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quinta-feira, 24 de março de 2011

Cliente nosso de cada dia XVIII

Stress pré-leitura

Nesta época de inicio do ano letivo a procura pelos clássicos brasileiros é bem intensificada. Os professores de literatura lançam suas listas de autores e títulos e os alunos, por sua vez, dirigem-se afoitamente para as livrarias e bibliotecas. Neste contesto as livrarias de usados (sebos, como são conhecidas em nosso país) recebem uma parcela significativa destes alunos para adquirirem os livros com preços bem mais em conta do que os preços dos livros novos. O problema é que nem sempre se consegue atender a esta demanda por completo. Tratando-se de livros usados o numero de exemplares é bem limitado. Portanto, os alunos que deixam para adquirir o livro de ultima hora nem sempre conseguem encontrá-lo em um sebo. Restando apenas a possibilidade de comprá-lo em livrarias de novos com o preço padrão.

Num final de tarde entra no sebo um garoto que lança um olhar completamente desinteiriçado para as estantes de livros. Retira um livro qualquer da estante e observa o numero de páginas fazendo uma careta tão feia que chegou a assustar uma menininha que estava folhando alguns livros infantis próximo a ele. Após alguns minutos ele se dirige ao balcão e pergunta:

― Vocês têm o livro “O Curtume” de Aluísio de Azeredo?
― Não seria “O Cortiço” de Aluísio de Azevedo?
― É eu acho que é isso mesmo.
― Infelizmente os últimos três exemplares foram vendidos ontem.

O rapaz franze a testa resmunga alguns impropérios para si e diz:

― Mas não tem nada nesta espelunca! Por que não fecha logo isso aqui...

Sem olhar para traz ele sai da loja reclamando e gesticulando muito. Em menos de dois minutos o rapaz entra na loja e pergunta:

― Se, por um acaso, entrar este livro até o final desta semana vocês me avisariam???
― ...

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