yesterday... and Today”, com a capa dos açougueiros, dos Beatles. Relançamento importado com vinil azul, disco novo.
No dia 02 de abril tivemos a visita, lá na Livraria do Trem, da Fernanda Spíndola que é estudante do Curso de Antropologia da UFRGS. Já em fase de conclusão de curso a sua pesquisa tem como o foco o Vinil, isso mesmo os famosos e saudosos LP’s. A estudante está coletando depoimentos de colecionadores, estudiosos, comerciantes e profissionais que trabalham com essa mídia. E neste primeiro sábado de abril foi a nossa vez... Eu e o Cesar “China” Meirelles gravamos (em vídeo) uma entrevista para Fernanda falando de nosso trabalho nesta área. O encontro foi muito bacana, apesar do aparente desconforto de estar sendo filmado. No fim tudo ocorreu conforme o esperado eu quase não falei nada, quem me conhece sabe que eu não gosto de falar mesmo, ao contrário do China que não parou um minuto com sua explanação e forte argüição sobre o mercado dos discos de vinil (risos), e quem conhece ele sabe do que estou falando (risos novamente)...

Bom deixando as brincadeiras de lado eu quero agradecer a Fernanda Spíndola por nos colocar em seu roteiro de pesquisa. Falo isso, pois estamos trabalhando há pouco tempo com LP’s e ficamos muito surpresos e contentes com o contato feito por ela. Desejamos muito sucesso em seu trabalho de pesquisa que certamente ocupará um espaço vazio nas prateleiras de nossas bibliotecas. São poucas as pesquisas que tratam do fascínio, muitas vezes até com certa ambigüidade, que esta mídia produz em tempos de volatilidade, descartabilidade e velocidade exacerbadas.

Neste contexto é interessante saber como algumas pessoas são subjetivadas pelos LP’s e que espaço o disco de vinil ocupa hoje em nossa sociedade? O vinil é um mercado saudosista, é o antigo que se reinventou ou tudo isso e mais um pouco? Acredito que mais importante do que as respostas para essas e tantas outras questões seja a própria intensidade das perguntas e principalmente a inquietude daquele que as pergunta.

Para quem quiser dar uma espiadela no processo de pesquisa da Fernanda Spíndola é só acompanhar o Blog Vinil em Rede. Lá você encontra os comentários da autora sobre a pesquisa e as transcrições (que é o que menos tenho saudade do meu tempo de bolsista) de algumas das entrevistas que vem sendo realizadas por ela.

Daniel cunha

quinta-feira, 24 de março de 2011

Cliente nosso de cada dia XVIII

Stress pré-leitura

Nesta época de inicio do ano letivo a procura pelos clássicos brasileiros é bem intensificada. Os professores de literatura lançam suas listas de autores e títulos e os alunos, por sua vez, dirigem-se afoitamente para as livrarias e bibliotecas. Neste contesto as livrarias de usados (sebos, como são conhecidas em nosso país) recebem uma parcela significativa destes alunos para adquirirem os livros com preços bem mais em conta do que os preços dos livros novos. O problema é que nem sempre se consegue atender a esta demanda por completo. Tratando-se de livros usados o numero de exemplares é bem limitado. Portanto, os alunos que deixam para adquirir o livro de ultima hora nem sempre conseguem encontrá-lo em um sebo. Restando apenas a possibilidade de comprá-lo em livrarias de novos com o preço padrão.

Num final de tarde entra no sebo um garoto que lança um olhar completamente desinteiriçado para as estantes de livros. Retira um livro qualquer da estante e observa o numero de páginas fazendo uma careta tão feia que chegou a assustar uma menininha que estava folhando alguns livros infantis próximo a ele. Após alguns minutos ele se dirige ao balcão e pergunta:

― Vocês têm o livro “O Curtume” de Aluísio de Azeredo?
― Não seria “O Cortiço” de Aluísio de Azevedo?
― É eu acho que é isso mesmo.
― Infelizmente os últimos três exemplares foram vendidos ontem.

O rapaz franze a testa resmunga alguns impropérios para si e diz:

― Mas não tem nada nesta espelunca! Por que não fecha logo isso aqui...

Sem olhar para traz ele sai da loja reclamando e gesticulando muito. Em menos de dois minutos o rapaz entra na loja e pergunta:

― Se, por um acaso, entrar este livro até o final desta semana vocês me avisariam???
― ...

sábado, 12 de março de 2011

Respostas do Desafio Literário

Dando seqüência ao desafio literário vou publicar aqui os endereços dos blogs que convidei e o linque para suas respectivas respostas.
Os três primeiros são de acadêmicos da área de letras e autores com obras publicadas ou/e em fase de construção para publicação.
é o Blog Textículos de Jari Mauricio da Rosa | ainda não respondeu
O próximo é de uma autora de livros infantis aqui de São Leopoldo.
é o Blog homônimo da autora Liliane Silva Greuner | ainda não respondeu
E por último é o blog de um dos ganhadores do 2º Prêmio Literário Sergio Farina.
é o Blog Solo Urbano de Éver Ribeiro | ainda não respondeu

segunda-feira, 7 de março de 2011

Desafio Literário 2011

Literatura Brasileira
Recentemente uma ex-colega de Curso, a Daniela Soares, publicou em seu blog Trecos & Trapos um desafio que resolvi dar continuidade devido considerar o tema relevante. Esse desafio visa demonstrar que vale a pena investir em um livro nacional. Ao aceitar o desafio, você responderá as questões abaixo agora e voltará a fazê-lo no fim do ano. Então, compararemos as respostas e faremos um balanço.
Eis as perguntas e suas respectivas respostas:

1. Quantos livros nacionais há na sua estante?

Vou seguir o exemplo da Dani e vou me ater apenas na literatura e não nos demais livros de estudos que tenho.
Hoje são 162 livros de literatura brasileira que tenho em minha biblioteca pessoal.

2. Quando e qual foi o último livro nacional que você comprou?

Na realidade comprei dois livros de autores nacionais ao mesmo tempo. A compra foi realizada na primeira semana de fevereiro. Os títulos são “Quimaera: dois mundos” da jornalista e ficcionista Helena Gomes e “A Batalha do Apocalipse” de autoria do estreante Eduardo Spohr. Ambos são livros do gênero de Fantasia (literatura fantástica) que pode ser considerado um subgênero da Ficção Científica.

2.a. Qual foi o último livro nacional que você leu?

Acabei de ler “Quimaera: dois mundos” de Helena Gomes.

3. O que achou dele?

Bom, já não é o primeiro livro que leio desta autora e provavelmente não será o último. Eu gostei bastante do romance. A história é muito bem estruturada. Sua trama é consistente e bem desenvolvida, pois consegue relacionar personagens e ações levando em consideração circunstâncias espaço-temporais que marcam o binarismo (dois mundos) presente em toda a obra. A autora caracteriza os personagens de forma clara: estes estão muito próximos de pessoas ditas comuns, pessoas que encontramos no nosso cotidiano, o que facilita a identificação do leitor com a trama.
A narrativa é poderosa e o encadeamento dos fatos é bem arquitetado. Além disso, a ação é rica em ritmo e dinamismo e os desdobramentos ao longo da trama nos permitem acompanhar as transformações vivenciadas pelos personagens.
Porém, tem um aspecto que não me agradou neste livro. Antes de continuar quero deixar bem claro que é uma opinião pessoal e que em momento algum descaracteriza ou contraria o que disse anteriormente. Sendo uma obra de fantasia ela funciona de forma diferente de um romance histórico mesmo que ficcional como, por exemplo, é o caso de “O Nome da Rosa” de Umberto Eco. O pano de fundo deste romance da escritora Helena Gomes é uma sociedade medieval (o que implica uma organização social bem diferente da sociedade na qual vivemos hoje). A autora veicula noções como a de infância, escolaridade e literatura muito diferentes das noções presentes no contexto da Idade Média.
É claro que não pretendo entrar nestes detalhes que em momento algum desmerecem este excelente livro. Eu como historiador, lugar de onde falo, acredito que estas noções atuais transportadas para um período evolutivo diferente do nosso apenas atrapalham a verossimilhança da obra (pelo menos para mim).
É importante ressaltar que dentre os autores nacionais que leio neste gênero de fantasia moderna (pós tolkeniana) Helena Gomes, de longe, é a minha favorita.

4. Dentre os livros nacionais que você já leu, qual mais te desagradou e qual mais te surpreendeu?

Bom, dentre os livros que li há aqueles que me agradaram e aqueles que não. Acredito não ser necessário falar sobre os livros que por inúmeros motivos eu não gostei (tanto nacionais como internacionais). Afinal de contas, considero que temos pouca publicidade positiva para a literatura e não quero contribuir com uma publicidade negativa. Penso que cada um deve julgar por si só os títulos...
Na verdade, eu venho me surpreendendo com a literatura nacional desde o primeiro livro que li na escola. Muitos autores e obras nacionais estão entre os grandes clássicos da literatura mundial. Tive momentos muito agradáveis lendo “Leite Derramado” do Chico e “A Mulher que Escreveu a Bíblia” do Sclyar (autor este, que sem dúvida nenhuma vai deixar um grande vazio na nossa literatura). Isso que nem vou comentar as obras do Érico, de Machado de Assis entre tantos outros. Porém, gostaria de fazer menção a um gênero que sempre foi marginalizado em nosso país que é o da Ficção Científica e seus subgêneros. Um livro que me surpreendeu foi o “Arqueiro e a Feiticeira” de Helena Gomes.

5. O que acha que falta aos autores nacionais para que a barreira do preconceito dos leitores seja vencida?

Para os autores nacionais não falta nada. O que falta no Brasil é o cumprimento das políticas públicas existentes na área do livro e da leitura. É preciso adotar uma postura diferenciada no mercado editorial como um todo começando pelas grandes editoras que monopolizam o meio editorial em nosso país. Falta incentivo (incentivo este previsto em políticas nacionais), financeiro principalmente, para a criação de novas e pequenas livrarias que na grande maioria (em suas especificidades) valorizam e divulgam as obras de menor apelo comercial. Poderia escrever páginas sobre o que falta em nosso país nesta área. Mas, definitivamente, para nossos autores não falta absolutamente nada!

6. Cite três livros nacionais que você espera ler em breve:

Bom, estou devotado neste ano a conhecer mais e melhor a produção da literatura de fantasia nacional e principalmente os livros da linha marginal brasileira. Então, vou ler ainda este mês “A Batalha do Apocalipse” de Eduardo Spohr; na seqüência o volume 1 do livro “Sagas: Espada e Magia” da nova Editora Argonautas aqui de Porto Alegre; e, para finalizar, (os três títulos) o livro “Necrópolis: A Fronteira das Almas” de autoria do paulista Douglas MCT.
E acrescento um quarto título nesta lista. É um livro que comprei no ano passado e ainda não comecei a ler. Talvez alguns conheçam este autor por sua extensa e importante produção acadêmica. Gostei muito da primeira obra literária que li dele: O Livro dos Demônios. O título do livro é “O Grande Pã Morreu”, em dois volumes, do autor canoense Tassilo Orpheu Spalding.

7. Indique 5 blogs para responder a esse desafio:

Vou indicar alguns blogs de pessoas que conheço e espero que eles contribuam com este questionário. Os três primeiros são de acadêmicos da área de letras e autores com obras publicadas ou/e em fase de construção para publicação.

O próximo é de uma autora de livros infantis aqui de São Leopoldo.

E por último é o blog de um dos ganhadores do 2º Prêmio Literário Sergio Farina.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Cliente nosso de cada dia XVII

Bruxismos a parte.

− Bom dia, meu bom senhor, por acaso teria algum livro sobre bruxismo*? Sabe é que a pobrezinha da minha mulher não consegue dormir por causa disso.
O livreiro de forma demasiada, ligeira e impertinente, imediatamente, pergunta:
− Qual é exatamente o “bruxo” que procura? É que temos vários. Ou seria algum livro do Paulo Coelho?
O cliente franzindo a testa, desconfiado com a resposta do livreiro, pergunta:
− Não sei bem se está entendendo o que estou procurando?
− Meu caro senhor, tivesse eu, todos os dias, perguntas tão fáceis como essa! Sei perfeitamente o que procura. Deixe-me adivinhar… a sua esposa sofre de um mau-olhado qualquer e o senhor gostaria de ajudá-la a resolver, certo?
− De fato, gostaria de ver o meu problema resolvido, mas já vi que não é aqui que o vou conseguir.
O livreiro, vendo o cliente sair por onde entrou, de mãos vazias, murmura para o colega que se encontra a seu lado:
− Olha só! Existem clientes estranhos, não é!(?)…

* Bruxismo: é um hábito parafuncional que leva o paciente a ranger os dentes de forma rítmica durante o sono ou, menos prejudicialmente, durante o dia.