Oi, eu sou o Daniel Cunha.

Sou designer gráfico e publicitário, com uma trajetória que une duas áreas que caminham juntas no meu trabalho: História e Comunicação. Desde 2007 atuo lado a lado com professores, pesquisadores e estudantes de pós-graduação — especialmente da área da Educação e das Ciências Humanas. Aqui no Café de Ícaro, compartilho trabalhos, dicas de leitura, opiniões e reflexões sobre os temas que me acompanham no dia a dia. Por ser um espaço pessoal, o blog não segue um único assunto, mas reúne o que considero mais interessante nos processos criativos. Você também encontrará entrevistas, experimentos literários, ilustrações e fotografias para explorar com calma.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Café de Ícaro — um recomeço

Em 2007, quando criei o Café de Ícaro, o cenário digital era bem diferente. Os blogs ainda ocupavam um lugar expressivo, uma espécie de praça pública descentralizada, onde cada pessoa erguia seu próprio canto para conversar, mostrar projetos, divagar ou simplesmente experimentar a escrita. As redes sociais existiam, claro, mas ainda não tinham engolido todos os espaços. Havia algo de mais silencioso e, de certo modo, mais íntimo na internet daquela época.

Foi nesse período que eu morava em São Leopoldo. E foi lá, entre trabalhos, prazos e conversas de corredor, que convivi com um tipo muito específico de ambiente: pessoas talentosas, mas frequentemente marcadas por uma postura arrogante, certa altivez que se impunha antes mesmo das ideias. Não foi simples lidar com isso, embora tenha sido um aprendizado curioso.

A partir dessas experiências surgiu o nome Café de Ícaro. Afinal, muitos dos encontros que inspiraram o blog aconteciam literalmente em cafés: mesas onde projetos começavam, conversas se desdobravam e, às vezes, divergências também apareciam. Já Ícaro entrou como metáfora inevitável: havia sempre um movimento de voar alto demais, como se cada troca estivesse carregada de disputas de ego, uma espécie de necessidade constante de provar quem chegava mais perto do sol. O nome acabou se tornando uma pequena ironia, mas também um lembrete sobre a importância de manter algum humor diante das vaidades humanas.

Agora, final de 2025, decidi fazer uma limpeza completa nos arquivos e recomeçar. Não por rejeição ao passado, mas porque a proposta do blog mudou e eu também mudei. Hoje, o Café de Ícaro deixa de ser um reflexo daquele ambiente inicial e passa a ser um espaço meu por inteiro. Um lugar mais aberto, dedicado às produções independentes, às criações que surgem do tempo de maturação, aos experimentos que não precisam caber em prateleiras rígidas.

A partir daqui, você vai encontrar por aqui literatura em diferentes camadas: poemas, ensaios, ficções, textos híbridos e projetos que venho desenvolvendo ao longo dos anos. Também haverá espaço para quadrinhos, ilustrações, fotografia, reflexões sobre arte e cultura e, sempre que fizer sentido, entrevistas e conversas com outras pessoas que também orbitam esse universo criativo.

Este artigo serve como porta de entrada para essa nova fase. O Café de Ícaro continua sendo um lugar para diálogos, mas agora diálogos mais amplos, mais livres, menos atravessados pelas sombras daquele período de origem. Um espaço para pousar e observar, mas também para permitir algum voo. Sem o sol tão perto desta vez.

Nenhum comentário: